LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

20.7.08

O FIM DE UM REINADO
A morte de Dercy Gonçalves, ontem, dia 19/07, não foi propriamente o fim de um reinado que durou mais de oitenta anos de existência. Ficou na lembrança de todos não só a irreverência para a época, mas a forma guerreira de lutar por sua carreira, inclusive usando o que chocava na época, que era a pornografia verbal.

Hoje, essa fórmula pertence a um passado que a cada dia se distancia e, por isso, não surte mais o mesmo o efeito da época em que ela usava e abusava desse expediente matreiro, Já não são mais censurados os palavrões e as frases pornográficas que usava e eram cobertas por um ruído pelas estações de TV. Lia-se apenas em seus lábios o que era dito e provocava muitas gargalhadas dos telespectadores, porque eram usadas no time certo da piada, de forma inesperada e nada sutil.

Eram mais que as insinuações de Zé Trindade, no cinema brasileiro, dos filmes da Atlântida, por serem diretas e contundentes naquele moralismo em que se pensava que só a TV entrava nos lares católicos e suas tiradas iriam compuscar a tradicional família brasileira do anos 50 a 70. Essa fase se esgotou e a juventude mesmo tratou de, além das gírias modernas, trazer para dentro de casa os palavrões, ditos, abertamente, sem qualquer censura dos pais.

Novos tempos se instalaram, com a internet mais presente que a TV, embutindo toda uma pornografia em vídeo e não mais apenas verbal. A Dercy de seus chistes “inconvenientes” ficou na sua própria casa, embora continuasse trabalhando até a morte e com projetos futuros de um show aos 101 anos de idade.

Deixou saudade por seu modo, sem modos, de ser, pela sua ousadia, pelas lutas que travou para ser alguém na vida e conseguir um lugar ao Sol, às custas de ser diferente dos padrões convencionais, sempre inovando e surpreendendo, até que os novos tempos a engoliram, na sua idade provecta. Seus sofrimentos pessoais, inventados ou não, a respeito de sua vida sexual e de seus maridos, foram, por muito tempo, a bucha de suas entrevistas e dos textos de seus shows.

Deixa saudade, mas uma saudade bem nostálgica, mais do que as saudades comuns, não, propriamente por sua genialidade, mas pelo toque inesperado que dava a suas apresentações, que foram consumidas pelo tempo. Chegou ao ponto de não ter mais graça as suas tiradas, pela fórmula desgastada do formato de seus programas na TV, mas, mesmo assim, lutou, enquanto pôde, para se manter ao nível do mar do sucesso.

Deixou, sem dúvida, um trabalho com certo mérito, sem os espalhafatos dos grandes mestres, mas também sem o nível medíocre do tantos outros. Soube se destacar, enquanto estrela do pornô verbal. Apenas não teve a maturidade, com a idade que tinha, de se retirar de cena no momento certo, o auge de sua carreira. Apenas foi comediante, já às avessas, durante o tempo que deu para se manter trabalhando, quase destruindo o patrimônio cultural e de entretenimento que construíra.
                                     Saraiva Filho                             20/07/08

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18.7.08

MAIS UM BLOCO DE PAÍSES

Neste novo milênio, tomou força a idéia de formar Blocos de Países, como a União Européia, a União Sul Americana e a União dos países da América do Norte, surgindo agora a União Pelo Mediterrâneo – UPM. Esta entidade reúne 43 países da Europa, do norte da África e do Oriente Médio, sendo esse fato uma iniciativa do Presidente Nicolas Sarcozy, da França, a quem cabe a presidência da União Européia , neste biênio 2008 – 2009.

Reunida a cúpula dessa União, em Paris, no último domingo – 13-07 - onde se fez o lançamento da UPM, ficaram definidos seus objetivos, que consistem em incrementar a cooperação entre os países integrantes e encontrar soluções para questões como imigração e poluição. É evidente que outros interesses estão em jogo, precipuamente, a convivência pacífica entre esses países, que é bastante tumultuada e, estando em Bloco, ficará mais fácil resolver questões ligadas a litígios por terras e petróleo, além de unificar a posição de facções religiosas.

