LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

27.7.08

OLIMPÍADA NO PAÍS DA CENSURA

Todos sabemos que as festividades das Olimpíadas é uma oportunidade de confraternização dos povos, não importando muito o resultado das competições, mas a oportunidade de reunir delegações e torcidas de vários países em uma aproximação que demonstra a cultura, o modo de ser dos povos. A escolha da China, arraigada a princípios de censura da época do comunismo de Mao Tsé Tung, tenha, talvez, o intuito de dissolver essas práticas totalitaristas, no embalo de novas ondas do mundo moderno, onde a liberdade de expressão ganha corpo, cada vez mais.

Infelizmente, não é isso que está acontecendo, pelo menos nessa fase inicial das festividades, ao ser entregue uma espécie de Cartilha, com 22 restrições e 4 proibições, junto com os ingressos olímpicos. Há restrições inusitadas como ficar bêbado, fazer apostas, tocar instrumentos musicais, tirar fotos com flash, acender isqueiros, ficar em pé nas áreas das arquibancadas sentadas, proteger-se do sol com sombrinhas e gravar imagens com câmeras de vídeo profissional, sendo considerados comportamentos inadequados, perturbando a “harmonia” do evento.

Por sua vez, os torcedores não poderão fazer das arquibancadas um lugar de protesto, com faixas, camisetas e panfletos com dizeres de conteúdo crítico. Essa Cartilha da censura resume sua intenção principal ao considerar como conteúdo proibido tudo que fizer menção à religião, à política, ao Exército, aos Direitos Humanos, aos direitos dos animais e à proteção ao meio ambiente.

Em síntese, a tudo que integra a vida humana em liberdade é proibido, no mais deslavado desrespeito à opinião das pessoas e ao sagrado direito de liberdade de expressão. Há outras proibições esdrúxulas de aparente menor significado, mas que tolhem o comportamento dos torcedores olímpicos, onde a censura desempenha seu papel principal.

Se a intenção da escolha da China foi diluir essa mentalidade da proibição, houve efeito contrário, disseminando nos que estão indo àquele país, seja qual for sua condição, de turista ou de torcedor, o sistema predatório da censura. Muitos incidentes ocorrerão com essas pessoas, provocando constrangimento e, quem sabe, até crise diplomática, em nome de um regime fechado, onde a confraternização será tolhida por regras impeditivas da livre manifestação do pensamento.

Cabe, portanto, à imprensa livre o papel de denunciar abusos, veiculando notícias desagradáveis, é certo, em vez de fazer a cobertura normal dos jogos, para o resto do mundo. O grande tema proibido é o caso do Tibete, que fez a cantora irlandesa Björk ser proibida de cantar e prosseguir seu show, porque pronunciou a palavra”Tibet, Tibet”, em um concerto em Xangai, depois de cantar sua música “Declare Independência”, que ela já usara para provocar a independência de Kosovo.

Com isso, ficou proibida a entrada no país de qualquer artista do exterior, generalizando um comportamento de suicídio cultural, em nome da alardeada integridade chinesa. Fica, assim, ameaçada a confraternização desses Jogos Olímpicos de 2008, com a mais pura ranhetice de um governo inseguro, decrépito e em total falte de sintonia com sua economia, cada vez mais capitalista e ocidentalizada. E viva a Independência do Tibete!
                                          Saraiva Filho                           27/07/08

criado por SARAIVA FILHO    9:51 — Arquivado em: Sem categoria

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