LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

2.9.08

CENSURA BRITÂNICA DE 1979

A obra de arte, por sua ousadia, inovação ou vanguarda avançada demais para uma época, é o objeto preferido para a censura, quando são arranhados ou feridos os princípios morais vigorantes em determinado período da história. Por isso mesmo a censura vem desde os primórdios da existência humana e continuará a existir, de vez que as pessoas se acostumam, facilmente, a um modo de vida e , quando a vêem ameaçada, com a possibilidade de uma alteração simples ou mudança radical, reagem de forma policialesca, censurando o ato ou fato que põe em risco o “statau quo”.

Após 30 anos, o filme CALÍGULA deixou de ser censurado pelos britânicos e foi passado na íntegra, com cenas picantes do que é, ainda hoje, considerado sexo anormal. Desta vez, a película foi classificada como “filme para adultos”, embora se tratasse de um roteiro de Gore Vidal, com atores da estirpe de Helen Mirren, Peter O´Toole e Malcolm McDowell.

Durante esses 30 anos o filme nunca passou na sua integralidade, com a edição original, sendo cortadas as cenas de sexo explícito e outras que atentassem contra a moralidade vigente. Prevaleceu, agora, o bom senso, diante dessa nova realidade que se apresenta, onde o nu está em toda parte, das passarelas aos protestos de rua, como é o caso da ONG PETA, que tem como objetivo a proteção dos animais.

Estando a nudez na rua, de forma velada ou não, a sensualidade se espalha por todas as partes do mundo, um passo para a compreensão do lado erótico do homem, que a Igreja tenta suprimir, como se não existisse na vida humana. E, contraditoriamente, se expande e aflora dentro da própria Igreja Católica, sob a forma de pedofilia, um dos atos mais condenáveis pela própria Igreja, que tem um critério de inocência dos primórdios da humanidade.

Sabe-se que a cultura britânica é bastante rígida quando a princípios morais, advindos do protestantismo, em suas mais diversas formas, da igreja ortodoxa e mesmo da origem de sua formação histórica. Ao mesmo tempo, uma cidade como Londres acoberta as mais variadas maneiras de liberdade, em uma contradição sem precedentes que se espalha pelo mundo, confundindo mentes e alardeando princípios libertários.

A censura é sempre perniciosa, ainda mais em se tratando de arte, expressão máxima da liberdade de expressão e a cada ato de censura é como se o homem retrocedesse anos e séculos na sua evolução. É desastroso isso que aconteceu com o filme Calígula, quando a intenção era mostrar os hábitos e costumes de uma época da vida humana e isso inclui a parte sexual praticada nesse período, mostrando que esses hábitos são antigos, como a própria humanidade e que apenas a moral judaico-cristã é que tenta tolher esses costumes

E o faz ao separar a alma do corpo, prometendo salvação dessa alma, como se esta não fosse uma expressão do corpo, através das manifestações cerebrais. Essa dicotomia acientífica gera toda essa problemática, além de ser uma forma de exercer o poder temporal, detendo o mistério, a fé humana e as crendices daí advindas.
                                 Saraiva Filho                    02/09/08

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1.9.08

PENSÃO COM MAIOR IDADE DE FILHO

Mais uma vez o Superior Tribunal de Justiça – STJ inova, criando mais uma forma de legislar que se confronta com o ordenamento jurídico brasileiro. A nova Súmula desse tribunal assegura ao filho que completou 18 anos de idade o direito de permanecer percebendo a pensão, desde que não tenha como se sustentar.

Pela legislação em vigor, o filho perde, automaticamente, esse direito ao completar a maioridade, que agora é 18 anos e só o readquire se estiver cursando curso superior ou for portador de deficiência. Mas o STJ, assim, não o entende, emitindo mais uma esdrúxula Súmula, onde a pensão alimentícia do filho não cessa mais por si só, com a maioridade do filho.

