LiberdadeDaPalavra

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8.8.08

UM MUSEU ESDRÚXULO

 
Pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa brasileiros planejam um modelo “inovador” de museu “vivo”, o Museu da Amazônia – Musa, que será instalado em uma área de 15 quilômetros quadrados. Permitirá ao visitante passear, internamente, pela floresta e observar plantas e animais, contribuindo para a conservação da biodiversidade ecológica e cultural da região.

Essa iniciativa da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Amazonas e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas - FAPEAM tem por objetivo maior sediar pesquisas na Amazônia e já tem endereço certo. Sua entrada será feita pelo rio, no lago do Puraquequara , na zona leste da cidade, sendo que do rio até reserva Duke será construído o MUSA, que perseguirá a idéia de um espaço de encontro, não de subordinação, entre o conhecimento tradicional e o científico-acadêmico.
É, realmente, um museu diferente e bastante estranho, na medida em que haverá animais, como insetos, vagando pelo museu e será construído um grande aquário, para a manutenção de espécies de animais aquáticos da Amazônia. Esse aquário ficará próximo ao rio e a sua água passará por um processo de filtragem, para garantir a visibilidade aos visitantes.

O coordenador-geral do projeto, Ennio Candotti, promoveu, recentemente, um workshop de três dias em Manaus, com cerca de 50 representantes de instituições de ensino e pesquisa e representantes de museus que puderam trocar idéias com um dos maiores especialistas em museus de ciência, Jorge Wagensberg, presidente do Museu de Barcelona. A respeito dessa pessoa, Candotti disse que ele tem uma enorme experiência em museus inovadores e nós precisamos de pessoas que não se espantem com novos desafios, como mostrar a floresta ao vivo.

Já Wagensberg, que dirige atualmente um museu em Puntas Arenas, no extremo sul do Chile, usa câmeras e sensores de áudio para monitorar a vida aquática, principalmente, de baleias e pingüins, onde imagens e sons são apresentados aos visitantes em salas especiais. A mesma experiência do uso de tecnologias de informação e comunicação será desenvolvida no MUSA, com a proposta de instalar equipamentos eletrônicos em diversos ambientes da floresta para captar os sons e imagens de insetos e animais e disponibilizar esse material, em tempo real, na internet e em ambientes de visitação, no próprio museu.

Sabe-se que museus servem para conservar, expor e manter trabalhos artísticos e científicos ou obras da natureza que são únicos e não existem em outra parte do planeta, interagindo com o público. A Amazônia vai desaparecer, para ser preservada dessa forma? A sua conservação, como obra da natureza, depende de um museu, ou seria um centro de estudos ecológicos e ambientais?

Respondidas essas perguntas, quer-se mostrar em museu o que já e ainda existe na natureza, a não ser que se parta do pressuposto de que a Amazônia vai se extinguindo aos poucos e é necessário preservar esse patrimônio que foi da humanidade. Mostrar a Amazônia em tempo real, ao vivo, para visitantes, por meios eletrônicos, poderia ser a estratégia de afugentar estrangeiros de levarem o precioso material dessa enorme floresta.

Deve-se convir, porém, que a floresta está aí, pronta para o acesso de qualquer um, desde que se consiga um bom guia, mesmo a peso de dólar ou de euro. É muito esdrúxula essa idéia de museu da Amazônia, de vez que se torna, totalmente, diferente mostrar baleias e pingüins, de difícil acesso e a fauna e a flora amazônica, delineando-se bem a distância do que é inovação, do que é besteirol.
                                           Saraiva Filho                        08/08/08

criado por SARAIVA FILHO    4:34 — Arquivado em: Sem categoria

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