Para a sua própria formação, já existem bastante divergências, como a posição da Líbia que se recusa em participar dessa instituição, alegando que o novo bloco é um plano para enfraquecer a unidade árabe e africana. Por outro lado, dentro da própria União Européia que apadrinha essa União, também, há divergências, como é o caso da Alemanha e outros países que rejeitam o novo bloco, vendo como uma ameaça para a própria União Européia, além de interferir no lado comercial com essa união de países que têm o petróleo nas mãos.

Apenas os países com filosofia pragmática receberam bem a iniciativa, como o Egito e Marrocos, que a encaram como uma oportunidade para atrair investimentos estrangeiros, criando empregos para milhões de desempregados em seus territórios. A Turquia, que pretende entrar na União Européia, teme por sua intenção e que o novo bloco acabe prejudicando esse desejo, de vez que, pela sua posição geográfica, deveria integrar a UPM.

Desse modo, cada país defende seus interesses como nação, não estando imbuídos de um objetivo comum, podendo, com isso, levar ao fracasso essa idéia de Sarcozy de criar uma região que estivesse em uma posição mais pacífica, para serem negociadas grandes questões de interesse europeu. Essa parte do mundo que pretende se reunir em Bloco tem inimizades históricas como o caso de Israel e os países árabes, que estando integrados nessa União, terem de se reconhecerem, mutuamente, com Estados, enquanto o Israel ainda ocupa terras palestinas, o que tornaria impossível sentarem-se à mesma mesa de negociações, mesmo para discutir outros temas.

Há, também, o problema de os países árabes não respeitares os direitos os direitos humanos e a nova União não obrigará governos árabes a introduzir reformas democráticas genuínas ou melhorar seu desempenho no tratamento dos próprios diretos humanos em geral e, em especial, com as mulheres. Pelo que pode ser observado, não há muita chance dessa UPM ser, efetivamente, um Bloco de Países, com interesses e objetivos comuns, formando uma força aliada em seu próprio benefício, dadas as divergências internas profundas, envolvendo a questão religiosa e o litígio por terras.
                                        Saraiva Filho                       18/07/08

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17.7.08

A LEI SECA É ABUSIVA?

Quando há uma blitz e o motorista é parado na via pública, sendo-lhe pedidos os documentos pessoais e os do veículo ou para que ele saia do carro e há uma negativa por parte da pessoa abordada em atender à autoridade policial de trânsito, podendo, também, evadir-se do local, há crime? Obviamente,ele será perseguido e preso, se evadiu-se, e se não quis mostrar os documentos será detido, no mínimo por desacato à autoridade.

Mas, quando lhe é pedido que sopre no bafômetro há a alegação de que está produzindo prova contra si, sendo desrespeitados seus direitos constitucionais, o que não corresponde à realidade, de vez que ocorre o mesmo fato dos exemplos acima e deve, também, ser preso e levado a um Instituto de Criminalística, para fazer um exame de sangue. Por esse meio será verificado se está cometendo o crime de dirigir embriagado, mesmo se não estiver agindo com direção perigosa, mas tenha hálito de bebida alcoólica ou se conduza de forma nítida como um embriagado.

Em todos os casos o motorista agride a lei e deve ser preso. Essa verificação nada mais é do que uma forma de investigação, para que se possa confirmar ou não se está praticando o crime de tentativa de homicídio ou de lesão corporal, ao dirigir bêbado. É um procedimento investigatório que não constrange o cidadão, apenas se obtém indício de prática de crime, como em qualquer outro caso de desconfiança de prática de crime.

Negar-se à esse procedimento, para não produzir provas contra si, é como negar-se a fazer exame de corpo de delito, verificando-se seu DNA, em qualquer outro tipo de suposto delito, em que essa prova seja determinante de prática criminosa. Corresponde a uma espécie de confissão tácita de que um desvio legal de conduta foi executado e a pessoa quer se eximir de colaborar com a Justiça, o que é outro crime.

Os bebuns de plantão, habituados a sair de locais festivos e de bares, com o discernimento comprometido pelo álcool, certamente irão procurar uma brecha na lei, para não serem punidos com multa e prisão e a serem julgados como praticantes de espécies de crime contra a vida. Haverá sempre um advogado disposto a interceder por eles, com alegações estapafúrdias, indo até buscar na Constituição argumentos para resolver o problema.

