3.8.08
MORRE UM GUERREIRO DAS TECLAS
Morreu ontem, no final da tarde, horário de Brasília, o escritor Alexander Solzhenitsyn, aos 89 anos de idade, segundo informação do seu filho, Stenpan, à agência de notícias russa Itar-Tass. O escritor teve o seu reconhecimento mundial ao revelar as atrocidades dos campos de concentração dos prisioneiros políticos, que freqüentou, principalmente, através dos livros “O Arquipélago de Gulag” e ”O Primeiro Círculo”. Foi o prêmio Nobel de Literatura em 1970 e teve sua expulsão da, então, URSS, passando a viver na Alemanha, na Suíça e depois nos Estados Unidos.
Retornou já ao Estado da Rússia, em 1994, quando já estava extinta a União Soviética e passou a viver lá. Em 2007, o escritor recebeu o Prêmio de Estado russo, do então Presidente Valdimir Putin e afirmou que “Ao final de minha vida, espero que o material histórico (…) que recolhi entre na consciência de meus compatriotas”, completando com uma espécie de adendo: “Nossa amarga experiência nacional contribuirá, no caso de novas condições sociais instáveis, para nos prevenir contra outros fracassos”.
Foi uma vida e todo um trabalho dedicado em nome da liberdade, quando fez da literatura seu instrumento de luta, da espada, as teclas, como um guerreiro samurai, a serviço de uma vida sem opressão e medo. Muitos encaram a literatura como algo fútil, um simples entretenimento, mais uma história contada, mas, além dessa função, há outras, com toda uma carga de alerta, de entendimento e compreensão de fatos que alteram as nossas vidas, de forma substancial.
A literatura de Solzhenitsyn teve e tem a sua missão esclarecedora que abalou o mundo da guerra fria, com o escândalo do desrespeito aos Direitos Humanos, produzindo um dos insumos básicos da essência do desfacelamento da ex-União Soviética, a partir da queda do muro de Berlin, em 1989. Esse escritor terá sempre a sua lembrança ligada à catástrofe que foram os campos de concentração russos, tolhendo a liberdade de quem se opunha contra o sistema perverso de um falso comunismo, principalmente, os intelectuais não alinhados e, acima de tudo, o papel de um defensor do direito de liberdade.
Saraiva Filho 04/08/08
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