Diz a estranha Súmula: “O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos”. Esta Súmula de número 358 deve ser obedecida por instâncias inferiores da Justiça, sem, entretanto, ter o caráter da obrigatoriedade da Súmula Vinculante do Superior Tribunal Federal – STF.

O Ministro do STJ, Antônio de Pádua Ribeiro, ao julgar recurso em que um pai de São Paulo solicitou a suspensão do pagamento de pensão à ex-mulher, tendo o filho mais de 18 anos, explicitou que “Às vezes, o filho continua dependendo do pai, em razão do estudo, trabalho ou doença”. E os Ministros do STJ entenderam que cabe ao pai alimentante provar as condições ou capacidade do filho, para demandar a cessação do encargo, sob o entendimento de que o dever de alimentar não cessa nunca, apenas se transforma com o tempo.

Há um terrível engano na argumentação para a emissão da Súmula, de vez que o que não cessa nunca é o apoio moral, a afetividade, quando há, e jamais o direito de alimentar um adulto apto a trabalhar e ganhar sua vida e prover seu sustento. Manter a pensão alimentícia, como próprio nome está dizendo, pensão para alimentar, só para aqueles filhos incapazes, por deficiência física ou mental de poder fazê-lo, ou em razão de estudo universitário.

Do contrário seria alimentar quem não faz o menor esforço para ter vida própria, amparado que está, legalmente, no dinheiro do pai, gerando uma corja de vagabundos que não têm estímulo para ter seu sustento garantido por si. É uma decisão deseducativa, insana e paternalista, desorientando o filho, que deve procurar uma carreira, um trabalho que o sustente a si à nova família que irá formar.

É lamentável essa decisão de um tribunal superior tendo um entendimento desse e o transforme em Súmula, de vez que vem terminar de desorganizar a família brasileira, que se desestrutura a cada dia, passando para a Escola os encargos que lhes são próprios. Em especial os encargos de alimentação e orientação de princípios morais básicos, desonerando a instituição familiar, inclusive de incentivo ao trabalho.
                                       Saraiva Filho                    1º/09/08

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26.8.08

ARTE, CULTURA E POLÍTICAS PÚBLICAS

Qual o grau de interferência do Estado, através de seus mecanismos estruturais, para dinamizar a arte e a cultura? Há a necessidade de ser dissecada essa questão da arte e da cultura, para que as políticas públicas e as poucas privadas atuem em benefício delas.

A Cultura, por ser um grande conglomerado de atitudes, envolve a maneira de ser de um povo, o modo de se posicionar diante de sua realidade e não o faz somente através da arte, mas na condução de seu modo de vida, de forma espontânea, em Estados democráticos. A arte necessita de um suporte econômico-financeiro para existir como objeto artístico, incentivado pelo Estado e tendo várias espécies, torna-se quase impossível atender a todas.

Apesar de ser um dos tipos de cultura, a arte não engloba o artesanato, nem a culinária, mesmo as outras manifestações da arte popular, a qual já entra em outra espécie de cultura, pois está, diretamente, ligada ao modo de um povo se manifestar. A arte não significa qualquer manifestação de dotes artísticos, mesmo desmistificada como está, mas requer um conjunto de requisitos, para que se possa chamar de objeto de arte.

Entre esses requisitos estão a unicidade do objeto, a ligação direta ou indireta com movimentos artísticos, mesmo na vanguarda, na inovação, não existindo assim uma arte isolada de um contexto socioeconômico. Existe nela um elemento diferenciador, ao mesmo tempo que inserida nesse contexto, que se traduz na capacidade de, por si só, produzir um encantamento, um emoção favorável, um enlevo, pela admiração que possa causar.

Para qualquer governo, priorizar uma espécie de arte se torna injusto e elaborar políticas para todas é inócuo. Há o caso de se criar uma Agência Reguladora para fiscalizar a arrecadação dos direitos autorais, que já vem direcionada para a música, em especial, e para a literatura, provocando uma discriminação com as outras artes que não se mantêm de direitos autorais, como a pintura, a escultura e muitas outras.

