8.7.08
O TEMOR DA INCLUSÃO NO G-8
O Brasil e mais quatro países chamados de emergentes estão sendo barrados no baile, festa das sete nações mais ricas do mundo, mais a Rússia. Esse clube foi criado logo após a grande crise do petróleo, na Holanda, em 1975, com seis membros e no ano seguinte foi incorporado o Canadá, tendo inclído, em 1977, a Rússia. Na época, os oito grandes acumulavam 65% do PIB mundial e, atualmente, o grupo representa 58% do PIB do planeta e é responsável por 60% das emissões de gases na atmosfera, produzindo o efeito estufa.
Os países barrados são o Brasil, a China, a Índia, o México e a África do Sul, que, se aceitos pelos oito, comporia o Grupo dos 13, como deseja o presidente da França, que luta pela inclusão desses países ao fechado clubinho, que toma as grandes decisões sobre os problemas internacionais maiores. Além da Rússia, há os Estados Unidos, a França, a Itália, a Alemanha, Japão, Reino Unido e o Canadá, os 8 cavaleiros do apocalipse, este ano com problemas ligados ao aumento dos preços dos alimentos como agenda principal.
Muitas pautas secundárias existem, como a ajuda aos países africanos e a entrada dos cinco países, podendo-se chamar de os M-5, os médios países em relação ao conjunto de seus PIBs. Os Estados Unidos, a Itália e o Japão estão à frente para impedir que esses 5 ingressem como membros efetivos desse pequeno grupo de 8 nações, com o temor de serem abordados, de igual para igual, sobre temas como o aquecimento global e a mudança da matriz energética do mundo para o biocombustível.
Só esses grandes problemas já abalariam a credibilidade dos 8 maiores, de vez que eles são os maiores infratores das regras de despoluição do planeta e, no caso de alguns países como os Estados Unidos, produzem bioenergia a partir do milho. Sendo este um produto alimentício direto e não indireto, como a cana-de-açúcar, interfere na escassez de alimentos, o segundo maior problema imediato mundial.
Participam dessa reunião de cúpula, iniciada ontem, 07/07 – números cabalísticos – no Japão 22 países, sendo 14 convidados, como o Brasil, mas sem direito a participar de todas as decisões e, também, sem direito a voto. Convidados porque importantes em alguns tópicos, como o caso brasileiro, que discutirá a questão do biocombustível da cana, tentando demonstrar que, em nada, compromete a produção de alimentos.
Mas a grande questão está no aumento do número de nações no G-8, oito grandes, que já não são tão grandes, de vez que estão na contramão de um desenvolvimento sustentável, com os recursos naturais renováveis. Com o conjunto de seu PIB reduzido, sua produção individual como país comprometida com o petróleo, não querem abandonar sua estrutura atual de desenvolvimento e “cair na real”, aceitando que esse modelo está ultrapassado, pelas implicações domésticas que isso causaria.
Daí a imposição da própria conjuntura, propondo a inclusão dos M-5 como propulsores de um novo modelo de desenvolvimento, o que não é fácil eles aceitarem. Só a França, que está habituada com certa desenvoltura de suas ex-colônias africanas, aceita a inclusão desses cinco países como membros efetivos do possível G-13, uma solução razoável para a cúpula mundial.
Saraiva Filho 08/07/08
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