LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

31.7.08

A CALMARIA DE HOJE

A sensação é de calmaria nesse tumultuado mundo de evoluções em espiral, com o fracasso da rodada de Doha, a saída do Gilberto Gil do Ministério da Cultura e uma muideza do cotidiano que nem a comentários servem, pela banalidade de mortes e crimes, que não assumem a dimensão de um fato novo. Já são atos e fatos considerados rotina, principalmente, na vida das grandes cidades, como se desprendessem células mortas da pele das pessoas, na trivialidade feroz do dia-a-dia perverso.

Há toda uma realidade que não mais comove, nem espanta, no jogo perene entre a pobreza e a riqueza, nesse falso capitalismo humanitário, que finge se preocupar com o meio ambiente e com o ser humano. Um cinismo estampado em rostos circunspectos, como quem joga pôquer, explicitando preocupação com a humanidade, mas sendo mesquinho na hora de ceder terreno, como foi o caso da China e da Índia contra os Estados Unidos, na hora de cortar subsídios à agricultura dos países ricos, na rodada de Doha.

Essa insensibilidade em nome de interesses próprios, tão conhecida no ser humano, que se arrisca dizer que compõe a sua natureza, esta presente em todos os atos da vida individual e comunitária, desde a associação de bairros até à reunião dos sete países mais ricos do mundo, o G-8. Quanto à saída do Gilberto Gil, nenhuma surpresa, de vez que sempre assumiu um papel figurativo na atuação do Ministério, emprestando seu nome como artista para os rapapés da política internacional, assegurando certa representatividade.

Em um governo de um homem sem cultura ter um artista compondo sua equipe, não importa se administrador ou não, é de suma importância para garantir o status da equipe de governo. Sua saída era esperada, considerando que a arte não se coaduna com a rotina administrativa de longas reuniões inúteis, nem aos despachos e assinaturas de convênios e portarias, que caracteriza o ranço do burocrata.

No mais, nada inovador ou revolucionário para a humanidade que mereça destaque para uma análise, com Hugo Chávez fora da mídia, as FARC liberando reféns à Cruz Vermelha e Barack Obama disparando à frente do senador McCain, na corrida presidencial dos Estados Unidos. Tudo correndo com uma previsão quase milimétrica e os jornalistas tendo que espremer notícias de casos corriqueiros ou supervalorizados, para alimentar a mídia faminta.

Uma calmaria aparente, porque os problemas sérios permanecem, mas deles não se fala mais, abafados pela irracionalidade de uma censura sutil, mas presente, deixando que a coisa se avolume e estoure, para gerar mais notícias, naquele período de fermentação insidiosa que antecede um fato, realmente, relevante. Nada é ou pode ser denunciado antes que aconteça, para não quebrar o encanto da “surpresa” maléfica que venha revolucionar nossas vidas.
                                    Saraiva Filho                               31/07/08

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30.7.08

O BRASIL PARANDO POR GREVES E RODÍZIOS

A greve dos servidores da INFRAERO, a partir das primeiras horas desta quarta-feira, paralisando os aeroportos administrados por essa empresa estatal dá a tônica de um país comandado por um ex-sindicalista, que não sabe estar do lado dirigente do Executivo. Ao mesmo tempo, o início do rodízio de caminhões em São Paulo acarreta o preço do frete, diminuindo as exportações através do porto de Santos, o maior do país, pois. para ir a Santos, é preciso passar pela capital paulista.

A greve e o rodízio afetam os meios de transporte aeroviário e terrestre, este parecendo que, por ser em São Paulo, é um problema localizado do governo estadual paulista, mas, na verdade, é o maior centro de distribuição do brasileiro e atinge o Brasil inteiro. Isso é a demonstração do que começa a aparecer como política pública destinada aos transportes no país, com desdobramentos sofridos para a população, como é o caso dos controladores de vôo, o trafego aéreo e a poluição tomando conta do Estado de São Paulo.

São problemas decorrentes da atuação de Poder Executivo Nacional, enquanto este se perde no emaranhado de situação da reunião da Organização Mundial de Comércio – OMC, contribuindo para o fracasso da rodada de Doha. Sem condições de influir sobre uma solução, para a diminuição dos subsídios dos países ricos, para o setor agrícola, o Brasil, também, se torna frágil para uma definição dos problemas internos de altíssima gravidade, como o dos transportes.