Aliás, problema fácil de resolver, com o motorista “anjo”, o colega ou amigo que fica sem beber para conduzir os demais bêbados à suas residências ou, simplesmente, tomando um taxi, para voltar para casa. O que não deve e não pode acontecer é expor vidas de inocentes a caprichos etílicos, mesmo daqueles que saem escondidos de suas mulheres, para encontrar outras e tomam uma bebidas durante as preliminares desse tipo desses encontros.

O que o cidadão, as autoridades e governo, como órgão fiscalizador, têm que estar atentos são aos abusos cometidos pelas autoridades de trânsito, que podem fingir um “flagrante” que não existe, para alimentar a indústria da propina ou até “aliviar” o procedimento legal, quando está presente a prática do crime. Mas não se deve conduzir a inibição de crimes por possíveis abusos na sua investigação, bastando, para isso, o enorme número de “colarinhos brancos” que se safam de suas práticas criminosas, por terem acesso e ascendência moral sobre as autoridades de alto escalão.
                                       Saraiva Filho                         17/07/08

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16.7.08

UM TEMPO DE SEDE DE NOVIDADES

 
É preciso ser outro. O antigo não vale mais, é démodé, antiquado e há sempre na pauta da vida o novo. Cada vez mais o novo. Com essa concepção consumista desenfreada nada resiste a um pouco de tempo e o pior: o anterior vai para o lixo, não se guarda nada, como se não houvesse História, nem história a ser contada, porque não há o que apresentar como tal.

O passado é morto com as pauladas do tempo e tratado e enterrado como contagioso. Ser antigo, para as coisas, passa a não ter valor e, para as pessoas, é motivo de desonra, não havendo qualquer respeito com a experiência e a sabedoria adquiridas com lutas em tempos passados, mas que podem ser adaptadas ao presente.

Consomem-se as coisas, as pessoas e as idéias em um profundo desrespeito ao que representaram em sua época e que têm valor na vida atual, como exemplo de vida a ser seguido. Mas isso não acontece na avidez pelo que tem aparência de novo, porque se desconhece o passado e pelo desconhecimento em saber que fatos da vida do homem se repetem, na intransigente repetição de coisas de uma geração passada.

E a ironia está em que, a todo momento, esse novo que se apresenta é o repaginado do passado, com as mesmas reações a mudanças, principalmente, agora com essa radical alteração na vida das pessoas com a introdução de novidades tecnológicas e uma diferente maneira de pensar a vida, diante da possibilidade de extinção do planeta. Esse dois pilares dos tempos modernos, causam conseqüências profundas no modo de ser das pessoas e não têm o sabor do novo pelo novo, como uma moda passageira de fácil degustação.

Essa mudança no modo de ser, na forma de agir, na forma de encarar o mundo é, realmente, o novo, são as novidades que vieram para ficar e não apenas algo passageiro, descartável e sem valor. Houve uma ruptura, a partir dos anos 90, do século XX, no modo de encarar a vida e isso se reflete em todos os aspectos da existência humana, até no consumismo dos shopping centers.

O cuidado com o ambiente, com a matriz energética que se usa, com o mau uso da tecnologia que se inventa, com a alteração lenta da antropologia do homem é mais uma razão para se preservar o passado, mas um passado positivo, de glórias e prosperidade, de vez que as derrotas anteriores serão diferentes das de agora. O homem erra com novos instrumentos à sua disposição, com novos desafios e problemas, embora nem sempre se aprenda com os erros e continue a persistir uma mentalidade tacanha que emperra o desenvolvimento.

