30.9.08
ASPECTOS DA REFORMA ORTOGRÁFICA
O Presidente Lula assinou o decreto que estabelece o cronograma de implantação da chamada reforma ortográfica da Língua Portuguesa, ocorrendo a ironia desse ato ser perpetrado por uma das pessoas que mais fala errado o Português. Com o objetivo da Unificação da escrita dessa língua nos oito países lusófonos, ficou estabelecido que no Brasil e em Portugal o Acordo Ortográfico entrará em vigor em janeiro de 2009, podendo as normas ortográficas nesses países serem usadas até 2012, para efeito de exames escolares, concursos públicos e em vestibulares.
Alguns escritores famosos como José Saramago e Carlos Heitor Cony já se posicionaram contra a adoção desse acordo em suas obras literárias e muitos outros, menos famosos, sem holofotes e no seu anonimato, também, continuarão escrevendo com a grafia antiga. Os objetivos dessa Unificação só tem significado para o mercado editorial, aliás, uma brecha bem lucrativa, pois, na prática as insurreições do intelectuais, dos escritores comerciais e até dos jornalistas apagará essa pretensão de reforma da Língua Portuguesa.
Com exceção das editoras, quem está feliz com a reforma são os gramáticos, que ganharão edição nova de seus livros, satisfeitos com essa mudança inócua. Unificar pra ter maior divulgação da língua e “agregar geografia”, nas palavras de um acadêmico da ABL – Academia Brasileira de Letras – não faz sentido, de vez que continuaremos como uma Língua de pouca aceitação em termos mundiais e não será essa nova posição que irá mudar os fatos.
Por outro lado, há toda uma construção paralela do Português na internet, o mais poderoso meio de comunicação escrita da atualidade, que utiliza um palavreado próprio, abreviado, utilizando, na grafia, os sons das palavras. Esse confronto de língua erudita e língua popular vem se desmanchando com o passar do tempo, com a máxima que o importante é comunicar, não importa por que meio escrito ou falado.
O surgimento dos livros feitos por SMS, essas mensagens de texto muito usadas nos celulares e também nos computadores, amortece esse virtuosismo da Língua, inclusive com a adoção de vários termos em inglês, a linguagem da informática. Com o crescimento dos e-books – aí vai um exemplo – os livros em papel vão perdendo espaço ao longo do tempo, mesmo, ainda, havendo a geração saudosista do suporte tradicional na mão, do cheiro, do carinho antiquado e até da carícia nos livros em papel.
Essa geração começa a se extinguir e a leitura na tela começa a ganhar corpo, podendo os livros ser guardados em arquivos virtuais, desaparecendo até a biblioteca tradicional, com o advento de uma nova profissão: o bibliotecário virtual. O comércio já aderiu às vendas por meios da informática e muitas outras atividades seguirão esse caminho, pouco importa em que tipo de português serão transmitidas as mensagens, desde que haja a consecução dos objetivos.
Esse adiamento para 2012 enfraquece o propósito de mudança e nos três anos de adaptação muitas alterações advirão, contrariando mais essa modificação de pouco significado na vida diária das pessoas. Os livreiros estão exultantes, não se sabe por quanto tempo, pois o que é certo vem sendo a rejeição tácita e expressa a essa reforma sem significado prático.
Saraiva Filho 30/09/08
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