13.8.08
A CARGA PESADA DAS OLIMPÍADAS
Há eventos mundiais de grandiosidade idêntica ou talvez maior, como a Copa do Mundo, para ficar no terreno dos esportes, que não absorvem a mídia, como está acontecendo com as Olimpíadas de Pequim. Apenas dois fatos têm a cobertura dos meios de comunicação de massa: as próprias Olimpíadas e a Guerra da Rússia com a Geórgia, por causa de uma província inexpressiva aos olhos do mundo, a Ossétia do Sul, que quer a sua independência da Geórgia.
As Olimpíadas tem maior carga de cobertura, asfixiando as pessoas com os mínimos detalhes da vida dos competidores e dos jogos, chegando a uma intensidade tamanha que causa náusea. Enquanto isso, o mundo está à beira de uma nova guerra entre os países da Geórgia e da Rússia, necessitando da intervenção segura do Presidente Francês, Nicolas Sarkozy, na condição de Presidente Rotativo da União Européia.
Os Estados Unidos tentaram intervir no conflito, mas não têm mais a força de sua presença, com a fragilidade que apresentam em sua credibilidade, embora sejam uma potência armamentista que poderia fazer frente à Rússia. Com a presença de Sarkozy na região, foi conseguido um acordo paz que determina a renúncia do uso da força, o fim definitivo de todas as ações militares e o livre acesso às ações humanitárias, além do retorno das Forças Armadas da Geórgia a suas posições habituais.
Com o movimento separatista da Ossétia do Sul, a Geórgia enviou tropas para o local e a Rússia não quis permitir isso, bombardeando a Geórgia, podendo gerar até uma terceira guerra mundial, de vez que a União Européia ameaçou a Rússia com retaliações, até que se chegou a esse acordo costurado por Sarkozy. Agora, é acreditar que esse acordo seja para valer e que não continue a destruição devastadora da região, com um número de mortes elevado, além das seqüelas materiais sofridos pelo povo bombardeado da capital da Geórgia e da própria Ossétia do Sul.
E, ao largo disso e dos problemas brasileiros com a corrupção, com o biocombustível e sua posição internacional, além de outros problemas mais graves, a Televisão como mídia mais abrangente em termos de audiência, é só passando jogos, entrevistas com jogadores e aqueles detalhes sem importância, como Marta indo para um hotel, em vez de ficar na vila olímpica. É uma miudeza sem fim, enquanto sérios problemas rondam o mundo, podendo nos levar a uma catástrofe maior.
É certo que as Olimpíadas constituem um fato importante, também, para a humanidade, principalmente, ocorrendo na exótica China, mas, por isso, ser o prato principal do banquete da mídia, é demais! Essa nova forma de fazer jornalismo centrando somente em um fato, como foi o caso da morte da menina Isabella, torna-se, altamente prejudicial ao cidadão, que tem uma visão encurtada do mundo.
Não se agüenta mais Olimpíada na mídia, com aquelas minúcias desagradáveis e horas e horas de jogos televisionados, em detrimento de notícias mais importantes para o desenvolvimento mundial. Os políticos gostam disso, de vez que ficam soltos para fazerem o que bem entender, sem a pressão da imprensa, que deixa de cumprir sua função primordial que é de denunciar a má administração e os escândalos na vida pública.
Saraiva Filho 13/08/08
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