Há, portanto, o novo fútil, irresponsável, como o atrelado ao modismo e um novo consistente, de profundas transformações na sociedade, que, efetivamente, interfere na vida das pessoas. Este novo é respaldado no passado, a não ser que haja, com substância, uma transformação de base, como é o caso de novas tecnologias, que mexem na comunicação e na informação e, por conseqüência, com a ciência e toda a vida das pessoas.
                                 Saraiva Filho                             16/07/08

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14.7.08

POLÍTICA DE IMIGRAÇÃO EUROPÉIA

A aldeia global ficou no âmbito econômico e no da tecnologia da comunicação e informação, através da informática. O lado social ao vivo, presencial, vem se atrofiando com a política de imigração da União Européia, ocasionando prisão de até 18 meses aos ilegais e, com isso, fecha suas fronteiras não apenas mais aos ilegais, mas aos turistas. Essa medida tomada agora pela Grã-Bretanha afetará os brasileiros e mais outros dez países fora desse bloco europeu, tendo como justificativa a primeira Revisão Global de Vistos, realizada por esse reino.
A alegação para a medida reside na utilização de vários critérios que determinam o “risco” que impõem à Grã-Bretanha, como o uso de passaporte falso, número de deportados barrados nas fronteiras, trabalhadores ilegais, índice de criminalidade, ameaça de terrorismo e formas como os governos dos respectivos países estão lidando com estas questões. Na lista dos países que necessitarão de Vistos, o Brasil está “bem acompanhado” com a Bolívia, Botsuana, Lesoto, Malásia, Maurício, Namíbia, África dos Sul, Suazilândia, Trinidad e Tobago e Venezuela.

Atualmente, um acordo entre a Grã-Bretanha e o Brasil permite que brasileiros permaneçam nesse país sem Visto, durante 90 dias, com exceção para os estudantes ou pessoas que viajam a trabalho, que precisam de visto para entrar no país. Há uma promessa do governo britânico de estreitar relações com os países listados, nos próximos seis meses, para reduzir o “risco” que eles representam e, se esses países forem capazes de demonstrar evidências de que estão atuando para evitar imigração ilegal de seus cidadãos à Grã-Bretanha, não haverá necessidade do regime de vistos, sendo que nenhuma decisão final será tomada até o início de 2009.

Apesar do respeito à soberania de cada país, não se concebe a idiossincrasia dos governantes europeus, em especial os britânicos e os espanhóis, com pessoas que usam o expediente de imigração ilegal, como forma de reter cidadãos de outros países em função da burocracia da própria imigração de ex-colonizados. Estes, usados no passado, na exploração de riquezas de seu próprio país, para a Grã-Bretanha, agora são impedidos de entrar no reino que os explorou, deixando aqueles países em situação de caos político, econômico e social.

Outro país que está tentando impedir a imigração, de forma ostensiva, é a Espanha, que mais tem recebido pessoas de fora de continente e as medidas de contenção estão em consonância com a preocupação de diversos países europeus com o problema da imigração. O temor maior é que o nível de bem-estar social dos países desse continente caia, como vem caindo o seu PIB e ele se torne um conjunto de nações de terceiro mundo, com os mesmos problemas de criminalidade, falta de crescimento econômico e miséria de seus habitantes, como acontece no terceiro mundo.

Aliás, na França essa situação já vem se agravando nos subúrbios de Paris, com um elevado nível de criminalidade e isso sem falar na concorrência por espaço no mercado de trabalho e outros problemas bem mais graves. A nova lei da União Européia sobre imigração é bem dura com os ilegais e mesmo com os que podem legalizar sua situação no continente, que , ainda, é um paraíso inigualável no mundo, juntando bem-estar social, com cultura secular e nível de vida elevado.
                                       Saraiva Filho                      14/07/08

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11.7.08

E OS PAÍSES RICOS SÓ EXIGEM…

É interessante sempre frisar que o biocombustível de cana-de-açúcar é, hoje em dia, mais do que uma alternativa ecológica, mas uma adoção de matriz energética que preserva o meio ambiente e não aumenta o preço dos alimentos. Esse aumento vem acontecendo, na esteira do mercado internacional, com o milho, o arroz, o feijão e o trigo, pra falar apenas os casos mais gritantes, além do que, pelo menos a curto e médio prazo, nosso biocombustível não está afetando o uso da terra, segundo relatórios técnicos sobre o assunto.

