LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

30.9.08

ASPECTOS DA REFORMA ORTOGRÁFICA

O Presidente Lula assinou o decreto que estabelece o cronograma de implantação da chamada reforma ortográfica da Língua Portuguesa, ocorrendo a ironia desse ato ser perpetrado por uma das pessoas que mais fala errado o Português. Com o objetivo da Unificação da escrita dessa língua nos oito países lusófonos, ficou estabelecido que no Brasil e em Portugal o Acordo Ortográfico entrará em vigor em janeiro de 2009, podendo as normas ortográficas nesses países serem usadas até 2012, para efeito de exames escolares, concursos públicos e em vestibulares.

Alguns escritores famosos como José Saramago e Carlos Heitor Cony já se posicionaram contra a adoção desse acordo em suas obras literárias e muitos outros, menos famosos, sem holofotes e no seu anonimato, também, continuarão escrevendo com a grafia antiga. Os objetivos dessa Unificação só tem significado para o mercado editorial, aliás, uma brecha bem lucrativa, pois, na prática as insurreições do intelectuais, dos escritores comerciais e até dos jornalistas apagará essa pretensão de reforma da Língua Portuguesa.

Com exceção das editoras, quem está feliz com a reforma são os gramáticos, que ganharão edição nova de seus livros, satisfeitos com essa mudança inócua. Unificar pra ter maior divulgação da língua e “agregar geografia”, nas palavras de um acadêmico da ABL – Academia Brasileira de Letras – não faz sentido, de vez que continuaremos como uma Língua de pouca aceitação em termos mundiais e não será essa nova posição que irá mudar os fatos.

Por outro lado, há toda uma construção paralela do Português na internet, o mais poderoso meio de comunicação escrita da atualidade, que utiliza um palavreado próprio, abreviado, utilizando, na grafia, os sons das palavras. Esse confronto de língua erudita e língua popular vem se desmanchando com o passar do tempo, com a máxima que o importante é comunicar, não importa por que meio escrito ou falado.

O surgimento dos livros feitos por SMS, essas mensagens de texto muito usadas nos celulares e também nos computadores, amortece esse virtuosismo da Língua, inclusive com a adoção de vários termos em inglês, a linguagem da informática. Com o crescimento dos e-books – aí vai um exemplo – os livros em papel vão perdendo espaço ao longo do tempo, mesmo, ainda, havendo a geração saudosista do suporte tradicional na mão, do cheiro, do carinho antiquado e até da carícia nos livros em papel.

Essa geração começa a se extinguir e a leitura na tela começa a ganhar corpo, podendo os livros ser guardados em arquivos virtuais, desaparecendo até a biblioteca tradicional, com o advento de uma nova profissão: o bibliotecário virtual. O comércio já aderiu às vendas por meios da informática e muitas outras atividades seguirão esse caminho, pouco importa em que tipo de português serão transmitidas as mensagens, desde que haja a consecução dos objetivos.

Esse adiamento para 2012 enfraquece o propósito de mudança e nos três anos de adaptação muitas alterações advirão, contrariando mais essa modificação de pouco significado na vida diária das pessoas. Os livreiros estão exultantes, não se sabe por quanto tempo, pois o que é certo vem sendo a rejeição tácita e expressa a essa reforma sem significado prático.
                                       Saraiva Filho                     30/09/08

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24.9.08

NOVA FACE DA LITERATURA ATUAL

A literatura contemporânea, a partir dos anos 90, configurando-se, com maior intensidade, nos primeiros anos deste milênio, apresenta uma nova face, com mudanças substanciais que modificam a estrutura narrativa e ensejam uma outra forma de contar histórias, diferente do modo existente no restante do século XX. Isto não significa que atuais escritores tenham todos assumido essa nova estrutura, pois há, ainda, aqueles que ainda utilizam a antiga forma que consagrou o movimento modernista de 22, no Brasil e o modernismo, em época anterior, no mundo, subsistindo até nossos dias.

Escreve-se, ainda, de forma linear contando fatos seguidos e de forma separada por capítulos, atendo-se o escritor ao título do capítulo, contando por partes estanques o desenvolvimento de cada personagem na história. Uma estrutura tradicional, que vem sendo abandonada, também, em função de novas tecnologias, como os romances contados por mensagem de texto, pelo celular, muito usada no Japão e na França.

