11.7.08
E OS PAÍSES RICOS SÓ EXIGEM…
É interessante sempre frisar que o biocombustível de cana-de-açúcar é, hoje em dia, mais do que uma alternativa ecológica, mas uma adoção de matriz energética que preserva o meio ambiente e não aumenta o preço dos alimentos. Esse aumento vem acontecendo, na esteira do mercado internacional, com o milho, o arroz, o feijão e o trigo, pra falar apenas os casos mais gritantes, além do que, pelo menos a curto e médio prazo, nosso biocombustível não está afetando o uso da terra, segundo relatórios técnicos sobre o assunto.
Há, apesar disso, uma contradição por parte dos chamados países ricos sobre a utilização do biocombustível de cana, como matriz energética, enquanto os emergentes e os países do terceiro mundo são, praticamente, obrigados a importar o lixo produzido por esse grupo privilegiado. Sem poder fazer uma exigência sobre a poluição que produzem na sua fabricação, nem poder falar das “condições de gado conduzido” dos operários das suas fábricas, os ricos no fazem engolir seus produtos, como, por exemplo, o Windows Vista, porque lhes é tirado o drive do windows XP, uma opção mais barata e prática, tudo em nome do avanço tecnológico.
Como esse, somos obrigados a usar muitos outros produtos industrializados que poluem e são montados sobre o caríssimo petróleo, sem ter vez nem voto, no grupo do G-8. Na recente reunião desse grupo, no Japão, foi fechado um acordo ridículo para reduzir a emissão de gases nocivos à atmosfera em 50% do total emitido, até 2050, quando até lá o planeta já estará bastante afetado e destruído e a maioria dos governantes atuais já desapareceu.
Isso sem contar que os verdadeiros poluidores ainda exigem que a Índia e a China se junte ao esforço global contra o aquecimento. Em vez de tomarem suas providências em casa, têm a desfaçatez de exigir providência “na casa” dos outros. Agora mesmo, a Grã-bretanha vai desacelerar o uso do biocombustível, com a cansativa desculpa esfarrapada de que o produto pode causar aumento nos preços dos alimentos e prejudicar o meio ambiente, segundo a Sra. Ruth Kelly, ministra dos transportes britânica.
Foi emitido um relatório de uma equipe de “especialistas”, liderada pelo chefe da Agência de Combustíveis Renováveis, que analisou o impacto da política de energia no uso da terra, exigências… E fazem mais exigências, como se fossem árbitros do mundo, diante de uma realidade que não permite muita “firula”, mas objetividade, quando geleiras no pólo antártico estão derretendo em pleno inverno, naquela região importante para o ecossistema.
Nas áreas dos países emergentes e nos do terceiro mundo, não há problemas no uso da terra, diante do menor continente que existe, o europeu. Há terras, matas e florestas de sobra, como na África e no Brasil, apesar do desmatamento indiscriminado, fácil de se combater com medidas de fixação do homem à floresta, dando-lhes autonomia, crédito e autoridade para serem senhores de suas terras concedidas pelo Estado, por meio de seu governo e devidamente fiscalizadas, sem necessidade de ação policialesca.
Basta que por lá as instituições funcionem e não sejam tratadas com descaso, como terra de ninguém, em uma versão tupiniquim do velho oeste norte americano. É lamentável a postura do desses países ricos, exigindo de outros menos favorecidos, o que não podem cumprir nos seus próprios. A Grã-Bretânia, por motivos outros, inconfessáveis, é mais um exemplo da titubeante posição dos ricos, diante de proposta de energia tão promissora.
Saraiva Filho 11/07/08
criado por SARAIVA FILHO
6:23 — Arquivado em: 