Por outro lado, abrir escolas de artes plásticas, incentivar a criação de ateliês, também, se torna discriminatório e é impossível fazer isso com todas as artes. A ingerência do governo poderia estar em disponibilizar a ausência de tributos na importação de materiais para produzir arte, o que já acontece com o papel bruto, mas não com os instrumentos musicais, com o material de pintura, o intercâmbio com companhias de dança e muitas outras formas de proporcionar condições, para que a arte se desenvolva.

Nossa arte precisa de mais festivais, de mais feiras, de mais encontros de artistas, não como estrelas, mas como participantes de um processo de amplificação de horizontes artísticos, ou seja, pensar a arte deste milênio. Não bastam apresentações de manifestações artísticas, mas divulgação, também, dos destinos da arte, como o teatro que está morrendo à míngua, sujeito a estereotipo de dramaturgia, para sobreviver. 

A Arte está deixando de ser privada como objeto de arte, de vez que não se pode levar para casa uma instalação, uma performance, mas se leva o enlevo de um texto de teatro e sua apresentação, quando magnífica. Arte, Cultura e políticas públicas precisam ainda de um longo caminho para se afinarem, sem estrelismos e preconceitos.
                                         Saraiva Filho                         26/08/08

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15.8.08

A ESCOLA E UM NOVO CONHECIMENTO

O que vem se observando, a cada dia, é o despreparo das pessoas para o exercício até das tarefas rotineiras e de qualquer outra mais complexa, pela falta de conhecimento especializado e de relações humanas, para desempenhar seu trabalho, em qualquer atividade humana. A vida atual, erroneamente, chamada de moderna, exige, sobretudo, a capacidade de resolver problemas diários, além das que exigem um conhecimento advindo da informática.

A Escola – aqui simbolizando o procedimento educacional do país – não atende mais à sua função básica, nem de educar, nem de trabalhar conhecimentos adequados aos nossos tempos. É uma estrutura social caduca, nos moldes em que se apresenta, desenvolvendo conteúdos ultrapassados, bem longe das necessidades das tarefas que as empresas precisam para seu funcionamento.

Chegou a hora de separar, no caso do ensino superior e médio, conteúdos de cursos que preparam para uma atividade profissional, como médicos, advogados, professores, engenheiros, daquele outro voltado para a pesquisa, para o trabalho, puramente, acadêmico. O que se observa, hoje, é uma mistura de conteúdos, exigindo-se do estudante um trabalho de conclusão de curso como monografia – trabalho acadêmico, por natureza – em vez de uma espécie de prova teórica e prática de proficiência, na profissão escolhida.

Por outro lado o conhecimento “moderno”ou contemporâneo exige muito mais um trabalho em equipe, sem que cada um trabalhe a sua parte, separadamente, mas todos envolvidos em todas as tarefas, para, ao ser atendido um cliente, qualquer um da equipe possa solucionar o problema. A noção de liderança, também, mudou não sendo mais aquela que arrebanha pessoas em torno de uma, mas a que a própria pessoa seja seu líder, decidindo o que fazer em situações estranguladas.

É necessário que se atenda à autodeterminação individual, seguindo as regras das empresas, mas sendo maleável em situações específicas, em casos especiais, sem que, para isso, vá buscar a orientação, a cada caso, do chefe imediato. Esse medo de assumir responsabilidades provêm, do comportamento do próprio chefe, que concentra em suas mãos as decisões com medo, também, de delegar poderes.

Nesse círculo vicioso, surge a questão da falta de conhecimento do executor da tarefa, que aprende na escola um conteúdo que não pode aplicar na prática, por defasagem, sem que isso se atenha apenas à questão técnica. O sistema de sala de aula, professor “vomitando conhecimento”, provas bimestrais e um canudo no fim do curso, faliu. Bem mais avançado está o sistema de cursos à distância, com uma metodologia que faz o aluno estudar, sem que primeiro ouça a preleção do professor, mas adquirir conhecimento e apenas tirar suas dúvidas com o tutor.

