LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

31.7.08

A CALMARIA DE HOJE

A sensação é de calmaria nesse tumultuado mundo de evoluções em espiral, com o fracasso da rodada de Doha, a saída do Gilberto Gil do Ministério da Cultura e uma muideza do cotidiano que nem a comentários servem, pela banalidade de mortes e crimes, que não assumem a dimensão de um fato novo. Já são atos e fatos considerados rotina, principalmente, na vida das grandes cidades, como se desprendessem células mortas da pele das pessoas, na trivialidade feroz do dia-a-dia perverso.

Há toda uma realidade que não mais comove, nem espanta, no jogo perene entre a pobreza e a riqueza, nesse falso capitalismo humanitário, que finge se preocupar com o meio ambiente e com o ser humano. Um cinismo estampado em rostos circunspectos, como quem joga pôquer, explicitando preocupação com a humanidade, mas sendo mesquinho na hora de ceder terreno, como foi o caso da China e da Índia contra os Estados Unidos, na hora de cortar subsídios à agricultura dos países ricos, na rodada de Doha.

Essa insensibilidade em nome de interesses próprios, tão conhecida no ser humano, que se arrisca dizer que compõe a sua natureza, esta presente em todos os atos da vida individual e comunitária, desde a associação de bairros até à reunião dos sete países mais ricos do mundo, o G-8. Quanto à saída do Gilberto Gil, nenhuma surpresa, de vez que sempre assumiu um papel figurativo na atuação do Ministério, emprestando seu nome como artista para os rapapés da política internacional, assegurando certa representatividade.

Em um governo de um homem sem cultura ter um artista compondo sua equipe, não importa se administrador ou não, é de suma importância para garantir o status da equipe de governo. Sua saída era esperada, considerando que a arte não se coaduna com a rotina administrativa de longas reuniões inúteis, nem aos despachos e assinaturas de convênios e portarias, que caracteriza o ranço do burocrata.

No mais, nada inovador ou revolucionário para a humanidade que mereça destaque para uma análise, com Hugo Chávez fora da mídia, as FARC liberando reféns à Cruz Vermelha e Barack Obama disparando à frente do senador McCain, na corrida presidencial dos Estados Unidos. Tudo correndo com uma previsão quase milimétrica e os jornalistas tendo que espremer notícias de casos corriqueiros ou supervalorizados, para alimentar a mídia faminta.

Uma calmaria aparente, porque os problemas sérios permanecem, mas deles não se fala mais, abafados pela irracionalidade de uma censura sutil, mas presente, deixando que a coisa se avolume e estoure, para gerar mais notícias, naquele período de fermentação insidiosa que antecede um fato, realmente, relevante. Nada é ou pode ser denunciado antes que aconteça, para não quebrar o encanto da “surpresa” maléfica que venha revolucionar nossas vidas.
                                    Saraiva Filho                               31/07/08

criado por SARAIVA FILHO    4:42 — Arquivado em: Sem categoria

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