4.7.08
DESINTEGRAÇÃO DAS FARC?
Na ressaca do caso Ingrid Betancourt, o Professor argentino Eduardo Viola, do Instituto de Relações Exteriores da UnB e do Instituto Rio Branco, citado em entrevista a Terra Magazine, afirma que há um enfraquecimento das FARC, com ofensivas como a eliminação de Raúl Reyes e a libertação de Clara Rojas e alguns reféns. Lembra, também, que com o desaparecimento por morte do comande geral dessa organização criminosa e a espetacular retirada do cativeiro de Ingrig e mais 14 reféns, dentre eles três americano do norte, o desmonte dessa excrescência chamada FARC está se enfraquecendo.
Vale lembrar, todavia, que, mesmo com a disputa interna de poder pelo comando geral desses traficantes travestidos de revolucionários, essas “concessões” feitas aos governos da Colômbia e da Venezuela têm um preço. Isso ficou bem nítido na forma hollywoodiana com que se deu a última libertação dos reféns, atribuindo-se a um eficiente serviço de inteligência colombiana, espetacular e cinematográfico demais para não ser consensual.
Chama a atenção o fato de o restante dos guerrilheiros que ficaram em terra terem sido poupados da artilharia no helicóptero, tornando-os cadáveres em uma simples rajada de metralhadora, como aparece na foto de simulação. Se não houve um acordo prévio para soltar a Ingrid e os americanos, como se justifica terem sido poupados, em terra, os demais fora-da-lei?
Alguma compensação houve, como, por exemplo, a soltura discreta de guerrilheiros presos em poder do exército colombiano ou, até, ajuda financeira, para não se dizer cobrança de resgate, oportunizando que o governo colombiano pudesse fazer bonito na visita do candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos. Não importa muito a moeda de troca, mas uma organização, que já tem cinqüenta anos de atuação, não iria estar tão frágil, a ponto de abrir a guarda, da forma como foi noticiado.
Outro ponto levantado pelo professor Viola, refere-se à perda de poder de liderança de Hugo Chávez na América Latina, com esse episódio do resgate. Um possível desgaste que não apaga o que se tem chamado a atenção neste espaço, que é o inconteste comando do presidente venezuelano à frente de ações decisivas, como o seu desejo irrefreável de entrar para o MERCOSUL, sua ascendência política sobre a Bolívia, o Equador e o Peru.
Isto sem falar na sua atuação contundente contra a Colômbia, a sua posição de membro atuante do concerto das nações sul-americanas na criação do Banco Sul, do Conselho de Segurança da América do Sul, embora a idéia tenha sido do Brasil. Muitos outros pontos demonstram, claramente, a sua ascendência sobre os dozes países desta parte do continente, perante um Brasil omisso nessas questões fundamentais. Talvez o professor mencionado não viu isso, soltando incontáveis elogios ao Brasil e à Colômbia. Seria medo de ser deportado?
Saraiva Filho 04/07/08
criado por SARAIVA FILHO
7:44 — Arquivado em: 