Neste caso, o aluno aprende e depois discute e não há a imposição da freqüência, impulsionando-o a estudar. A sua vontade de completar o curso, seu grau de compreensão do conteúdo é que vai determinar seu progresso. O Curso, no sentido de ensino, é apenas apoio e não a principal tarefa no ensino. Por isso, o que se tem é uma faixa etária despreparada para assumir o lugar dos antigos e enfrentar os novos desafios de nossa era.
                                               Saraiva Filho                     15/08/08

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14.8.08

A SÚMULA DAS ALGEMAS

Agora este é um país, legalmente, da impunidade. A revolta dos cidadãos, atingidos pelos bandidos, e do povo, em geral, é evidente, embora, estupefatos, todos se calem. Restringir o uso de algemas para prender pessoas, em qualquer situação enfraquece a autoridade policial e possibilita, com mais facilidade, a fuga de presos, mesmo os que estão em flagrante delito.

O Supremo Tribunal Federal – STF acaba de editar uma Súmula Vinculante que restringe, demasiadamente, o uso de algemas para conduzir pessoas presas, com a seguinte redação: “Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física, própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e a nulidade da prisão ou ato processual, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado”.

A Súmula vinculante é um enunciado proferido pelo STF que deve ser seguido por todos os juizes federais e estaduais, sob risco de eles serem acusados de abuso de autoridade e poderem responder a processos disciplinares, civis e penais, não cabendo recurso contra a decisão da súmula. Além disso, as pessoas que se sentirem lesadas pela autoridade policial e entenderem que estão sofrendo abuso de autoridade podem recorrer direto ao STF, sem seguir o trâmite legal de passar por outras instâncias judiciais.

Com isso, na mesma semana em que foi editada a Súmula, já foi anulado o julgamento de um condenado a 13 anos e meio de prisão, que cometeu homicídio triplamente qualificado, por assistir ao julgamento algemado. O argumento foi de que se tornou irregular manter o réu, durante todo o julgamento preso a algemas, situação que poderia chegar a representar “tortura” e violação do princípio da dignidade humana.

A autoridade policial está de joelhos diante de essa decisão sumular, não se medindo a gravidade do crime cometido pelo delinqüente, desde que assegurada a dignidade humana. Houve dignidade humana, principalmente, na execução de crimes de homicídio e lesão corporal e nos de ordem financeira, quando as vítimas indefesas, morrem ou foram lesadas em seu patrimônio, além dos outros crimes elencados no Código Penal?

A não ser nos casos de prisão, visivelmente, arbitrária, o mínimo que pode sofrer o praticante do crime é a aposição de algemas, mesmo que o preso aparente calma e não faça menção de fugir ou agredir a si e a terceiros. É uma medida de segurança que não pode ser relaxada, sob pena de evasão do detido ou agressão indevida aos policiais ou às outras pessoas, de vez que ninguém quer ir preso.

Todo esse reboliço das algemas está ligado ao caso Daniel Dantas, que foi algemado em seus traslados para as prisões, como se só os pobres fugissem ou agredissem. Este personagem, por culpa do Presidente do Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do poder Judiciário, Ministro Gilmar Mendes, revolucionou a legislação brasileira, dando um tratamento igualitário e de mordomia aos presos, tornando-os até vítimas, tudo em nome da “dignidade humana”. Isso, sim, é um abuso.
                                       Saraiva Filho                      14/08/08

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13.8.08

A CARGA PESADA DAS OLIMPÍADAS

Há eventos mundiais de grandiosidade idêntica ou talvez maior, como a Copa do Mundo, para ficar no terreno dos esportes, que não absorvem a mídia, como está acontecendo com as Olimpíadas de Pequim. Apenas dois fatos têm a cobertura dos meios de comunicação de massa: as próprias Olimpíadas e a Guerra da Rússia com a Geórgia, por causa de uma província inexpressiva aos olhos do mundo, a Ossétia do Sul, que quer a sua independência da Geórgia.

