6.7.08
A IDENTIDADE PESSOAL NA INTERNET
Nas diversas áreas de relacionamento na internet, a pessoa pode ser o que e quem quiser.O e-mail, o apelido do chat e do mensseger pode variar com uma velocidade enorme, assim como a velocidade de outras ações, como a descartabilidade dos relacionamentos e o rompimento da timidez. São muitas variantes na alteração do comportamento, assemelhando-se à aquisição de várias personalidades, até mesmo ao mesmo tempo, pela abertura de várias páginas.
O psiquiatra citado em uma reportagem da BBC Brasil, Himanshu Tyagi separa as pessoas nascidas após os anos 90 dos que são de outras gerações anteriores, sendo que os mais jovens podem achar a vida real “chata e pouco estimulante”, pela falta dessa dinâmica da internet. Afirma esse profissional que isso é muito perigoso para a formação dos jovens, podendo causar problemas de relacionamento e enfatiza que “ É possível que os jovens que não conhecem o mundo sem as sociedades virtuais dêem menos valor à suas identidade reais e, por isso, podem estar em risco na sua vida real, talvez mais vulneráveis a comportamento impulsivo ou, até mesmo, suicídio”.
Graham Jones, psiquiatra especializado no estudo do impacto da internet na mente das pessoas, reconhece que existe algum risco na freqüência a alguns sites de relacionamento, levando a problemas de comportamento, mas esse risco existe na vida real, onde as pessoas podem ser mais ou menos ativas, dependendo de sua personalidade permanente. Disse ele que “Para cada geração, a experiência com relação ao mundo é diferente. Quando a imprensa escrita surgiu, tenho certeza que muitos a consideraram uma coisa ruim”, declarações que desfazem a preocupação de Tyagi.
Nota-se que há uma posição conservadora no psiquiatra japonês, enquanto Jones demonstra mente mais aberta a inovações e mais, interessante ainda, dentro da vida real sobre temas do mundo virtual. O próprio comportamento deles e de muitos especialistas, confirma que em adultos há um comportamento consolidado, enquanto nos jovens há influências não só da internet, mas do mundo real que os cerca.
Se a pessoa tem tendência a comportamentos “desviantes”, é, facilmente, influenciável e bastante ativa na vida real, isso acontecerá nisso que se chama de “ mundo à parte” que é a internet. Na verdade, não é um mundo à parte, ao contrário, acha-se em perfeita sintonia com uma realidade tecnológica irreversível, que tende a cada vez mais se aprimorar.
A questão de a pessoa, de qualquer idade, confundir os dois mundos, o real e o virtual, ocorre, normalmente, com, por exemplo, o trabalho, nos indivíduos onde essa atividade passa a ser uma fixação e ela age como sempre estivesse no trabalho, como o chefe que assume essa postura em qualquer lugar que esteja. Como no Brasil estima-se que apenas 20% da população tem acesso a computadores, nem sempre aclopados à internet, é uma amostragem pouco significativa diante dos mais de 190 milhões de brasileiros, para se chegar a conclusões definitivas sobra a influência dessa rede computadores no comportamento das pessoas.
Não se pode ainda nem prever se as futuras consultas a psiquiatras e psicólogos não se darão, com hora marcada, através de msn desses profissionais, no sistema de vídeo conferência. O processo de informática está se entranhando nas pessoas de forma coercitiva, impondo-se de forma contundente e inexorável e não há como fugir disso, sob pena de isolamento do indivíduo, em seu próprio mundo.
Não estar na internet, hoje em dia, é que vem sendo considerado anormal, quando todas as atividades humanas estão ligadas a ela.
Saraiva Filho 06/06/08
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