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7.7.08

ARTE MULTIMÍDIA E A IDENTIDADE ARTÍSTICA

O artista multimídia e sua identidade perante o público é um tema que levanta várias questões de ordem pessoal e de natureza econômico-social, tendo, no final das contas, o artista tendo que optar por um dos meios de expressão, para ter fortalecida uma carreira promissora. O mesmo acontece com pessoas que têm profissões consideradas não artísticas e tentam se enfronhar no mundo das artes, tendo que escolher com que “carimbo” a sociedade e o seu possível público vão reconhecê-lo.

Está ocorrendo em Bruxelas, capital da Bélgica, uma exposição, até o dia 14 de setembro, que reúne obras feitas por 20 roqueiros famosos, onde são mostrados, também, seus talentos para as artes plásticas. Essa exposição se chama “ Não é apenas rock and roll, baby” , em tradução livre, fazendo uma referência a um conhecido álbum dos Rolling Stones, “It´s Only Rock and Roll, reunindo fotos, instalações, pinturas e colagens desses reis do rock.

O curador Jerôme Sans explica que “Essa é a primeira vez que obras de grandes músicos do rock, desde os anos 70 até a atualidade, estão reunidas em uma mostra. A exposição revela uma outra história do rock, a dos roqueiros que vieram do mundo da arte”. Neste caso de dualidade de talentos há uma identidade pré-estabelecida – músicos e cantores – que têm condições de produzir artes plásticas de qualidade ( pelo menos a maioria ), já em uma situação privilegiada de serem conhecidos de um público internacional.

A maioria dos casos, porém, o que existe são pessoas que têm talento para várias artes e não conseguem se sobressair em nenhuma ou apenas em uma, como é o caso do humorista Chico Anísio, que é escritor, compositor, artista plástico, ator, e mais alguma coisa, mas é famoso apenas como humorista. Há muitos casos na arte mundial de pessoas com talentos diversos, mas sempre há um que sobressai, independente de sua vontade, não que isso possa gerar profundas alterações de ordem psicológica aparentes, mas sempre há a sensação de frustração por não ser artista na arte que gosta.

Esse é o caso, dentre muitos, da roqueira Patti Smith, que participa da exposição com uma seleção de fotografias em preto e branco, contando com uma que é auto-retrato. Ela explica que, na realidade, é uma artista plástica e que a música foi apenas a forma que encontrou para levar sua poesia aos palcos. Muitos artistas usam esse expediente de se utilizar de uma arte vendável para mostrar a sua tendência artística preferida e conseguem obter algum sucesso nessa outra escolha artística, para a qual têm talento, mostrando sua arte preferida.

Essa identidade artística, geralmente única, não se coaduna, de forma fácil, com sua característica multimídia. O artista usa no máximo duas, mesmo que tenha várias, como ator e cantor, a mais comum, cantor e compositor, também comum, sendo determinadas artes como ilustrador, ou mesmo artista plástico usando a tela, músico e outras, não se coadunando com ator ou roqueiro, por exemplo.

Uma das artes sempre fica em segundo plano, fazendo o artista sucesso apenas naquela em que tem público conquistado, o que já é um grande feito, nestes tempos de pré-recessão mundial e de mudanças de mídia, com a presença da internet. Ser artista sempre foi difícil, quando se faz disso uma profissão, ficando a maioria como amador, uma posição cômoda, mas que, raramente, satisfaz quem faz arte.
                                    Saraiva Filho                               07/07/08

criado por SARAIVA FILHO    5:30 — Arquivado em: Sem categoria

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