Tudo ocorre por essa falsa “opção preferencial pelos pobres”, enquanto os graves problemas do setor produtivo, que não atraem votos, ficam de lado e terminam afetando a todos os brasileiros. A poluição paulistana é um reflexo da enorme concentração de indústrias no Estado, falta de uma política de redistribuição da alocação do setor industrial, acarretada pelo enorme volume de veículos, obrigando o rodízio.

Rodízio este inconstitucional, pois influi no uso da propriedade privada e no direito de ir e vir, sendo caso de habeas-corpus preventivo, sem falar no abuso de autoridade. O direito social da propriedade, previsto na Constituição Federal, não inclui a incompetência dos governos em solucionar os problemas básicos de convivência entre os cidadãos, ao fomentar a indústria automobilística a produzir mais, trazendo mais veículos para as ruas, sem um controle adequado, desde que seja atendida à política sindicalista dos metalúrgicos da indústria automotiva.

O Brasil com essa aparência de desenvolvimento econômico frágil não consegue esconder os problemas estruturais da economia, que começam a aparecer nesses últimos anos do governo Lula, agravados pela incompetência e a política populista desse mandatário do país. Caminhamos para um caos programado, ao serem adotadas políticas públicas de resultado imediato, sem estar atento a um programa a longo prazo, trabalhando sempre na crise, prática, também, adotada pelos governos anteriores e por cada um novo que chega, sem procurar resolver de frente a problemática da infraestrutura.
                                            Saraiva Filho                       30/07/08

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29.7.08

A RAINHA DA JORDÂNIA NA INTERNET

 
A imagem que o ocidente tem dos árabes e dos mulçumanos é bastante negativa, principalmente, depois dos atentados de 11 de novembro, nos Estados Unidos. Como em toda organização social há os radicais e os moderados e sua atuação depende muito se estão no poder ou não, excetuando-se os extremistas que criam um para-poder, como é o caso de Osama Bin Laden.

Há certa disparidade de costumes, no que diz respeito à religião, ao tratamento das mulheres e à cultura, basicamente, que se choca com os hábitos ocidentais, gerando um desconforto desses países orientais com os ocidentais, como se observa no caso da China, neste período olímpico. No que diz respeito à cultura árabe, nem todos os descendentes desses países são radicais e terroristas e nem em todas as comunidades o papel das mulheres é desempenhado de forma humilhante e degradante para o ser humano.

São estereótipos que a rainha Raina, da Jordânia, decidiu eleminar, usando o site de compartilhamento de vídeos YouTube, procurando esclarecer aos ocidentais a real posição dos árabes e do islã no mundo. Falando em inglês, ela pedia que as pessoas sugerissem estereótipos que elas tivessem ouvido sobre o mundo árabe, para que pudesse explicá-los todos, em função da cultura ocidental.

A mulher do Rei Abdullah não é a única figura pública a se aproveitar da popularidade do YouTube, de vez que políticos e monarcas ao redor do mundo já usaram o site, para demonstrar suas idéias. Mas é a primeira vez que uma mulher, uma árabe proeminente, usa a intenet para tentar se relacionar como Ocidente e promover o Islã moderado, destacando-se dos homens e das demais mulheres mulçumanas.

Mais de dois milhões de pessoas assistiram aos vídeos da Rainha, uma combinação de postes feitos por ela e de contribuições de vários músicos, comediantes e cidadãos jordanianos. Ao usar pela primeira vez a internet, a integrante da realeza jordaniana encontrou críticas, até contundentes, dizendo que ela havia enlouquecido, expondo-se dessa forma, para o mundo.

A esse respeito, pronunciou-se a Rainha, dizendo que “Acho que o mundo está vivendo uma crise. A violência substituiu o diálogo e a compaixão perdeu para o ódio. Eu espero que este seja um canal de comunicação entre Oriente e Ocidente, porque eu acho que nosso mundo precisa disso”. Ao contrário de sites no YouTube, como o da família real britânica ou do Governo britânico, que não permitem comentários ou discussões,o espaço usado pela rainha jordaniana encoraja a participação dos internautas.