Em especial no Romance, assim como em alguns contos, são escritas histórias, atualmente, com um entremear de fatos, como em uma colcha de retalhos com unidade. Passa-se de um assunto ao outro no texto do mesmo capítulo, sem perder o fio da meada, com maestria, retomando a passagem do personagem pelo livro, em outro momento, sem abandoná-lo.

Livros como Amor em Minúscula, de Francesc Miralles, O Homem Lento de J. M. Coetzee, prêmio Nobel de Literatura, em 2003, e O Homem no Escuro, de Paul Auster são exemplos dessa nova maneira de escrever, sem falar no livro do Coetzee, posterior ao citado, traduzido como Diário de um Ano Ruim. Este livro se propõe a fazer filosofia em forma de ensaio, paralelamente, ao contar, em pé de página os fatos narrativos do romance.

Ele o faz de maneira diferente a Milan Kundera em seu A Insustentável Leveza do Ser, onde há uma separação entre o ensaio filosófico e a história contada, fazendo com que o leitor não interessado em filosofia aplicada pule essa parte. Desse modo, fica “massudo”, inconveniente até, essa intenção declarada do autor de misturar texto filosófico com o simples contar de uma história.

Isso não acontece em Coetzee, pois a parte principal do romance é o ensaio e como adendo, separadamente, no final de cada página, em fonte diferente, narra os fatos que ensejam a história, propriamente dita, do livro. São formas diferenciadas de contar uma história dentro da história no mesmo volume, que prendem a atenção do leitor que nunca sabe o que se segue no parágrafo seguinte.

Não há a previsibilidade do romance linear em que fica definido, a priori, sobre qual personagem o escritor vai falar, tornando cansativa e pesada a leitura, como acontece nos folhetins televisivos, chamados, no Brasil, de novelas. Esses exemplos são formas inovadoras de fazer literatura de ficção, buscando no talento dos escritores a mesclagem de histórias.

Na mesma história de forma seguida e inteligente, sem necessitar dos artifícios editoriais de mudança de assunto, como o distanciamento dos parágrafos ou a separação gráfica por linhas ou seqüencias de asteriscos, o escritor contemporâneo usa de seu talento para não se perder, “degringolando” a história. Mas é preciso ter talento mesmo, muito exercício, bastante estrada percorrida, para se escrever dessa nova forma.
                                 Saraiva Filho                            24/09/08

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23.9.08

AJUDA À ÁFRICA

O continente africano, quase sempre alvo de ajuda paternalista pelos países ricos, agora é objetivo de uma ajuda com sustentabilidade. Essa é a proposta do Presidente Lula anunciada no evento da ONU sobre o desenvolvimento da África.

Essa proposta brasileira está centrada em dois pontos básicos: a produção de biocombustível e a eliminação das barreiras comerciais que impedem o desenvolvimento agrícola do continente. Quanto ao biocombustível, o dilema entre a produção de alimentos e de biocombustível é falso, pois há lugar para ambos, desde que cultivados com responsabilidade e equanimidade, sem deixar que a ganância em ganhar dinheiro mais rápido suplante o abastecimento alimentar.

As barreiras comerciais não declaradas, mas existentes, necessitam para sua eliminação de uma aliança de países interessados no desenvolvimento do continente e deve ser buscado pelos próprios africanos, que são os que mais entendem de África. Há, porém, que se convir que o sistema de governo dos países africanos se baseia, em sua maior parte, em princípios tribais não consentâneos com o modo de vida contemporâneo, provocando disputas inócuas e desentendimentos bairristas, geralmente, com base em princípios religiosos.

Por outro lado, há toda uma herança colonialista, pode-se dizer recente, que enfraquece a iniciativa dos africanos, sempre habituados a esperar ajuda de fora para dentro, uma ajuda interesseira e exploradora das riquezas naturais do continente. A parceria tão desejada e requerida dos países ricos não se fará pelos caminhos tranqüilos da benevolência, com aquela visão romântica do Presidente brasileiro, mas na disputa, palmo a palmo de horizontes mais largos para os países africanos.

Essa disputa atrairá a consequente divisão de poder e perda de mercado interno dos países ricos, posição, no mínimo, desagradável para estes países. Lutas diplomáticas terão que ser travadas e se as nações africanas não se unirem em bloco político e econômico jamais conseguirão seus objetivos de desenvolvimento.

