12.9.08
REBOBINANDO A VIDA
Em um momento de lucidez altiva, onde cai por terra a idéia de tempo, vem à mente a idéia de um retorno na vida, sem as estripulias da ficção científica, mas apenas o forte odor do passado, um cheiro manso e bom de lembranças boas, mesmo com desencontros de amor. Um passado sem nostalgias ou mágoas, com a fixação de pessoas presentes, em seus devidos lugares, como uma outra chance de refazer a vida, sem caminhar para o futuro.
Um a hipótese esdrúxula para os que não são românticos, como se rebobinássemos a vida para os bons momentos e os transformássemos em um outro desfecho, um projeto de futuro certo e sabido, como nas versões de filmes hollywoodiano, onde sempre tudo acaba bem. Isso mesmo, no fime Amor à Primeira Vista, com essa tradução em português, de um cinema delicado da Paramount, com Robert de Niro e Meryl Streep, de 1984, onde um desencontro rebobinado levou a um esperado final feliz.
Essa possibilidade não temos, racionalmente, de vez que ganhamos um presente a cada segundo que deixa de ser o futuro e caminhamos para frente, mesmo que tenha a aparência de darmos passos para trás. Muitas pessoas teriam muitas paradas nesse rebobinar louco, com uma interação mirabolante, que as possibilitasse recriar um futuro, na mais autêntica maluquice consentida e salutar para espíritos atormentados e sofridos, com um presente indesejado.
Nesses caminhos desviados, da mesma forma que podemos desviar nossos rumos, sem a idéia determinista de destino,de acomodação, mas alcançando horizontes incomuns, no comando da nossa própria vida. Os fatores externos que podem interferir seriam driblados, sem soluções mágicas, mas com a perseverança e a tenacidade de não desviar o rumo de nosso desejo, um desejo enriquecido pela chama do ardor da vontade.
Assim, não haveria lugar para arrependimentos, desditas e queixumes, no invólucro das coisas malsãs que desviam nossa rota. Teríamos o amor perseguido, o emprego que nos aconchega e a busca constante de cada vez mais, sem cairmos na acomodação dos fartos, que se tornam indolentes e novamente desajustados no tédio irritadiço do desleixo.
Pode-se fazer isso como o presente-futuro, caminhar por trilhas desejadas, não importa o preço, que sempre o há, mas estaríamos dispostos a pagar sem reclamações, para não termos a desdita do indesejável. Rebobinar a vida, para se fazer o que se gosta, não importam os empecilhos, as travações, o tempo que levar ou a falta de condições, desde que não se desista, na retraída condição de aceitação impune.
Saraiva Filho 12/09/08
criado por SARAIVA FILHO
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Comentário por Eliane — 12.9.08 @ 19:09
O negócio é seguir sempre em frente, olhar pra trás pra saber o que passou , para os lados pra ver com quem estamos , para baixo para não tropeçarmos e para cima : temos que agradecer a Alguém !!!! Risos