23.9.08
AJUDA À ÁFRICA
O continente africano, quase sempre alvo de ajuda paternalista pelos países ricos, agora é objetivo de uma ajuda com sustentabilidade. Essa é a proposta do Presidente Lula anunciada no evento da ONU sobre o desenvolvimento da África.
Essa proposta brasileira está centrada em dois pontos básicos: a produção de biocombustível e a eliminação das barreiras comerciais que impedem o desenvolvimento agrícola do continente. Quanto ao biocombustível, o dilema entre a produção de alimentos e de biocombustível é falso, pois há lugar para ambos, desde que cultivados com responsabilidade e equanimidade, sem deixar que a ganância em ganhar dinheiro mais rápido suplante o abastecimento alimentar.
As barreiras comerciais não declaradas, mas existentes, necessitam para sua eliminação de uma aliança de países interessados no desenvolvimento do continente e deve ser buscado pelos próprios africanos, que são os que mais entendem de África. Há, porém, que se convir que o sistema de governo dos países africanos se baseia, em sua maior parte, em princípios tribais não consentâneos com o modo de vida contemporâneo, provocando disputas inócuas e desentendimentos bairristas, geralmente, com base em princípios religiosos.
Por outro lado, há toda uma herança colonialista, pode-se dizer recente, que enfraquece a iniciativa dos africanos, sempre habituados a esperar ajuda de fora para dentro, uma ajuda interesseira e exploradora das riquezas naturais do continente. A parceria tão desejada e requerida dos países ricos não se fará pelos caminhos tranqüilos da benevolência, com aquela visão romântica do Presidente brasileiro, mas na disputa, palmo a palmo de horizontes mais largos para os países africanos.
Essa disputa atrairá a consequente divisão de poder e perda de mercado interno dos países ricos, posição, no mínimo, desagradável para estes países. Lutas diplomáticas terão que ser travadas e se as nações africanas não se unirem em bloco político e econômico jamais conseguirão seus objetivos de desenvolvimento.
Se continuarem a contar com “ajudas” externas, permanecerão no atraso e na miséria em que vive sua população, devendo contar com governos que se unam como uma espécie de frente africana para o desenvolvimento. Somente dessa maneira, lutando sempre, conseguiram algum saldo positivo no concerto das nações no mundo, pois, realisticamente, nenhum país vai ceder parte de seu poder no mundo, para a inclusão da África como um continente economicamente independente.
Saraiva Filho 23/09/08
criado por SARAIVA FILHO
5:08 — Arquivado em: 
