26.7.08
MERCADO DE AUTOMÓVEIS E A VIDA HUMANA
Neste final de semestre, a indústria automobilística, por meio de suas concessionárias, comemorou um aumento glorioso nas vendas de veículos de passeio, causando otimismo na economia em geral e profundo ressentimento nos ambientalistas. Enquanto a economia se desenvolve, com vantajosos índices semestrais de lucro e aumento do emprego, a produção de mais automóveis coloca nas ruas, com vendas espetaculares, um número assustador desses veículos.
Esse número exorbitante de veículos nas ruas causa poluição, interfere na camada de ozônio, cria problemas de estacionamento e se encarrega de enormes congestionamentos todos os dias e, em especial, nos fins de semana. Esses malefícios parecem que já estão entranhados na vida das pessoas, nos grandes centros urbanos, que, apesar das reclamações, não há uma tomada de posição coletiva, lutando pelos direitos a uma vida melhor, com qualidade.
A dicotomia emprego X despoluição ou emprego X trânsito descongestionado faz com que se pense melhor na existência de uma alternativa mais salutar para a vida humana, como o transporte coletivo de qualidade e presteza. Mas há o fator psicológico do apego ao carro, tanto como stastus social, quanto como não ficar adstrito a horários de coletivos, compondo uma espécie de “boiada” que sai dos ônibus, em horários determinados.
Um economia centrada, também, na indústria automobilística conspira contra a vida humana, de vez que, de um lado, dá sustento material à inúmeras famílias e, pelo outro, priva-lhes de uma vida com qualidade, em todos os aspectos. É uma equação difícil de formular, quanto mais de resolvê-la, a não ser que essa industrialização do país se volte para outro objetivo, como indústria de turismo, a indústria de alimentos, etc.
Com o foco desviado da fabricação de automóveis, pode ser que o Brasil tenha uma qualidade de vida melhor nas grandes cidades, suprindo, também, a questão da subsistência dos brasileiros. Além disso, há outros tipos de indústria que empregam, mas não poluem tanto, dentro do setor produtivo da sociedade, deixando de fazer do país apenas um centro de montadoras e levando-o à posição de criador de modelos de produtos industriais.
Esse binômio emprego e poluição pode ter outros resultados positivos, que não seja o de comemorar um grande volume de automóveis vendidos, mais um punhal cravado na qualidade de vida das pessoas. A parte estrutural da economia não pode ser mais aquela dos anos 60, no mundo inteiro, que serviu a uma época que já está longe e não atende mais ao modo de vida deste milênio.
A cada automóvel fabricado dois mais passam a circular no país, com o comércio de usados, triplicando a frota que circula pelas ruas e avenidas das cidades. Isso é uma posição inconcebível nos dias atuais, onde, cada vez mais se procuram meios de despoluir o planeta, não importando, neste caso o combustível utilizado, pois a poluição não vem só dos motores dos carros, mas das ruas, do controle da frota e de vários mecanismos atrelados ao automóvel.
A classe média precisa se acostumar a andar de transporte coletivo, sob pena de chegar uma hora em que nem poderá mais tirar seus veículos da garagem, por falta de lugar nas ruas. Ou toma essa posição, ajudada por meios alternativos de transporte, como ônibus, trens, metrôs e vans com qualidade de serviço, ou cairá na vala intransitável de veículos, como já acontece, por exemplo, na cidade de São Paulo.
Saraiva Filho 26/07/08
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