As Olimpíadas tem maior carga de cobertura, asfixiando as pessoas com os mínimos detalhes da vida dos competidores e dos jogos, chegando a uma intensidade tamanha que causa náusea. Enquanto isso, o mundo está à beira de uma nova guerra entre os países da Geórgia e da Rússia, necessitando da intervenção segura do Presidente Francês, Nicolas Sarkozy, na condição de Presidente Rotativo da União Européia.

Os Estados Unidos tentaram intervir no conflito, mas não têm mais a força de sua presença, com a fragilidade que apresentam em sua credibilidade, embora sejam uma potência armamentista que poderia fazer frente à Rússia. Com a presença de Sarkozy na região, foi conseguido um acordo paz que determina a renúncia do uso da força, o fim definitivo de todas as ações militares e o livre acesso às ações humanitárias, além do retorno das Forças Armadas da Geórgia a suas posições habituais.

Com o movimento separatista da Ossétia do Sul, a Geórgia enviou tropas para o local e a Rússia não quis permitir isso, bombardeando a Geórgia, podendo gerar até uma terceira guerra mundial, de vez que a União Européia ameaçou a Rússia com retaliações, até que se chegou a esse acordo costurado por Sarkozy. Agora, é acreditar que esse acordo seja para valer e que não continue a destruição devastadora da região, com um número de mortes elevado, além das seqüelas materiais sofridos pelo povo bombardeado da capital da Geórgia e da própria Ossétia do Sul.

E, ao largo disso e dos problemas brasileiros com a corrupção, com o biocombustível e sua posição internacional, além de outros problemas mais graves, a Televisão como mídia mais abrangente em termos de audiência, é só passando jogos, entrevistas com jogadores e aqueles detalhes sem importância, como Marta indo para um hotel, em vez de ficar na vila olímpica. É uma miudeza sem fim, enquanto sérios problemas rondam o mundo, podendo nos levar a uma catástrofe maior.

É certo que as Olimpíadas constituem um fato importante, também, para a humanidade, principalmente, ocorrendo na exótica China, mas, por isso, ser o prato principal do banquete da mídia, é demais! Essa nova forma de fazer jornalismo centrando somente em um fato, como foi o caso da morte da menina Isabella, torna-se, altamente prejudicial ao cidadão, que tem uma visão encurtada do mundo.

Não se agüenta mais Olimpíada na mídia, com aquelas minúcias desagradáveis e horas e horas de jogos televisionados, em detrimento de notícias mais importantes para o desenvolvimento mundial. Os políticos gostam disso, de vez que ficam soltos para fazerem o que bem entender, sem a pressão da imprensa, que deixa de cumprir sua função primordial que é de denunciar a má administração e os escândalos na vida pública.
                                            Saraiva Filho                       13/08/08

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12.8.08

A PAZ COMO DIREITO

Ao ser catalogada a paz como um direito, igual aos direitos fundamentais dos homens é não ter noção do conceito de paz. A paz não significando quietude, acomodação e levar uma vida tranqüila sem conflitos é uma utopia sem propósito, na medida em que esse estado de coisas não pode existir.

A sociedade é formada por vários segmentos sociais, mesmo no socialismo ou no pretenso comunismo, quanto mais no capitalismo. Esses segmentos sociais, que formam classes sociais, podendo haver dentro de uma classe muitos segmentos, como na classe média, por exemplo, não possuem um sentimento de classe e não agem como classe, a não ser nas questões muito fundamentais para o homem.

Não havendo essa agregação por classe ou segmento social – entenda-se seguimento como parcelas diferenciadas de pessoas, costumes, idéias, etc. – é inevitável que haja conflitos entre eles, quebrando aquele conceito tradicional e inverídico de harmonia. Podem ocorrer momentos sem hostilidades, mas elas estão latentes, podendo se manifestar a qualquer momento.

Essa idéia de harmonia e conseqüente paz vem do ideal religioso de perfeição, que se deseja aplicar às relações sociais. Não pode haver essa perfeição, que se atribui a um ser superior, nas relações internas e externas entre classes sociais, pois, do contrário não haveria mudança sociais.