Há, apesar disso, uma contradição por parte dos chamados países ricos sobre a utilização do biocombustível de cana, como matriz energética, enquanto os emergentes e os países do terceiro mundo são, praticamente, obrigados a importar o lixo produzido por esse grupo privilegiado. Sem poder fazer uma exigência sobre a poluição que produzem na sua fabricação, nem poder falar das “condições de gado conduzido” dos operários das suas fábricas, os ricos no fazem engolir seus produtos, como, por exemplo, o Windows Vista, porque lhes é tirado o drive do windows XP, uma opção mais barata e prática, tudo em nome do avanço tecnológico.

Como esse, somos obrigados a usar muitos outros produtos industrializados que poluem e são montados sobre o caríssimo petróleo, sem ter vez nem voto, no grupo do G-8. Na recente reunião desse grupo, no Japão, foi fechado um acordo ridículo para reduzir a emissão de gases nocivos à atmosfera em 50% do total emitido, até 2050, quando até lá o planeta já estará bastante afetado e destruído e a maioria dos governantes atuais já desapareceu.

Isso sem contar que os verdadeiros poluidores ainda exigem que a Índia e a China se junte ao esforço global contra o aquecimento. Em vez de tomarem suas providências em casa, têm a desfaçatez de exigir providência “na casa” dos outros. Agora mesmo, a Grã-bretanha vai desacelerar o uso do biocombustível, com a cansativa desculpa esfarrapada de que o produto pode causar aumento nos preços dos alimentos e prejudicar o meio ambiente, segundo a Sra. Ruth Kelly, ministra dos transportes britânica.

Foi emitido um relatório de uma equipe de “especialistas”, liderada pelo chefe da Agência de Combustíveis Renováveis, que analisou o impacto da política de energia no uso da terra, exigências… E fazem mais exigências, como se fossem árbitros do mundo, diante de uma realidade que não permite muita “firula”, mas objetividade, quando geleiras no pólo antártico estão derretendo em pleno inverno, naquela região importante para o ecossistema.

Nas áreas dos países emergentes e nos do terceiro mundo, não há problemas no uso da terra, diante do menor continente que existe, o europeu. Há terras, matas e florestas de sobra, como na África e no Brasil, apesar do desmatamento indiscriminado, fácil de se combater com medidas de fixação do homem à floresta, dando-lhes autonomia, crédito e autoridade para serem senhores de suas terras concedidas pelo Estado, por meio de seu governo e devidamente fiscalizadas, sem necessidade de ação policialesca.

Basta que por lá as instituições funcionem e não sejam tratadas com descaso, como terra de ninguém, em uma versão tupiniquim do velho oeste norte americano. É lamentável a postura do desses países ricos, exigindo de outros menos favorecidos, o que não podem cumprir nos seus próprios. A Grã-Bretânia, por motivos outros, inconfessáveis, é mais um exemplo da titubeante posição dos ricos, diante de proposta de energia tão promissora.
                                      Saraiva Filho                   11/07/08

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9.7.08

CERTAS CONTRADIÇÕES DA DEMOCRACIA

Que a democracia não é um sistema de governo perfeito, quase todos sabem, mas há vantagens e contradições. Essas contradições embaraçam o desempenho de oportunidades e deixam ao desamparo alguns direitos humanos, inclusive a liberdade de expressão, quando não a própria liberdade física.

No 5º Fórum Atlântico, organizado pela Fundação Ibero-América Europa – FIE, na mesa redonda Diálogo Cultura e Liberdade, o escritor peruano Vargas Llosa participou como moderador e houve como debatedores os escritores cubanos Rafael Rojas, Zoe Valdés e Raúl Rivero e a jornalista Rosa Montero. A pedra de toque do debate foi a liberdade em Cuba, a começar pelo romancista Vargas Llosa que afirmou: “Só em uma sociedade livre é possível comprovar a diferença extraordinária que é viver sem medo de delação, da vigilância policial ou viajar, livremente, para o estrangeiro”.

A escritora Zoé Valdés acusou o governo cubano de ter trocado os “ataques diretos” aos artistas dissidentes no exílio, por outra “mais sutil”, na qual cubanos a favor do governo “se instalam no exterior e se dedicam a criticar os opositores, os artistas, os poetas ou os presos na Ilha”, disse Zoé. Por seu turno, Rafael Rojas foi mais contundente ao ressaltar o “respaldo acrítico” de alguns setores ao governo cubano “ à eficaz difusão de fantasia sobre o passado e o presente da Revolução, fazendo louvação a um fato que não existe mais, de vez que a revolução acabou há muito tempo.