A Rainha é enfática ao definir sua participação nos vídeos, ela que já conhece o poder da imagem, por ser uma das mulheres mais fotografadas do planeta, afirmando que “Como mulçumanos, precisamos nos posicionar e falar sobre quem somos. Se queremos desafiar estereótipos, temos que começar a nos definir e não vamos conseguir fazer isso sentados, quietos, em casa, esperando que as pessoas nos entendam”. Esse papel socializante da Rainha é muito importante para o mundo e , em especial, para países com os Estados Unidos, praticamente, às vésperas de uma eleição, onde o principal candidato é o democrata , descendente de mulçumanos, Barack Obama.
                                          Saraiva Filho                              29/07/08

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28.7.08

O PAPEL DOS VICE NO GOVERNO

Diz a legislação, inclusive a Constituição Federal, que os Vices têm a função precípua de substituir os titulares dos cargos, na eventualidade de suas ausências, incluindo a vacância do cargo, por morte ou outro motivo legal de afastamento. Enquanto isso não acontece, é uma função vazia de propósitos e remunerada, com direito, quase sempre, a gabinete, funcionários e mordomia, mesmo considerando que o vice, dificilmente, assume uma posição de destaque na atuação do governo, seja do Município, do Estado ou da União.

Em raros casos, o vice assume alguma função no governo, como auxiliar do detentor do cargo, seja em um Ministério ou Secretaria de Estado ou do Município, seja participando das decisões tomadas pelo titular. Aliás, não está essa figura, com função de substituto, obrigado por lei, a exercer essas tarefas. Fica apenas previsto que auxiliará, de uma forma generalizada, o titular do cargo majoritário, sem qualquer papel definido, a não ser em caso de substituição.

Na verdade, é uma função inútil, onerosa para os cofres públicos e que o titular do cargo a ser substituído fica obrigado a aceitar, sem que tenha a função do vice passado pelas urnas, a não ser atrelado nas costas do prefeito, do governador ou do presidente da República. Fazer com que ele tenha eleição própria pode unir, no comando do Executivo, pessoas de partidos diferentes, até desafetos políticos, fato que desorganizará o governo, gerando uma incompatibilidade de difícil solução.

Até na campanha política o vice é deixado de lado, mesmo que agregue votos, pois terá a segurança de, também, ser eleito, se o cabeça de chapa o for. É sempre uma figura tão apagada que pode deixar de existir, de modo que há sempre um substituto eventual ou permanente, autorizado por lei, a assumir o cargo, que são os presidentes das Câmeras e, no caso do presidente da República, há toda uma cadeia sucessória, obedecendo à ordem decrescente, a partir do Presidente da Câmara federal, seguido do Presidente do Senado e do presidente do Supremo Tribunal Federal, nos casos de ausência do titular e do vice.

Sendo inútil essa função de Vice, não há motivo para mantê-la existindo nas constituições federal e estaduais e nas Leis Orgânicas dos Municípios, cabendo ao substitutos previstos em lei, no caso os presidentes das Câmaras, exercerem essas funções, sem que isso atrapalhe suas atividades legislativas, a não ser em caso de substituição permanente em final de mandato, quando não possa mais ser providenciada outra eleição.

Ter um Vice custeado pelo Estado ou pelo Município não passa de mais uma função inócua no governo, mesmo que ele se proponha a ter “voz” atuante no comando do executivo, coisa que dificilmente ocorre, pela concorrência que se abre com o titular. Nada melhor, portanto, para o país do que sua eliminação, através de reforma constitucional, extinguindo mais esse peso para o erário público.
                                          Saraiva Filho                          28/07/08

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27.7.08

OLIMPÍADA NO PAÍS DA CENSURA

Todos sabemos que as festividades das Olimpíadas é uma oportunidade de confraternização dos povos, não importando muito o resultado das competições, mas a oportunidade de reunir delegações e torcidas de vários países em uma aproximação que demonstra a cultura, o modo de ser dos povos. A escolha da China, arraigada a princípios de censura da época do comunismo de Mao Tsé Tung, tenha, talvez, o intuito de dissolver essas práticas totalitaristas, no embalo de novas ondas do mundo moderno, onde a liberdade de expressão ganha corpo, cada vez mais.

