16.7.08
UM TEMPO DE SEDE DE NOVIDADES
É preciso ser outro. O antigo não vale mais, é démodé, antiquado e há sempre na pauta da vida o novo. Cada vez mais o novo. Com essa concepção consumista desenfreada nada resiste a um pouco de tempo e o pior: o anterior vai para o lixo, não se guarda nada, como se não houvesse História, nem história a ser contada, porque não há o que apresentar como tal.
O passado é morto com as pauladas do tempo e tratado e enterrado como contagioso. Ser antigo, para as coisas, passa a não ter valor e, para as pessoas, é motivo de desonra, não havendo qualquer respeito com a experiência e a sabedoria adquiridas com lutas em tempos passados, mas que podem ser adaptadas ao presente.
Consomem-se as coisas, as pessoas e as idéias em um profundo desrespeito ao que representaram em sua época e que têm valor na vida atual, como exemplo de vida a ser seguido. Mas isso não acontece na avidez pelo que tem aparência de novo, porque se desconhece o passado e pelo desconhecimento em saber que fatos da vida do homem se repetem, na intransigente repetição de coisas de uma geração passada.
E a ironia está em que, a todo momento, esse novo que se apresenta é o repaginado do passado, com as mesmas reações a mudanças, principalmente, agora com essa radical alteração na vida das pessoas com a introdução de novidades tecnológicas e uma diferente maneira de pensar a vida, diante da possibilidade de extinção do planeta. Esse dois pilares dos tempos modernos, causam conseqüências profundas no modo de ser das pessoas e não têm o sabor do novo pelo novo, como uma moda passageira de fácil degustação.
Essa mudança no modo de ser, na forma de agir, na forma de encarar o mundo é, realmente, o novo, são as novidades que vieram para ficar e não apenas algo passageiro, descartável e sem valor. Houve uma ruptura, a partir dos anos 90, do século XX, no modo de encarar a vida e isso se reflete em todos os aspectos da existência humana, até no consumismo dos shopping centers.
O cuidado com o ambiente, com a matriz energética que se usa, com o mau uso da tecnologia que se inventa, com a alteração lenta da antropologia do homem é mais uma razão para se preservar o passado, mas um passado positivo, de glórias e prosperidade, de vez que as derrotas anteriores serão diferentes das de agora. O homem erra com novos instrumentos à sua disposição, com novos desafios e problemas, embora nem sempre se aprenda com os erros e continue a persistir uma mentalidade tacanha que emperra o desenvolvimento.
Há, portanto, o novo fútil, irresponsável, como o atrelado ao modismo e um novo consistente, de profundas transformações na sociedade, que, efetivamente, interfere na vida das pessoas. Este novo é respaldado no passado, a não ser que haja, com substância, uma transformação de base, como é o caso de novas tecnologias, que mexem na comunicação e na informação e, por conseqüência, com a ciência e toda a vida das pessoas.
Saraiva Filho 16/07/08
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