24.10.08
A AUTORIDADE E O VIRA-LATA
Volto a está página, desta vez usando a primeira pessoa do singular, depois de uma longa ausência, por motivos pessoais, e encontro o mundo, como sempre, virado de cabeça para baixo. A grande oscilação das bolsas de valores como indicador da vida econômica internacional em crise, desestabilizando a maior potência me fez cair o queixo, estupefato nessa estrondosa reviravolta mundial, que o nosso Presidente insiste em dizer que estamos imunes.
Como se estivéssemos blindados à globalização, o Brasil, aonde tudo chega com atraso no tempo, fora o outro atraso que por aqui permeia, já começa a sentir os efeitos da recessão nos Estados Unidos, com a quebra de financeiras e empresas de maior porte. Como bom cão vira-lata vai se safando do jeito que pode, diante de uma autoridade policialesca que os americanos do norte têm sobre a comunidade internacional.
A idéia de que se trata de mais uma crise nos dá a impressão que é algo passageiro, voltando depois ao normal, quando, na realidade, enfrentamos, desta vez de frente, uma mudança radical no modo de vida de as pessoas e as instituições. Perdemos a inocência do subjugo americano, diante de novos mercados dos países chamados emergentes e o comando político internacional, ao nos defrontarmos com potências como a Índia, a China, o México e o próprio Brasil, sem falarmos na União Européia.
Por outro lado encontrei o mundo às voltas com o segundo turno das eleições em algumas capitais, em um jogo rasteiro parecido com uma desputa pela presidência de times de futebol. Vale tudo. Desde traficantes elegendo prefeitos e vereadores até a máfia dos evangélicos no estilo bispo Macedo interferindo na vida pública, como acontece com a gestão de suas igrejas e com a conivência do povão analfabeto ou ameaçado pela ponta das AR-15.
Encontro até o policial que se sentiu ameaçado por um cão vira-lata e atirou no pobre cachorro, que, para sua surpresa, era benquisto na comunidade onde vivia e foi socorrido por moradores para uma cirurgia veterinária paga pelos comerciantes cotizados, do local. Uma ação beneficente em meio a esse tumulto desenfreado, no caldeirão de agruras e alegrias que compõe a contradição da vida, na sua beleza e efuzividade.
Quisera eu não ter mais de suportar os inúmeros candidatos a celebridade, pontificando nas revistas e nas reportagens em busca de um reconhecimento público a que não têm direito, por falta de base de sustentação, como os BBB da vida.Mas, com a mente descansada, volto a me enfronhar nesses assuntos cotidianos, na esperança de partilhar minhas angústias, alguns sentimentos nobres e a desfaçatez de alguns, diante da vida.
Saraiva Filho 24/10/08
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