LiberdadeDaPalavra

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2.9.08

CENSURA BRITÂNICA DE 1979

A obra de arte, por sua ousadia, inovação ou vanguarda avançada demais para uma época, é o objeto preferido para a censura, quando são arranhados ou feridos os princípios morais vigorantes em determinado período da história. Por isso mesmo a censura vem desde os primórdios da existência humana e continuará a existir, de vez que as pessoas se acostumam, facilmente, a um modo de vida e , quando a vêem ameaçada, com a possibilidade de uma alteração simples ou mudança radical, reagem de forma policialesca, censurando o ato ou fato que põe em risco o “statau quo”.

Após 30 anos, o filme CALÍGULA deixou de ser censurado pelos britânicos e foi passado na íntegra, com cenas picantes do que é, ainda hoje, considerado sexo anormal. Desta vez, a película foi classificada como “filme para adultos”, embora se tratasse de um roteiro de Gore Vidal, com atores da estirpe de Helen Mirren, Peter O´Toole e Malcolm McDowell.

Durante esses 30 anos o filme nunca passou na sua integralidade, com a edição original, sendo cortadas as cenas de sexo explícito e outras que atentassem contra a moralidade vigente. Prevaleceu, agora, o bom senso, diante dessa nova realidade que se apresenta, onde o nu está em toda parte, das passarelas aos protestos de rua, como é o caso da ONG PETA, que tem como objetivo a proteção dos animais.

Estando a nudez na rua, de forma velada ou não, a sensualidade se espalha por todas as partes do mundo, um passo para a compreensão do lado erótico do homem, que a Igreja tenta suprimir, como se não existisse na vida humana. E, contraditoriamente, se expande e aflora dentro da própria Igreja Católica, sob a forma de pedofilia, um dos atos mais condenáveis pela própria Igreja, que tem um critério de inocência dos primórdios da humanidade.

Sabe-se que a cultura britânica é bastante rígida quando a princípios morais, advindos do protestantismo, em suas mais diversas formas, da igreja ortodoxa e mesmo da origem de sua formação histórica. Ao mesmo tempo, uma cidade como Londres acoberta as mais variadas maneiras de liberdade, em uma contradição sem precedentes que se espalha pelo mundo, confundindo mentes e alardeando princípios libertários.

A censura é sempre perniciosa, ainda mais em se tratando de arte, expressão máxima da liberdade de expressão e a cada ato de censura é como se o homem retrocedesse anos e séculos na sua evolução. É desastroso isso que aconteceu com o filme Calígula, quando a intenção era mostrar os hábitos e costumes de uma época da vida humana e isso inclui a parte sexual praticada nesse período, mostrando que esses hábitos são antigos, como a própria humanidade e que apenas a moral judaico-cristã é que tenta tolher esses costumes

E o faz ao separar a alma do corpo, prometendo salvação dessa alma, como se esta não fosse uma expressão do corpo, através das manifestações cerebrais. Essa dicotomia acientífica gera toda essa problemática, além de ser uma forma de exercer o poder temporal, detendo o mistério, a fé humana e as crendices daí advindas.
                                 Saraiva Filho                    02/09/08

criado por SARAIVA FILHO    7:02 — Arquivado em: Sem categoria

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