Se continuarem a contar com “ajudas” externas, permanecerão no atraso e na miséria em que vive sua população, devendo contar com governos que se unam como uma espécie de frente africana para o desenvolvimento. Somente dessa maneira, lutando sempre, conseguiram algum saldo positivo no concerto das nações no mundo, pois, realisticamente, nenhum país vai ceder parte de seu poder no mundo, para a inclusão da África como um continente economicamente independente.
                                      Saraiva Filho               23/09/08

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22.9.08

A DEMOCRATIZAÇÃO DOS BENS CULTURAIS

O termo democracia é, na maioria das vezes, usado de forma indevida, provocando uma grande confusão na sociedade, que busca direitos que não lhe pertencem ou utiliza o termo em qualquer situação que favoreça um argumento. No caso dos bens culturais, democratizar significa dar aceso e oportunidade a quase todos os integrantes de uma nação aos bens produzidos pela sociedade.

Quase todos, de vez que a maioria, por ignorância ou descaso, não se interessa pela cultura e pela arte que faz pensar, como a chamada arte erudita e a contemplação arquitetônica e existencial de museus e costumes, como os gastronômicos, de nosso povo. Haveria necessidade de uma conscientização nacional em torno dessa questão, mesmo em um país de desigualdades repugnantes.

Para tornar democrático o acesso aos bens culturais há a necessidade de uma espécie de infra-estrutura intelectual que precisa ser cultivada. Torna-se difícil entender isso, em um país de cerca de 18 milhões de analfabetos, tendo uma frágil escolaridade e toda uma carapuça de desinformação, nos mais diversos níveis sociais, principalmente no enorme interior nordestino, sem falar nos recônditos lugares do sul do país.

Além do mais, é necessário um conhecimento global da cultura ocidental e oriental, criando uma visão geral que atenda a um entendimento de processos culturais locais. Não é possível fazer o caminho inverso da cultura local para a geral, promovendo ações culturais populares e isoladas e exigir que a população tenha livre consciência de nossos bens culturais.

Há que se considerar, também, que a cultura produzida no sul, mais especificamente, no Rio Grande do Sul, espalhando-se por outros Estados sulistas, é totalmente diversa e desconhecida do resto do país, sem que essa integração tenha sido fortalecida. É um outro mundo cultural, em nome do qual são buscadas ações separatistas, há longos anos, um ideal que nunca morreu apenas se acalmou.

Abrir oportunidades para que as pessoas deste país conheçam e se integrem a seus bens culturais está quase na mesma proporção de facultar ao público o conhecimento existente na NASA sobre o Cosmos ou seus programas de conquistas, a pessoas comuns. De nada adianta se falamos para leigos que precisam ser preparados antes, na escola, em programas especiais e de outros modos, para receberem a carga de conteúdo que irão encontrar pela frente, quando tiverem o acesso devido a esses bens.

Essa preparação é indispensável para entender os ready-made de Duchamp, assim como o arroz de cuxá nordestino, em especial do Maranhão e não se sentir deslocado ou atônito, pelo desconhecimento do que se trata. Esse acesso aos bens culturais não é somente físico, através da presença das pessoas, mas requer todo um conglomerado de conhecimentos aprendidos, para não se ter que usar o dito popular “burro olhando para palácio”.
                                          Saraiva Filho                          22/09/08

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21.9.08

NOVAS DIRETRIZES PARA O JORNALISMO

 
O Ministro da Educação deseja criar uma comissão para discutir as diretrizes curriculares dos cursos de comunicação social, em especial a habilitação jornalismo, da mesma forma que já ocorreu com os cursos de Direito e Medicina. A profissão de jornalista sempre causou espécie por ter que falar de tudo e não ter estudado o jornalista nada específico, embora haja as disciplinas de diversas Editorias.

A proposta do Ministro inclui uma questão bastante polêmica que é a possibilidade de um profissional de qualquer área cursar mais dois anos de jornalismo e poder exercer a profissão. Seriam cursos de especialização em jornalismo, cujo debate, conforme o Ministro, o aprofundamento da questão, seria interessante para a melhoria do exercício profissional, de vez que seriam verificadas quais as competências que precisam ser adquiridas por um profissional de outras áreas, para que também, possam participar da mídia, como profissionais.

