LiberdadeDaPalavra

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3.7.08

O RESGATE DE INGRID

O começo da noite de ontem veio com a boa notícia de que 15 reféns das FARC foram resgatados e não libertados por essa organização criminosa, que sob o pretexto de impor uma nova ordem, se tornou traficante de drogas, na Colômbia. Ingrid Betancourt se tornou um símbolo do seqüestro e da manutenção em cativeiro de quase mil pessoas, nestes últimos seis anos pelo grau de importância que exercia na política colombiana, como candidata à Presidência da República.

A morte do 2º na lista da hierarquia das FARC, em território equatoriano, criando uma grande confusão diplomática entre a Colômbia, o Equador e a Venezuela, já foi um golpe certeiro na organização criminosa. A apreensão de um computador portátil, com informações relevantes para desvendar os mistérios do financiamento desse grupo armado e suas ligações políticas com a Venezuela e o Equador enfraqueceu a organização.

Mais frágil, ainda se tornou depois da morte de seu comandante máximo, que se atribui a morte não vinculada com a ação de contra-revolucionários do governo colombiano. A ausência de um comando central firme, como o que vinha acontecendo, favoreceu a ofensiva da inteligência do exército da Colômbia, na libertação de refém importantes, como a Ingrid Betancourt e dos agentes americano seqüestrados, além de milicianos colombianos.

Há, porém, alguma desconfiança nessa vitoriosa conquista, para quem conhece os meandros do poder de negociação das forças diplomáticas, que chega a se pensar em uma “certa compensação” para as Farc. Deixar livres os demais acompanhantes da comitiva que acompanharam os reféns e que ficaram em terra, em posição desfavorável de tiro, chama a atenção de observadores mais atentos ou desconfiados com a presteza e exatidão de um exército que vinha, há anos, intentando ofensivas contundentes para libertar os reféns.

Algo estranho chama a atenção de um “sucesso repentino”nas operações, quase cinematográficas, dessa aventura pelo ar, depois de repetidos fracassos anteriores. Não há qualquer indício de insinuações levianas nessas “suspeitas”, mas há qualquer coisa estranha, com o envolvimento de diversos países e a visita do candidato republicano John Macain ao país, no momento exato da libertação.

Além disso, a existência de contínuas afirmações de que não foram utilizados reforços americanos na operação, sem que isso fosse insinuado, assim, gratuitamente, chama a atenção, como se quisesse o governo colombiano isentar qual ajuda dos Estados Unidos, em plena campanha pela Presidência da República lá.

Essas são dúvidas que têm que ser levantadas em nome de uma transparência nesse “salvamento” repentino, mesmo que tenha sido preparado há bem mais tempo. Sempre há uma verdade real, com seus subterfúgios, suas negociações diplomáticas em qualquer nível e uma verdade ficcional empacotada para o público em geral.

No fundo o que importa é o resultado positivo, mesmo que Ingrid Betancout esteja sendo preparada para uma candidatura com o poder de fogo do seqüestro, para substituir Álvaro Uribe na Presidência. Quanto aos demais reféns, em grande quantidade, que lá ficaram, mais de 800, ficarão para uma próxima etapa, desde que o instrumento de negociação, a Ingrid seja libertada. Parece uma realidade cínica, mas é um fato que o futuro confirmara…ou não.
                                          Saraiva Filho                    3/07/08

criado por SARAIVA FILHO    6:47 — Arquivado em: Sem categoria

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