A mudança, a ruptura, como ocorreu, na história mais recente com a Revolução Francesa, com a sociedade industrial e no pós-industrialismo, este contemporâneo com a informática e as tecnologias de informação e comunicação, só existem por causa dos conflitos sociais. Temos como exemplo a corrida espacial que derivou de uma disputa na guerra fria e que ocasionou uma mudança radical e invisível na vida das pessoas, fazendo surgir, inclusive a própria informática, como a conhecemos hoje.

Foram os conflitos sociais que tornaram independentes as ex-colônias africanas e estão sendo eles que estão gerando uma nova forma de sociedade, com as questões de imigração nos países ex-colonizadores. Esses são apenas alguns exemplos de que a mudança ou a ruptura – algo mais forte e irreversível – é a mola propulsora do desenvolvimento social, mesmo na sua versão mais grotesca que é guerra.

Não há avanço social naquilo que nunca existiu, a sonhada harmonia, não podendo haver mudanças nessa tranqüilidade que se persegue. A agitação, o confronto cria um terceiro gênero, que vem a ser adotado como forma de vida social, através da alteração de parâmetros que dantes não se cogitava.

Não se trata da apologia da guerra ou do conflito social, pois eles existem, bastando existir duas pessoas, mas de verificar que a ordem social não se modifica dentro da ordem estabelecida. Verifica-se a mudança, quando saímos dessa ordem e buscamos uma alternativa, por isso a democracia é totalitária, no sentido que só permitir mudança na ordem, com as regras da própria ordem.
                                                  Saraiva Filho                     12/08/08

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11.8.08

A CULTURA DO CÂMBO MULETA

Um país subdesenvolvido sempre viveu com seus prognósticos econômicos baseados na diferença do câmbio para mais, em relação ao dólar americano. No caso brasileiro não há, na verdade, lucro na empresa, mas um ganho com a diferença entre o valor do dólar estadunidense e a moeda nacional, podendo os produtos se tornarem baratos lá fora, sob uma base falsa.

Nunca se cuidou da questão da produtividade, da consecução de preços baixos para os insumos e de mecanismos de baratear a questão da mão-de-obra especializada, de vez que há a garantia do “lucro” pela diferença de cambio da moeda.

A indústria exportadora, como a calçadista, a de aeronaves e tantas outras, sempre viveu pendurada no câmbio, jamais trabalhando com lucros reais, advindos de venda dos produtos, no mercado internacional, por um preço que correspondesse ao real valor do produto. São competitivos os preços, porque há a diferença do valor do dólar e não pelo valor intrínseco do produto.

Isso traduz uma falsa exportação, ao sabor do câmbio do dia e jamais preços fixos para os produtos. Na realidade, não há lucro, mas especulação financeira na atividade de exportar, causando prejuízo ao país, que fica amarrado a uma moeda nacional fraca, sob pena de caírem as exportações.

Uma moeda fraca e instável desestabiliza o investimento externo e o Banco Central é obrigado a manter as taxas de juros altas, para atrair investidores em dólar. É um raciocínio perverso e estrangulador, quando se dá a intervenção do governo na cotação do dólar, para que o real caia, sob a alegação de conter o consumo e, consequentemente, a inflação.

Agora mesmo a EMBRAER, em nota oficial, anuncia a demissão de 250 funcionários e vem a FIESP e diz que é por causa do câmbio. Deviam esses industriais se envergonhar desse raciocínio, de vez que é querer legitimar a especulação, em vez de modificarem seus métodos de produção, buscando um produto mais barato.

Produtos esses que pudessem, pelo preço e pela qualidade, modificar o quadro de exportação, sem se valerem do câmbio como muleta para a venda internacional, tornando uma exportação auto-sustentável, independente dos humores do valor do dólar aqui dentro do Brasil. É lamentável que uma economia que se diz emergente ainda se prevaleça desses expedientes escusos para a sobrevivência das exportações.