A reação dos jornalistas, é evidente, foi a pior possível, inclusive o Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, Sérgio Murilo Andrade diz que o debate vem em momento inoportuno de vez que o Supremo Tribunal Federal, dentro de poucas semanas, deve julgar ação que garante a regulamentação da obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. Argumentação fora de propósito, considerando que os formados em outras áreas, também, terão um diploma de jornalismo, em um curso de pós-graduação em jornalismo, não se discutindo o diploma, mas a competência para cobrir, na mídia, assuntos de seu conhecimento específico em sua área de atuação.

O mesmo presidente da federação vem com outros argumentos absurdos como: “Um advogado vai estudar cinco anos, se formar, estudar jornalismo por mais dois anos e entrar em uma redação para ganhar R$1.2 mil, subir o morro e levar tapa de bandido?”. É bastante claro que isso não vai acontecer, constatando-se que um profissional de outra área não vai ser repórter, nem vai substituir este, mas tratar do motivo da desenvoltura do bandido, no exemplo, sob a luz da Criminologia, detectando os direitos e garantias do cidadão, em função do Ordenamento Jurídico nacional, como é o caso recente das algemas.

O que existe de informação errada nos campos específicos, como o Direito, a Medicina e nas áreas científicas, desinformando o receptor dos meios midiáticos, até nas imagens é de assustar qualquer profissional. A culpa não é do jornalista que fez a matéria, mas de quem deixou passar tanta comunicação esdrúxula. Isso seria corrigido, com a aceitação como jornalistas dos próprios profissionais da área enfocada e que gostam de escrever ou fotografar e não uma simples entrevista, geralmente, cortada no lugar errado, mal interpretada pelo repórter e enviada assim mesmo para a mídia.

Não há motivo para que os jornalistas temam a sua reserva de mercado funcional, pois continuarão a existir jornalistas ganhando pouco e “levando tapas de bandidos”. Não é uma questão de troca de profissão, mas uma profissão a mais, como, hoje, fazem profissionais de outras áreas em assuntos de sua competência exclusiva, autorizados por lei, para produzir informação, sem perder tantos talentos na comunicação, mais capacitados até que muitos jornalistas.
                                      Saraiva Filho                        21/09/08

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19.9.08

TRAVESTINDO A DEMOCRACIA

Um totalitarismo externamente não escandaloso se veste de democracia na Venezuela, para perpetuar o poder do Sr. Hugo Chávez. A Human Rigths Watch – HRW, - Sentinela dos Direitos Humanos, em tradução livre – uma ONG que se ocupa da preservação dos direitos humanos no mundo, foi expulsa do país venezuelano, sob a acusação de se intrometer nos assuntos internos dessa nação.

Essa é mais uma demonstração de Hugo Chávez por sua devoção ao totalitarismo, como outras, como a que tentou tornar elegível o presidente da República por tempo indeterminado, sempre sob o comando de eleições viciadas. A ONG em questão apresentou um relatório, em um hotel em Caraça, com 267 páginas, no qual criticou o “desprezo” do Presidente Chávez por direitos fundamentais, com o título “ Uma Década de Governo Chávez: intolerância política e oportunidades perdidas para o progresso dos direitos humanos”.

Com a manifesta picaretagem que têm as ONG´s, de um modo geral, com algumas exceções, há de se convir que algumas delas prestam relevantes serviços à causa da humanidade, como é o caso da HRW, denunciando, por parte de Chávez o real desrespeito pelo princípio da separação de poderes e debilitando as instituições democráticas. Em especial, é o caso do Poder Judiciário, cooptado e neutralizado como poder independente do Executivo, fazendo com que o julgador de direitos abdicasse de seu papel de controlador da ação arbitrária do Estado.

Por outro lado, há as políticas discriminatórias para limitar o direito de expressão dos jornalistas e o direito à liberdade sindical dos trabalhadores, sem contar o fato de ter atentado contra a liberdade de expressão, objetivando mudar o controle e o conteúdo dos meios de comunicação, inclusive estatizando-os. A reação de Hugo Chávez foi a da força, expulsando os representantes da ONG e os acusando de atentar, contraditoriamente, contra a democracia.

