2.1.09
NA RESSACA DO ANO NOVO
Persistem os sintomas das festividades do Ano Novo em forma de um feriado prolongado, para um número razoável de trabalhadores, na troca de votos extemporâneos de felicitações ou com o sentimento de um início de entrada em vigor uma coisa nova, que, na realidade, permanece velha. Do non sense dos fogos de artifício à implantação da estapafúrdia reforma ortográfica, extremos temporários e que se esboroam com o passar do tempo, vai-se convivendo com a decantada crise econômica mundial, que o Brasil alega não sofrer muito as suas conseqüências.
Pelos prognósticos, não há muito a esperar desse ano que agora se implanta, na forçosa mudança de um calendário inventado de forma aleatória e que não é o mesmo em todas as partes do planeta. Só para citar exemplos, os judeus, os chineses e os mulçumanos adotam outra marcação do tempo, em relação à anualidade, ficando o ocidente com seus 365 dias, a partir de 1˚ de janeiro.
Mas a ressaca maior é a mesmice da forma como se festeja essa passagem de tempo, usando meios confraternizatórios que se repetem, a cada ano, à exaustão. As concentrações de pessoas nas praias, as oferendas, as mesmas músicas, mesmo com nova roupagem, os abraços falsos ou verdadeiros, os tais “amigos invisíveis ou ocultos” e a tradicional champagne como bebida símbolo, além dos espumantes mais baratos.
Se nos fosse oferecido um tempo para reflexão, não comemoraríamos nada, mas pensaríamos nas nossas ações no ano que passou e em nossos futuros atos, gerando fatos promissores a cada um. Seriam levantados temas maiores como a sobrevivência do planeta, o capitalismo selvagem, a miséria humana espalhada pelo mundo, as novas matrizes energéticas e em uma forma de administrar os Estados que não fosse tão prejudicial às pessoas.
Seria sem graça? Deprimente, para alguns? Mas cada um de nós é que faz brilhar a sua própria vida, que a levanta ou afunda e em nada impediria da existência de um pagode, axé, frevo, forró ou música sertaneja, regada a champagne. É só uma questão de ver o mundo com outras lentes mais realistas.
Saraiva Filho 02/01/09
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