18.7.08
MAIS UM BLOCO DE PAÍSES
Neste novo milênio, tomou força a idéia de formar Blocos de Países, como a União Européia, a União Sul Americana e a União dos países da América do Norte, surgindo agora a União Pelo Mediterrâneo – UPM. Esta entidade reúne 43 países da Europa, do norte da África e do Oriente Médio, sendo esse fato uma iniciativa do Presidente Nicolas Sarcozy, da França, a quem cabe a presidência da União Européia , neste biênio 2008 – 2009.
Reunida a cúpula dessa União, em Paris, no último domingo – 13-07 - onde se fez o lançamento da UPM, ficaram definidos seus objetivos, que consistem em incrementar a cooperação entre os países integrantes e encontrar soluções para questões como imigração e poluição. É evidente que outros interesses estão em jogo, precipuamente, a convivência pacífica entre esses países, que é bastante tumultuada e, estando em Bloco, ficará mais fácil resolver questões ligadas a litígios por terras e petróleo, além de unificar a posição de facções religiosas.
Para a sua própria formação, já existem bastante divergências, como a posição da Líbia que se recusa em participar dessa instituição, alegando que o novo bloco é um plano para enfraquecer a unidade árabe e africana. Por outro lado, dentro da própria União Européia que apadrinha essa União, também, há divergências, como é o caso da Alemanha e outros países que rejeitam o novo bloco, vendo como uma ameaça para a própria União Européia, além de interferir no lado comercial com essa união de países que têm o petróleo nas mãos.
Apenas os países com filosofia pragmática receberam bem a iniciativa, como o Egito e Marrocos, que a encaram como uma oportunidade para atrair investimentos estrangeiros, criando empregos para milhões de desempregados em seus territórios. A Turquia, que pretende entrar na União Européia, teme por sua intenção e que o novo bloco acabe prejudicando esse desejo, de vez que, pela sua posição geográfica, deveria integrar a UPM.
Desse modo, cada país defende seus interesses como nação, não estando imbuídos de um objetivo comum, podendo, com isso, levar ao fracasso essa idéia de Sarcozy de criar uma região que estivesse em uma posição mais pacífica, para serem negociadas grandes questões de interesse europeu. Essa parte do mundo que pretende se reunir em Bloco tem inimizades históricas como o caso de Israel e os países árabes, que estando integrados nessa União, terem de se reconhecerem, mutuamente, com Estados, enquanto o Israel ainda ocupa terras palestinas, o que tornaria impossível sentarem-se à mesma mesa de negociações, mesmo para discutir outros temas.
Há, também, o problema de os países árabes não respeitares os direitos os direitos humanos e a nova União não obrigará governos árabes a introduzir reformas democráticas genuínas ou melhorar seu desempenho no tratamento dos próprios diretos humanos em geral e, em especial, com as mulheres. Pelo que pode ser observado, não há muita chance dessa UPM ser, efetivamente, um Bloco de Países, com interesses e objetivos comuns, formando uma força aliada em seu próprio benefício, dadas as divergências internas profundas, envolvendo a questão religiosa e o litígio por terras.
Saraiva Filho 18/07/08
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