Aliás, a palavra democracia rola na boca dos políticos como refeição sem sabor e é usada, como nesse exemplo, para qualquer finalidade, como o faz o Presidente Lula em suas assertivas inconseqüentes, manipulando o conteúdo do termo, a seu bel prazer. Como no caso Daniel Dantas, no mensalão e em várias outras ocasiões, acusou a oposição de desestabilizar as instituições democráticas, frustrando a possibilidade de serem apuradas as reais causas dos desmando do presidente e seu partido.

Tem-se a impressão de que a América Latina, por seu subdesenvolvimento, também, político, tem a sanha da ditadura, tatuagem sempre presente em momentos de crise ou não e isso só pode ser alterado pela mudança de cultura política do povo sulista, nas Américas.
                                    Saraiva Filho                       19/09/08

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18.9.08

A VIDA SOCIAL NA INTERNET

Tem-se uma sensação maior de distância entre as pessoas, contraditoriamente, ao ser usada a rede mundial de computadores, quando, na verdade, deveria existir a noção de presença, vindo daí certa compreensão de descompromisso, quando passamos a ter um relacionamento social pela internet. Seja nas redes sociais, no chat ou no msn podemos ter uma vida social, que não deve ser simplificada a ficar em frente de uma tela, lendo diálogos, mas com o envolvimento pessoal que se tem em outros meios digitais, como o telefone e o fax.

Aliás, há uma confusão muito grande entre o que se chama de virtual e o que é digital. O virtual é a criação de algo que não existe e nunca vai existir, concretamente, como as cenas de desenhos animados, os efeitos especiais dos filmes e outras situações, nas artes visuais, que não têm base na realidade.

O digital é apenas o meio pelo qual as pessoas interagem em qualquer meio eletrônico que usa essa tecnologia, pressupondo, no fato criado, a existência do ser humano atuando como agente de uma vida social. Em frente à tela do computador, há gente que proporciona um relacionamento de qualquer espécie, assim como há ao ser realizado um telefonema.

O aparente descompromisso existe nesses outros meios de comunicação, com o chamado “trote”, fato que na internet é mais difícil de usar, através do Messenger com o uso de webcam e o microfone, uma versão mais “real” dos relacionamentos através de aparelhos. O sentimento de anonimato com o uso do computador se dá com a utilização dos chats, mas, mesmo assim, há certas expressões próprias de certas pessoas, um linguajar característico que as identifica, mesmo que não se conheça o rosto, o visual dessa pessoa.

Isso acontece em função de que se passou a chamar de identidade digital, que alguns teimam em chamar de virtual, vindo essa forma de identificação desde o tempo em que só existiam cartas, mesmo que umas pessoas as escrevessem por outras. Essa facilidade de troca de identidade se dá, também ao vivo, com os seres humanos um em frente ao outro, senão seria impossível aplicar golpes ilícitos, na enorme relação de bandidagem que existe por aí.

Essa insegurança é levada para a internet e a forma de agir das pessoas é idêntica aos relacionamentos diretos entre indivíduos, como os sumiços, os golpes, a pessoas querendo se passar por outra e muitas outras formas de burlar a confiabilidade que uns têm nos outros. A internet é apenas um meio digital mais eficiente de gerar esse tipo de coisa, superando até as relações ao vivo, pelo mau uso da tecnologia, excitando as pessoas a praticarem atos ilícitos, em função da impunidade aparente que possa existir, como ocorre na vida, fora do retângulo das telas.

Sabendo distinguir o que é virtual do que é digital e tendo a consciência da presença física de outra pessoa do outro lado computador, as relações sociais na internet deixam de ter aquele caráter assustador de algo inseguro e pernicioso. Desaparece a conotação pejorativa de ser a internet um outro mundo, falso, irreal e ilusório, mas a extensão da própria vida em nossas relações sociais.
                                   Saraiva Filho                 18/09/08

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17.9.08

O BLOG DE SARAMAGO

 
O escritor, poeta, roteirista e jornalista português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, aderiu à Internet como Blogueiro eventual, no sentido de não publicar todos os dias. Essa força irresistível da rede mundial de computadores arrasta para seu bojo figuras improváveis, como José Saramago, com suas esquisitices, no estilo de sua proibição de traduzir para o português brasileiro seus livros escritos em português de Portugal.

Intitulado o Caderno de Saramago, o Blog está disponível dentro do site da Fundação Saramago e já conta com dois textos publicados pelo famoso escritor. O primeiro, do dia 15 de setembro, foi um texto resgatado de seus escritos antigos sobre Lisboa, que, segundo seu autor, é uma “carta de amor” à capital portuguesa.

