LiberdadeDaPalavra

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24.7.08

MILITARIZAR OS ÍNDIOS

O Chefe do Estado Maior do Comando Militar da Amazônia – CMA defendeu a presença de índios entre o efetivo das tropas que protegem a região da selva amazônica, sob a alegação de que a incorporação de indígenas à tropa garantiria a vantagem de apoio da população local. A finalidade seria, também, unir o conhecimento do terreno à perícia de combate, uma mistura que em teoria seria fabulosa, mas de duvidosa praticidade.

Logo no início da colonização brasileira pelos portugueses, houve a tentativa de escravizar os índios e não deu certo, pelo que se conhece como a índole indígena ligada à liberdade. Na época havia índios de verdade, vivendo, exclusivamente, da natureza, daí a necessidade de viver em grandes áreas de terra, a fim de praticar a caça e a pesca, seus meios de subsistência.

Esse índio foi perdendo suas características, sua cultura, a não ser a parte folclórica, encenações para estrangeiros ver, e se integrando cada vez mais à chamada vida “civilizada”, passando à condição de agricultor ou pecuarista, quando não imigra para as grandes cidades, em busca de emprego. Um índio de sangue e de aparência física, mas com a alma dilacerada por não poder mais levar uma vida de índio, mas incorporando tecnologia ao seu dia-a-dia, como qualquer cidadão deste país.

Um índio que não pode ser mais índio e não consegue ser um cidadão civilizado, boiando no meio dessa indefinição, que a FUNAI faz questão de garantir, para justificar sua própria existência. Pessoas tuteladas pelo Estado, a partir da Constituição, aprisionados em sua incapacidade de não ter direitos como qualquer um, cingidos a reservas e áreas limitadas, não podendo ser mais índios, mas um arremedo de homens.

Os norte-americanos extinguiram seus índios por meio de matança feroz, que, hoje, seria considerada genocídio, eliminando-os à bala ou encarcerando-os em prisões inóspitas e, mais tarde, usando, para os que sobraram, o sistema de reservas. Esse mesmo sistema perverso que é utilizado no Brasil, sem a mínima condição de uma existência nos padrões dessa cultura, mas com a aparência de um tratamento digno e especial.

A nossa ”matança” dos índios é mais odiosa, porque lenta, gradual, forçando-os, sem usar a violência física, a mudar de vida, a abandonar seus conceitos do mundo, a ter suas crenças. Uma violência simbólica que faz os índios recorrerem à saúde pública dos brancos e não mais a seus pajés, que foram deixando de saber tratar as doenças trazidas pelos “brancos”.

Um modo de vida novo, ao qual nunca se adaptaram, usando nossos trajes, comendo da nossa comida, subsistindo como qualquer miserável brasileiro. E agora, não bastasse isso, querem fazer dos índios militares, encarcerando-os a uma disciplina rígida, obedecendo a ordens, sem questionar e, como subalternos, querer reviver um modo estranho de “escravidão”, sempre lhes tolhendo a liberdade, em nome de um soldo pequeno, o qual não necessitariam, caso pudessem levar seu estilo de vida, bem distante do que conhecemos como pobreza, de vez que não há o conceito de propriedade privada na cultura indígena.
                                           Saraiva Filho                           24/07/08

criado por SARAIVA FILHO    8:41 — Arquivado em: Sem categoria

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