Essa “pobreza moral”, como disse a escritora Valdés, delapida o sentido da utopia de um governo que se pretendeu igualitário e terminou totalitarista, com um ditador quase perene à frente, impedindo quem fosse contrário a seus pontos de vista, de manifestar, expressamente, sua opinião, punindo-os com o cárcere. Com esse direito fundamental sufocado à força, não pode haver a igualdade entre as pessoas, muito menos a liberdade sonhada por Vargas Llosa, que disse que os países democráticos têm “ a obrigação moral de ajudar os cubanos a recuperarem a liberdade, que só é valorizada quando se perde”.

Enquanto isso, do lado de fora do evento, os pró-castristas pediam a liberdade para cinco pessoas acusadas de espionagem presas nos Estados Unidos e a permissão para que recebam visitas de suas esposas. Esse aspecto do tolhimento à liberdade de expressão existe tanto do lado chamado democrático, na maior parte das vezes, com uma censura sutil, mas eficiente, quanto do lado totalitário, sendo a “censura democrática”, talvez, mais perversa do que a outra, geralmente, explícita, de vez que feita impingindo um temor conceitual, do tipo “não é bom falar dessas coisas”, quando não prende as pessoas do mesmo jeito, mas em nome da liberdade.

Um fato demonstrativo disso foi, nessa reunião, que se poderia dizer acadêmica, uma cidadã cubana elevou a voz, acusando os participantes do fórum de apenas fazer a crítica de Cuba, sem apresentar nenhuma proposta de iniciativa para fornecer essa ajuda tão requerida. Contraditoriamente, teve a sua palavra cassada, fazendo com que Vargas Llosa usasse seu poder de moderador do evento, contrariando, ali mesmo, com ações, as suas palavras e a de seus colegas e confirmando que ser democrático não é só falar, mas tem que agir, democraticamente, a todo momento.
                                           Saraiva Filho                        09/07/08

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8.7.08

O TEMOR DA INCLUSÃO NO G-8

O Brasil e mais quatro países chamados de emergentes estão sendo barrados no baile, festa das sete nações mais ricas do mundo, mais a Rússia. Esse clube foi criado logo após a grande crise do petróleo, na Holanda, em 1975, com seis membros e no ano seguinte foi incorporado o Canadá, tendo inclído, em 1977, a Rússia. Na época, os oito grandes acumulavam 65% do PIB mundial e, atualmente, o grupo representa 58% do PIB do planeta e é responsável por 60% das emissões de gases na atmosfera, produzindo o efeito estufa.

Os países barrados são o Brasil, a China, a Índia, o México e a África do Sul, que, se aceitos pelos oito, comporia o Grupo dos 13, como deseja o presidente da França, que luta pela inclusão desses países ao fechado clubinho, que toma as grandes decisões sobre os problemas internacionais maiores. Além da Rússia, há os Estados Unidos, a França, a Itália, a Alemanha, Japão, Reino Unido e o Canadá, os 8 cavaleiros do apocalipse, este ano com problemas ligados ao aumento dos preços dos alimentos como agenda principal.

Muitas pautas secundárias existem, como a ajuda aos países africanos e a entrada dos cinco países, podendo-se chamar de os M-5, os médios países em relação ao conjunto de seus PIBs. Os Estados Unidos, a Itália e o Japão estão à frente para impedir que esses 5 ingressem como membros efetivos desse pequeno grupo de 8 nações, com o temor de serem abordados, de igual para igual, sobre temas como o aquecimento global e a mudança da matriz energética do mundo para o biocombustível.

Só esses grandes problemas já abalariam a credibilidade dos 8 maiores, de vez que eles são os maiores infratores das regras de despoluição do planeta e, no caso de alguns países como os Estados Unidos, produzem bioenergia a partir do milho. Sendo este um produto alimentício direto e não indireto, como a cana-de-açúcar, interfere na escassez de alimentos, o segundo maior problema imediato mundial.