Em todos os países desenvolvidos, quanto mais baixo o câmbio, em ralação a outras moedas internacionais, mais saudável se torna a economia. No Brasil, é ao contrário pelo fato de não se fazer venda de produtos, embora as vendas em si ocorram, mas baseadas na especulação da moeda, até nos produtos industrializados para o consumo interno.

A culpa é sempre do preço do dólar, sem que se esclareça que a indústria vive pendurada em bancos, cobrindo déficits de operações, quando o câmbio está em baixa e o dólar quase se iguala ao real. É uma indústria que não se sustenta com as próprias pernas e tem a coragem de culpar o câmbio para encobrir sua deficiência.
                                      Saraiva Filho                      11/08/08

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9.8.08

NOVA CONCEPÇÃO DE LEITURA

A grande discussão entre geradores de políticas públicas, especialistas em problemas de leitura e os alfabetizadores reside em que são adotadas duas posições. Uma que segue os parâmetros tradicionais de que a leitura se dá apenas nos livros impressos em papel e, no máximo, nos e-books, com textos de autores famosos, que fizeram a história da literatura.

A outra corrente encara a leitura de uma forma mais aberta e consentânea com os dias atuais, em que a leitura não se resume a livros, mas a imagens, áudios, textos informais, como e-mails, notícias, blogs, etc., que vão moldando um novo tipo de literatura. Inclui-se aí até os as histórias rápidas contadas por mensagens de texto nos celulares, muito comuns no Japão e na França.

Desse modo, o conceito de leitura tem que ser reformulado, para que a compreensão da mensagem seja completa, como as imagens explicitando textos não escritos e músicas e sons revelando imagens em uma espécie de sinestesia incomum que só a Web pode proporcionar. Até as bibliotecas de vários Estados, nos USA, estão disponibilizando livros, através de seus bibliotecários de recursos eletrônicos, nas bibliotecas virtuais, ainda um pouco nos moldes tradicionais, de vez que há a necessidade do livro em papel ser transposto para os meios eletrônicos.

Esse novo tipo de leitura, que não descarta os livros tradicionais, mas deve ser levada em conta na avaliação do aluno, para verificar seu desempenho escolar, sem ficar adstrito aos conteúdos formais das grades curriculares. Não se questiona muito se ficar na internet é perder tempo, de vez que o jovem, lê e escreve comentários e mesmo nos jogos, são desenvolvidas habilidades de raciocínio que não estão restritos a cálculos matemáticos, àquela lógica rançosa, difícil de transpor para a vida cotidiana.

Se continuarmos a cobrar dos alunos o mesmo e velho conteúdo nas avaliações, é claro que tirarão notas baixas e o computador será o culpado, considerando, aí, que navegar na internet são horas inimigas da Leitura. Mas tem que se saber que tipo de leitura, se a tradicional, aprendendo os autores conhecidos – principalmente, no Brasil, sua biografia e seus modos extravagantes de ser – ou se a leitura completa que inclui qualquer tipo de texto, imagens e áudio.

É comum se ouvir os professores reclamarem da falta de interesse dos alunos no conteúdo das aulas e não se verifica que esse conteúdo está em desacordo com os nossos dias. Estão ensinando coisas antigas, uma velharia que só a História pode documentar e explicar, de vez que não tem aplicabilidade no dia-a-dia.

Os jovens devem ser avaliados por sua proficiência na internet, já que se luta tanto pela inclusão social na informática e, contraditoriamente, se esquece o que lá é aprendido na hora da avaliação. Inclusão social na informática vai refletir no momento desses jovens procurarem emprego, onde o conhecimento tradicional pouco vale, mas, sim, a capacidade de percepção dos fatos da vida, que se adquire na internet, juntamente com um raciocínio diferenciado. Isso sem falar, na habilidade manual de manusear essa ferramenta que é o computador e os programas, com velocidade e eficiência, ou seja, a internet.