Ao apresentar esse texto antigo, e na sua apresentação, diz o blogueiro Saramago: “decidi então partilhá-la” - referindo-se à carta a Lisboa – “com meus leitores e amigos, tornando-a outra vez pública, agora na página infinita de internet e com ela inaugurar o meu espaço pessoal neste blog”. No dia seguinte, (ontem) o Prêmio Nobel de literatura retorna às páginas de seu Blog, para comentar o pedido de desculpas da Igreja Anglicana a Charles Darwin, por não compreender a sua teoria evolucionista.

Escreve, então, Saramago, no português de Portugal: “Nada tenho contra os pedidos de perdão que ocorrem quase todos os dias por uma razão ou outra, a não ser pôr em dúvida a sua utilidade”. Aliás, esse escritor já declarou, também, que não irá aderir à essa nova reforma da língua portuguesa que visa a sua unificação, continuando a escrever como sempre o fez, em mais um ato de rebeldia, que beira outra esquisitice, mas, em se tratando da figura que ele representa, deve ter os seus motivos, aos 86 anos de idade.

Esse escritor terminou um novo livro, com o título de A Viagem do Elefante, que será lançado em breve em português, espanhol e catalão e um trecho da obra já está disponível no site da Fundação Saramago, www.josesaramago.org/Entrada_Fundacao.axpx, onde se encontra, também, hospedado o mencionado Blog do autor.

Não há como resistir à página fixada na tela dos computadores, sendo essa a nova e promissora forma de leitura, já instalada na mente das pessoas, mesmo daquelas que não foram criadas na época da informática, quanto mais dos que, desde os primeiros anos de vida, já lidam com os computadores. É uma realidade irreversível, tanto que uma pesquisa do Jornal Globo On-line sobre quem lê mais na tela ou no papel demonstrou no resultado verificado até hoje que 63,89% lêem mais na tela e apenas 36,11%, no papel.

Essa preferência do leitor está fazendo com que escritores do porte de José Saramago e alguns outros comecem a aceitar essa inovadora e já estável forma de publicar, não só literatura, mas uma gama de artes e outros conteúdos, estabelecendo a relação que está ocorrendo entre as gravadoras, os artistas da música e a internet. Inclusive a cobrança de direito autoral fica mais fácil, se utilizado o mecanismo espanhol de cobrar esse direito na compra dos aparelhos que utilizam direta ou indiretamente a internet, o “cammon digital”.
                                           Saraiva Filho                  17/09/08

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15.9.08

NOVA DROGA NA PRAÇA OU NA RAVE

Importada da Europa, mais especificamente, da Holanda, como remédio antidepressivo a mCPP, uma droga que tem efeitos semelhantes, mas piores, do que o ecstasy, vem sendo vendida a R$60,00 ou mais a cápsula entre a classe média e alta no Rio de Janeiro. Não irá demorar que receba um nome curto e popular, tipo a eme e se disseminar em formas “genéricas”, em todas as classes sociais.

As primeiras investigações sobre a chegada do entorpecente, usado em larga escala no Estado do Rio de Janeiro, dão conta que se trata de uma pílula com a aparência do ecstasy e foram iniciadas há seis meses pela Policial Federal de Volta Redonda, no sul Fluminense. Foi montada a Operação Deserto – uma alusão aos usuários que ficam com sede exagerada – que prendeu seis suspeitos, com cerca de mil comprimidos, a maior apreensão do país.

Uma jovem identificada apenas por X-18, que foi detida por aparecer nos “grampos”, disse que apenas conhece os integrantes da quadrilha e que nunca usou mCPP e foi arrolada como testemunha da PF. Afirmou a jovem que “ … os efeitos são muito loucos. Em festas rave, vi mulheres ficarem nuas, gente alucinada, tendo convulsões. Há apostas para ver quem fica mais ‘doidão’. Muitos passam mal”, assegurou a jovem, que diz ter ficado aterrorizada com os efeitos do uso da droga.

A preocupação é tão grande com o mCPP que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA aguarda pedido formal da Polícia Federal, para incluí-los na lista de produtos proibidos. Segundo especialistas, a substâncias pertence à classe das piperazinas e, como o ecstasy, a primeira sensação é de elevação de humor e bem-estar.