Participam dessa reunião de cúpula, iniciada ontem, 07/07 – números cabalísticos – no Japão 22 países, sendo 14 convidados, como o Brasil, mas sem direito a participar de todas as decisões e, também, sem direito a voto. Convidados porque importantes em alguns tópicos, como o caso brasileiro, que discutirá a questão do biocombustível da cana, tentando demonstrar que, em nada, compromete a produção de alimentos.

Mas a grande questão está no aumento do número de nações no G-8, oito grandes, que já não são tão grandes, de vez que estão na contramão de um desenvolvimento sustentável, com os recursos naturais renováveis. Com o conjunto de seu PIB reduzido, sua produção individual como país comprometida com o petróleo, não querem abandonar sua estrutura atual de desenvolvimento e “cair na real”, aceitando que esse modelo está ultrapassado, pelas implicações domésticas que isso causaria.

Daí a imposição da própria conjuntura, propondo a inclusão dos M-5 como propulsores de um novo modelo de desenvolvimento, o que não é fácil eles aceitarem. Só a França, que está habituada com certa desenvoltura de suas ex-colônias africanas, aceita a inclusão desses cinco países como membros efetivos do possível G-13, uma solução razoável para a cúpula mundial.
                                             Saraiva Filho                      08/07/08

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7.7.08

ARTE MULTIMÍDIA E A IDENTIDADE ARTÍSTICA

O artista multimídia e sua identidade perante o público é um tema que levanta várias questões de ordem pessoal e de natureza econômico-social, tendo, no final das contas, o artista tendo que optar por um dos meios de expressão, para ter fortalecida uma carreira promissora. O mesmo acontece com pessoas que têm profissões consideradas não artísticas e tentam se enfronhar no mundo das artes, tendo que escolher com que “carimbo” a sociedade e o seu possível público vão reconhecê-lo.

Está ocorrendo em Bruxelas, capital da Bélgica, uma exposição, até o dia 14 de setembro, que reúne obras feitas por 20 roqueiros famosos, onde são mostrados, também, seus talentos para as artes plásticas. Essa exposição se chama “ Não é apenas rock and roll, baby” , em tradução livre, fazendo uma referência a um conhecido álbum dos Rolling Stones, “It´s Only Rock and Roll, reunindo fotos, instalações, pinturas e colagens desses reis do rock.

O curador Jerôme Sans explica que “Essa é a primeira vez que obras de grandes músicos do rock, desde os anos 70 até a atualidade, estão reunidas em uma mostra. A exposição revela uma outra história do rock, a dos roqueiros que vieram do mundo da arte”. Neste caso de dualidade de talentos há uma identidade pré-estabelecida – músicos e cantores – que têm condições de produzir artes plásticas de qualidade ( pelo menos a maioria ), já em uma situação privilegiada de serem conhecidos de um público internacional.

A maioria dos casos, porém, o que existe são pessoas que têm talento para várias artes e não conseguem se sobressair em nenhuma ou apenas em uma, como é o caso do humorista Chico Anísio, que é escritor, compositor, artista plástico, ator, e mais alguma coisa, mas é famoso apenas como humorista. Há muitos casos na arte mundial de pessoas com talentos diversos, mas sempre há um que sobressai, independente de sua vontade, não que isso possa gerar profundas alterações de ordem psicológica aparentes, mas sempre há a sensação de frustração por não ser artista na arte que gosta.

Esse é o caso, dentre muitos, da roqueira Patti Smith, que participa da exposição com uma seleção de fotografias em preto e branco, contando com uma que é auto-retrato. Ela explica que, na realidade, é uma artista plástica e que a música foi apenas a forma que encontrou para levar sua poesia aos palcos. Muitos artistas usam esse expediente de se utilizar de uma arte vendável para mostrar a sua tendência artística preferida e conseguem obter algum sucesso nessa outra escolha artística, para a qual têm talento, mostrando sua arte preferida.

Essa identidade artística, geralmente única, não se coaduna, de forma fácil, com sua característica multimídia. O artista usa no máximo duas, mesmo que tenha várias, como ator e cantor, a mais comum, cantor e compositor, também comum, sendo determinadas artes como ilustrador, ou mesmo artista plástico usando a tela, músico e outras, não se coadunando com ator ou roqueiro, por exemplo.