Infelizmente, não é isso que está acontecendo, pelo menos nessa fase inicial das festividades, ao ser entregue uma espécie de Cartilha, com 22 restrições e 4 proibições, junto com os ingressos olímpicos. Há restrições inusitadas como ficar bêbado, fazer apostas, tocar instrumentos musicais, tirar fotos com flash, acender isqueiros, ficar em pé nas áreas das arquibancadas sentadas, proteger-se do sol com sombrinhas e gravar imagens com câmeras de vídeo profissional, sendo considerados comportamentos inadequados, perturbando a “harmonia” do evento.

Por sua vez, os torcedores não poderão fazer das arquibancadas um lugar de protesto, com faixas, camisetas e panfletos com dizeres de conteúdo crítico. Essa Cartilha da censura resume sua intenção principal ao considerar como conteúdo proibido tudo que fizer menção à religião, à política, ao Exército, aos Direitos Humanos, aos direitos dos animais e à proteção ao meio ambiente.

Em síntese, a tudo que integra a vida humana em liberdade é proibido, no mais deslavado desrespeito à opinião das pessoas e ao sagrado direito de liberdade de expressão. Há outras proibições esdrúxulas de aparente menor significado, mas que tolhem o comportamento dos torcedores olímpicos, onde a censura desempenha seu papel principal.

Se a intenção da escolha da China foi diluir essa mentalidade da proibição, houve efeito contrário, disseminando nos que estão indo àquele país, seja qual for sua condição, de turista ou de torcedor, o sistema predatório da censura. Muitos incidentes ocorrerão com essas pessoas, provocando constrangimento e, quem sabe, até crise diplomática, em nome de um regime fechado, onde a confraternização será tolhida por regras impeditivas da livre manifestação do pensamento.

Cabe, portanto, à imprensa livre o papel de denunciar abusos, veiculando notícias desagradáveis, é certo, em vez de fazer a cobertura normal dos jogos, para o resto do mundo. O grande tema proibido é o caso do Tibete, que fez a cantora irlandesa Björk ser proibida de cantar e prosseguir seu show, porque pronunciou a palavra”Tibet, Tibet”, em um concerto em Xangai, depois de cantar sua música “Declare Independência”, que ela já usara para provocar a independência de Kosovo.

Com isso, ficou proibida a entrada no país de qualquer artista do exterior, generalizando um comportamento de suicídio cultural, em nome da alardeada integridade chinesa. Fica, assim, ameaçada a confraternização desses Jogos Olímpicos de 2008, com a mais pura ranhetice de um governo inseguro, decrépito e em total falte de sintonia com sua economia, cada vez mais capitalista e ocidentalizada. E viva a Independência do Tibete!
                                          Saraiva Filho                           27/07/08

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26.7.08

MERCADO DE AUTOMÓVEIS E A VIDA HUMANA

Neste final de semestre, a indústria automobilística, por meio de suas concessionárias, comemorou um aumento glorioso nas vendas de veículos de passeio, causando otimismo na economia em geral e profundo ressentimento nos ambientalistas. Enquanto a economia se desenvolve, com vantajosos índices semestrais de lucro e aumento do emprego, a produção de mais automóveis coloca nas ruas, com vendas espetaculares, um número assustador desses veículos.

Esse número exorbitante de veículos nas ruas causa poluição, interfere na camada de ozônio, cria problemas de estacionamento e se encarrega de enormes congestionamentos todos os dias e, em especial, nos fins de semana. Esses malefícios parecem que já estão entranhados na vida das pessoas, nos grandes centros urbanos, que, apesar das reclamações, não há uma tomada de posição coletiva, lutando pelos direitos a uma vida melhor, com qualidade.

A dicotomia emprego X despoluição ou emprego X trânsito descongestionado faz com que se pense melhor na existência de uma alternativa mais salutar para a vida humana, como o transporte coletivo de qualidade e presteza. Mas há o fator psicológico do apego ao carro, tanto como stastus social, quanto como não ficar adstrito a horários de coletivos, compondo uma espécie de “boiada” que sai dos ônibus, em horários determinados.

Um economia centrada, também, na indústria automobilística conspira contra a vida humana, de vez que, de um lado, dá sustento material à inúmeras famílias e, pelo outro, priva-lhes de uma vida com qualidade, em todos os aspectos. É uma equação difícil de formular, quanto mais de resolvê-la, a não ser que essa industrialização do país se volte para outro objetivo, como indústria de turismo, a indústria de alimentos, etc.