“Mas as reações são muito piores: de intensa dor de cabeça até ataques de pânico e confusão mental. Misturado ao álcool ou cocaína, pode ser fatal”, alerta Maria Thereza de Aquino, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Atenção ao uso de Drogas – Nepad/Uerj. Disse ela, ainda, que a sensação de bom humor é tão forte que essa droga é usada como princípio ativo de medicamentos para sedar esquizofrênicos em crise.

Diante dessa constatação de uma Instituição Universitária, a ANVISA, ainda, precisa de “pedido formal” da Polícia Federal, para, burocraticamente, incluir esse produto entre os proibidos sem acompanhamento médico, enquanto, lá fora, seu uso indiscriminado se alastra devastadoramente sobre pessoas jovens e suas famílias. São por essas e outras que o Brasil é considerado o 3º maior consumidor de drogas sintéticas do mundo, conforme relatório divulgado pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crimes, motivo mais que suficiente para uma ação mais rápida no combate dessa e outras substâncias alucinógenas sintéticas.

A divulgação desta espécie de alerta serve pra que haja um diálogo no seio das famílias, esclarecendo os jovens sobre os malefícios de drogas como essa, havendo um acompanhamento da forma desses jovens se comportarem.
                                       Saraiva Filho             15/09/08

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14.9.08

TENSÃO NA BOLÍVIA

A expulsão da Bolívia e da Venezuela dos embaixadores dos Estados Unidos foi o ápice da tensão interna entre oposição e governo bolivianos, pela disputa da independência dos Estados integrantes dessa nação, de vez que lá é um Estado Unitário com departamentos, que querem se transformar em Estados-Membros, formando um Estado Federado, como é o caso do Brasil. Para isso, é preciso independência e autonomia definidas na Constituição, luta que vem sendo empreendida, principalmente, nos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Pando e Beni.

Acusado pelo presidente Evo Morales de fomentar essa reforma, o embaixador dos Estados Unidos foi expulso do país e, em “solidariedade”, o anti-americano Hugo Chávez, também, expulsou o embaixador estadunidense da Venezuela. Em contrapartida, os Estados Unidos expulsaram os embaixadores da Bolívia e da Venezuela, além daquela potencia mundial ter cortado a ajuda financeira que vinha sendo dada à Bolívia.

A tensão interna na Bolívia vem crescendo, com quebra-quebras, saques, tumultos de rua, corte no fornecimento de gás ao Brasil e invasão de unidades de petróleo e, por fim, a expulsão de venezuelanos e cubanos do território boliviano, feita pela oposição ao governo central. O apoio internacional está dividido entre os que estão do lado do presidente boliviano, como a união européia, na figura de seu presidente rotativo atual o Presidente francês Nicolas Sarkosy, que deseja extinguir os conflitos e a Presidente da União de Nações Sul Americanas – UNASUL, Michelle Bachelet, que quer analisar a crise política na Bolívia, para “a adoção de uma atitude positiva, construtiva que permita aproximar as partes e apoiar os esforços do governo e do povo boliviano , em prol de seu sucesso democrático, da estabilidade e paz”, disse Bachelet, sem tomar partido.

O Brasil nessa confusão quer saber de seu fornecimento de gás, pouco se importando com o desfecho da situação, em uma atitude anti-liderança, contrariando o papel que sempre exerceu, em relação aos países da América do Sul. Sem cacife político para tomar uma atitude mais efetiva e construtiva no conflito e com o desamparo pela incompetência em política externa, fica de fora, embora seja bastante interessado, economicamente, nos desdobramentos da crise, empolgado que está pelo pré-sal das costas brasileiras.

Essa atitude, visivelmente, esquerdista, centralizadora e totalitária da Bolívia e da Venezuela, acompanhada de perto pelo Equador não combina com o posicionamento da Argentina, Brasil, Chile, Peru e Colômbia pró Estados Unidos, gerando um desconforto interno na região. O extremismo venezuelano não olha pra dentro de sua própria casa, com um governo populista, desejando ser totalitário, apenas quer liderar os demais países da América do Sul, sem ter a diplomacia para isso, agindo na força e nos joguinhos duplos, com o fez no caso das FARC, ativando cada vez mais as mazelas da Bolívia.
                                           Saraiva Filho                14/09/08

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