Uma das artes sempre fica em segundo plano, fazendo o artista sucesso apenas naquela em que tem público conquistado, o que já é um grande feito, nestes tempos de pré-recessão mundial e de mudanças de mídia, com a presença da internet. Ser artista sempre foi difícil, quando se faz disso uma profissão, ficando a maioria como amador, uma posição cômoda, mas que, raramente, satisfaz quem faz arte.
                                    Saraiva Filho                               07/07/08

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6.7.08

A IDENTIDADE PESSOAL NA INTERNET

Nas diversas áreas de relacionamento na internet, a pessoa pode ser o que e quem quiser.O e-mail, o apelido do chat e do mensseger pode variar com uma velocidade enorme, assim como a velocidade de outras ações, como a descartabilidade dos relacionamentos e o rompimento da timidez. São muitas variantes na alteração do comportamento, assemelhando-se à aquisição de várias personalidades, até mesmo ao mesmo tempo, pela abertura de várias páginas.

O psiquiatra citado em uma reportagem da BBC Brasil, Himanshu Tyagi separa as pessoas nascidas após os anos 90 dos que são de outras gerações anteriores, sendo que os mais jovens podem achar a vida real “chata e pouco estimulante”, pela falta dessa dinâmica da internet. Afirma esse profissional que isso é muito perigoso para a formação dos jovens, podendo causar problemas de relacionamento e enfatiza que “ É possível que os jovens que não conhecem o mundo sem as sociedades virtuais dêem menos valor à suas identidade reais e, por isso, podem estar em risco na sua vida real, talvez mais vulneráveis a comportamento impulsivo ou, até mesmo, suicídio”.

Graham Jones, psiquiatra especializado no estudo do impacto da internet na mente das pessoas, reconhece que existe algum risco na freqüência a alguns sites de relacionamento, levando a problemas de comportamento, mas esse risco existe na vida real, onde as pessoas podem ser mais ou menos ativas, dependendo de sua personalidade permanente. Disse ele que “Para cada geração, a experiência com relação ao mundo é diferente. Quando a imprensa escrita surgiu, tenho certeza que muitos a consideraram uma coisa ruim”, declarações que desfazem a preocupação de Tyagi.

Nota-se que há uma posição conservadora no psiquiatra japonês, enquanto Jones demonstra mente mais aberta a inovações e mais, interessante ainda, dentro da vida real sobre temas do mundo virtual. O próprio comportamento deles e de muitos especialistas, confirma que em adultos há um comportamento consolidado, enquanto nos jovens há influências não só da internet, mas do mundo real que os cerca.

Se a pessoa tem tendência a comportamentos “desviantes”, é, facilmente, influenciável e bastante ativa na vida real, isso acontecerá nisso que se chama de “ mundo à parte” que é a internet. Na verdade, não é um mundo à parte, ao contrário, acha-se em perfeita sintonia com uma realidade tecnológica irreversível, que tende a cada vez mais se aprimorar.

A questão de a pessoa, de qualquer idade, confundir os dois mundos, o real e o virtual, ocorre, normalmente, com, por exemplo, o trabalho, nos indivíduos onde essa atividade passa a ser uma fixação e ela age como sempre estivesse no trabalho, como o chefe que assume essa postura em qualquer lugar que esteja. Como no Brasil estima-se que apenas 20% da população tem acesso a computadores, nem sempre aclopados à internet, é uma amostragem pouco significativa diante dos mais de 190 milhões de brasileiros, para se chegar a conclusões definitivas sobra a influência dessa rede computadores no comportamento das pessoas.

Não se pode ainda nem prever se as futuras consultas a psiquiatras e psicólogos não se darão, com hora marcada, através de msn desses profissionais, no sistema de vídeo conferência. O processo de informática está se entranhando nas pessoas de forma coercitiva, impondo-se de forma contundente e inexorável e não há como fugir disso, sob pena de isolamento do indivíduo, em seu próprio mundo.

Não estar na internet, hoje em dia, é que vem sendo considerado anormal, quando todas as atividades humanas estão ligadas a ela.
                                      Saraiva Filho                      06/06/08

criado por SARAIVA FILHO    6:44 — Arquivado em: Sem categoria

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