LiberdadeDaPalavra

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14.9.08

TENSÃO NA BOLÍVIA

A expulsão da Bolívia e da Venezuela dos embaixadores dos Estados Unidos foi o ápice da tensão interna entre oposição e governo bolivianos, pela disputa da independência dos Estados integrantes dessa nação, de vez que lá é um Estado Unitário com departamentos, que querem se transformar em Estados-Membros, formando um Estado Federado, como é o caso do Brasil. Para isso, é preciso independência e autonomia definidas na Constituição, luta que vem sendo empreendida, principalmente, nos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Pando e Beni.

Acusado pelo presidente Evo Morales de fomentar essa reforma, o embaixador dos Estados Unidos foi expulso do país e, em “solidariedade”, o anti-americano Hugo Chávez, também, expulsou o embaixador estadunidense da Venezuela. Em contrapartida, os Estados Unidos expulsaram os embaixadores da Bolívia e da Venezuela, além daquela potencia mundial ter cortado a ajuda financeira que vinha sendo dada à Bolívia.

A tensão interna na Bolívia vem crescendo, com quebra-quebras, saques, tumultos de rua, corte no fornecimento de gás ao Brasil e invasão de unidades de petróleo e, por fim, a expulsão de venezuelanos e cubanos do território boliviano, feita pela oposição ao governo central. O apoio internacional está dividido entre os que estão do lado do presidente boliviano, como a união européia, na figura de seu presidente rotativo atual o Presidente francês Nicolas Sarkosy, que deseja extinguir os conflitos e a Presidente da União de Nações Sul Americanas – UNASUL, Michelle Bachelet, que quer analisar a crise política na Bolívia, para “a adoção de uma atitude positiva, construtiva que permita aproximar as partes e apoiar os esforços do governo e do povo boliviano , em prol de seu sucesso democrático, da estabilidade e paz”, disse Bachelet, sem tomar partido.

O Brasil nessa confusão quer saber de seu fornecimento de gás, pouco se importando com o desfecho da situação, em uma atitude anti-liderança, contrariando o papel que sempre exerceu, em relação aos países da América do Sul. Sem cacife político para tomar uma atitude mais efetiva e construtiva no conflito e com o desamparo pela incompetência em política externa, fica de fora, embora seja bastante interessado, economicamente, nos desdobramentos da crise, empolgado que está pelo pré-sal das costas brasileiras.

Essa atitude, visivelmente, esquerdista, centralizadora e totalitária da Bolívia e da Venezuela, acompanhada de perto pelo Equador não combina com o posicionamento da Argentina, Brasil, Chile, Peru e Colômbia pró Estados Unidos, gerando um desconforto interno na região. O extremismo venezuelano não olha pra dentro de sua própria casa, com um governo populista, desejando ser totalitário, apenas quer liderar os demais países da América do Sul, sem ter a diplomacia para isso, agindo na força e nos joguinhos duplos, com o fez no caso das FARC, ativando cada vez mais as mazelas da Bolívia.
                                           Saraiva Filho                14/09/08

criado por SARAIVA FILHO    8:15 — Arquivado em: Sem categoria

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