Passamos da fase de repensar isso, mas de executar essa nova forma de ensino que se impõe pelo avanço tecnológico, de forma avassaladora, sob pena de continuar existindo os altos índices de evasão escolar. É hora de por em prática o que está, pululando pelo ar, nas ondas da internet e não mais ficar se lamentando da falta de aprendizado do aluno. Pior, ainda, perdendo tempo em painéis, workshops, conferências que não acrescentam nada, além dos planejamentos intermináveis que gastam o dinheiro destinado à educação, em atividades meio.
                                           Saraiva Filho                   09/08/08

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8.8.08

UM MUSEU ESDRÚXULO

 
Pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa brasileiros planejam um modelo “inovador” de museu “vivo”, o Museu da Amazônia – Musa, que será instalado em uma área de 15 quilômetros quadrados. Permitirá ao visitante passear, internamente, pela floresta e observar plantas e animais, contribuindo para a conservação da biodiversidade ecológica e cultural da região.

Essa iniciativa da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Amazonas e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas - FAPEAM tem por objetivo maior sediar pesquisas na Amazônia e já tem endereço certo. Sua entrada será feita pelo rio, no lago do Puraquequara , na zona leste da cidade, sendo que do rio até reserva Duke será construído o MUSA, que perseguirá a idéia de um espaço de encontro, não de subordinação, entre o conhecimento tradicional e o científico-acadêmico.
É, realmente, um museu diferente e bastante estranho, na medida em que haverá animais, como insetos, vagando pelo museu e será construído um grande aquário, para a manutenção de espécies de animais aquáticos da Amazônia. Esse aquário ficará próximo ao rio e a sua água passará por um processo de filtragem, para garantir a visibilidade aos visitantes.

O coordenador-geral do projeto, Ennio Candotti, promoveu, recentemente, um workshop de três dias em Manaus, com cerca de 50 representantes de instituições de ensino e pesquisa e representantes de museus que puderam trocar idéias com um dos maiores especialistas em museus de ciência, Jorge Wagensberg, presidente do Museu de Barcelona. A respeito dessa pessoa, Candotti disse que ele tem uma enorme experiência em museus inovadores e nós precisamos de pessoas que não se espantem com novos desafios, como mostrar a floresta ao vivo.

Já Wagensberg, que dirige atualmente um museu em Puntas Arenas, no extremo sul do Chile, usa câmeras e sensores de áudio para monitorar a vida aquática, principalmente, de baleias e pingüins, onde imagens e sons são apresentados aos visitantes em salas especiais. A mesma experiência do uso de tecnologias de informação e comunicação será desenvolvida no MUSA, com a proposta de instalar equipamentos eletrônicos em diversos ambientes da floresta para captar os sons e imagens de insetos e animais e disponibilizar esse material, em tempo real, na internet e em ambientes de visitação, no próprio museu.

Sabe-se que museus servem para conservar, expor e manter trabalhos artísticos e científicos ou obras da natureza que são únicos e não existem em outra parte do planeta, interagindo com o público. A Amazônia vai desaparecer, para ser preservada dessa forma? A sua conservação, como obra da natureza, depende de um museu, ou seria um centro de estudos ecológicos e ambientais?

Respondidas essas perguntas, quer-se mostrar em museu o que já e ainda existe na natureza, a não ser que se parta do pressuposto de que a Amazônia vai se extinguindo aos poucos e é necessário preservar esse patrimônio que foi da humanidade. Mostrar a Amazônia em tempo real, ao vivo, para visitantes, por meios eletrônicos, poderia ser a estratégia de afugentar estrangeiros de levarem o precioso material dessa enorme floresta.

Deve-se convir, porém, que a floresta está aí, pronta para o acesso de qualquer um, desde que se consiga um bom guia, mesmo a peso de dólar ou de euro. É muito esdrúxula essa idéia de museu da Amazônia, de vez que se torna, totalmente, diferente mostrar baleias e pingüins, de difícil acesso e a fauna e a flora amazônica, delineando-se bem a distância do que é inovação, do que é besteirol.
                                           Saraiva Filho                        08/08/08

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