LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

12.8.08

A PAZ COMO DIREITO

Ao ser catalogada a paz como um direito, igual aos direitos fundamentais dos homens é não ter noção do conceito de paz. A paz não significando quietude, acomodação e levar uma vida tranqüila sem conflitos é uma utopia sem propósito, na medida em que esse estado de coisas não pode existir.

A sociedade é formada por vários segmentos sociais, mesmo no socialismo ou no pretenso comunismo, quanto mais no capitalismo. Esses segmentos sociais, que formam classes sociais, podendo haver dentro de uma classe muitos segmentos, como na classe média, por exemplo, não possuem um sentimento de classe e não agem como classe, a não ser nas questões muito fundamentais para o homem.

Não havendo essa agregação por classe ou segmento social – entenda-se seguimento como parcelas diferenciadas de pessoas, costumes, idéias, etc. – é inevitável que haja conflitos entre eles, quebrando aquele conceito tradicional e inverídico de harmonia. Podem ocorrer momentos sem hostilidades, mas elas estão latentes, podendo se manifestar a qualquer momento.

Essa idéia de harmonia e conseqüente paz vem do ideal religioso de perfeição, que se deseja aplicar às relações sociais. Não pode haver essa perfeição, que se atribui a um ser superior, nas relações internas e externas entre classes sociais, pois, do contrário não haveria mudança sociais.

A mudança, a ruptura, como ocorreu, na história mais recente com a Revolução Francesa, com a sociedade industrial e no pós-industrialismo, este contemporâneo com a informática e as tecnologias de informação e comunicação, só existem por causa dos conflitos sociais. Temos como exemplo a corrida espacial que derivou de uma disputa na guerra fria e que ocasionou uma mudança radical e invisível na vida das pessoas, fazendo surgir, inclusive a própria informática, como a conhecemos hoje.

Foram os conflitos sociais que tornaram independentes as ex-colônias africanas e estão sendo eles que estão gerando uma nova forma de sociedade, com as questões de imigração nos países ex-colonizadores. Esses são apenas alguns exemplos de que a mudança ou a ruptura – algo mais forte e irreversível – é a mola propulsora do desenvolvimento social, mesmo na sua versão mais grotesca que é guerra.

Não há avanço social naquilo que nunca existiu, a sonhada harmonia, não podendo haver mudanças nessa tranqüilidade que se persegue. A agitação, o confronto cria um terceiro gênero, que vem a ser adotado como forma de vida social, através da alteração de parâmetros que dantes não se cogitava.

Não se trata da apologia da guerra ou do conflito social, pois eles existem, bastando existir duas pessoas, mas de verificar que a ordem social não se modifica dentro da ordem estabelecida. Verifica-se a mudança, quando saímos dessa ordem e buscamos uma alternativa, por isso a democracia é totalitária, no sentido que só permitir mudança na ordem, com as regras da própria ordem.
                                                  Saraiva Filho                     12/08/08

criado por SARAIVA FILHO    7:47 — Arquivado em: Sem categoria

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