Com o foco desviado da fabricação de automóveis, pode ser que o Brasil tenha uma qualidade de vida melhor nas grandes cidades, suprindo, também, a questão da subsistência dos brasileiros. Além disso, há outros tipos de indústria que empregam, mas não poluem tanto, dentro do setor produtivo da sociedade, deixando de fazer do país apenas um centro de montadoras e levando-o à posição de criador de modelos de produtos industriais.

Esse binômio emprego e poluição pode ter outros resultados positivos, que não seja o de comemorar um grande volume de automóveis vendidos, mais um punhal cravado na qualidade de vida das pessoas. A parte estrutural da economia não pode ser mais aquela dos anos 60, no mundo inteiro, que serviu a uma época que já está longe e não atende mais ao modo de vida deste milênio.

A cada automóvel fabricado dois mais passam a circular no país, com o comércio de usados, triplicando a frota que circula pelas ruas e avenidas das cidades. Isso é uma posição inconcebível nos dias atuais, onde, cada vez mais se procuram meios de despoluir o planeta, não importando, neste caso o combustível utilizado, pois a poluição não vem só dos motores dos carros, mas das ruas, do controle da frota e de vários mecanismos atrelados ao automóvel.

A classe média precisa se acostumar a andar de transporte coletivo, sob pena de chegar uma hora em que nem poderá mais tirar seus veículos da garagem, por falta de lugar nas ruas. Ou toma essa posição, ajudada por meios alternativos de transporte, como ônibus, trens, metrôs e vans com qualidade de serviço, ou cairá na vala intransitável de veículos, como já acontece, por exemplo, na cidade de São Paulo.
                                   Saraiva Filho                            26/07/08

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25.7.08

A ESPIONAGEM ESTÁ SOLTA

Estamos vivendo o que George Orwell previu no livro 1984, publicado, pela primeira vez, em 1949, retratando o cotidiano de uma sociedade totalitária, com o auxílio da vigilância de meios tecnológicos. Somos espionados com câmeras pelas ruas, pelo telefone e pela internet, com um tipo de espionagem sofisticada, como descreve o livro à época, onde a tecnologia de ponta é usada para controlar as pessoas.

Em recente declaração do Ministro da Justiça, Tarso Genro, houve o reconhecimento oficial dessa situação, ao afirmar que “ Todo cidadão, ao falar ao telefone, tem que ter a presunção de que alguém está escutando”. Referia-se ele às recentes escutas telefônicas legais e ilegais no rumoroso caso do banqueiro Daniel Dantas, mas isso se estende a todas as pessoas que têm sua vida privada vasculhada por verdadeiros bandidos, que usam esses expedientes para intimidar o cidadão comum, anunciando seqüestros inexistentes ou chantageando, de alguma forma o correto cidadão.

Por todos os lugares onde se freqüenta, há uma câmera escondida, um “grampo” telefônico, um computador invadido, na mais autêntica demonstração da incapacidade do Estado em controlar esse tipo de violência. Por isso, diz conformado o Ministro: “Não tem jeito. Todo mundo, ao falar ao telefone, tem que tomar cuidado, porque pode estar sendo monitorado, ou por “grampo” legal, ou ilegal. Isso tem sido combatido, mas chegam ao país, via contrabando, muitos equipamentos de escuta”.

Em um país em que o próprio Ministro da Justiça reconhece a prática de dois ou mais crimes como coisa normal, não tem jeito mesmo. Apesar de alegar que estão sendo tomadas medidas para combater essa situação, isso se revela de uma gravidade incrível, onde fica decretado que esse modelo de Estado está falido, sem a menor condição de permitir ao cidadão as garantias mínimas de privacidade, em nome de uma turba de malfeitores, do colarinho branco ao marginalzinho na cadeia, que, efetivamente, controlam a vida das pessoas, em uma inversão de valores nunca vista.

Cada um que se cuide e se precavenha, da melhor forma possível, pois a espionagem está solta, da forma mais cruel e totalitária, pois feita por bandidos. É o Estado sendo “assaltado” pela bandidagem, em todos os sentidos, inclusive no controle de suas ações e que não se culpe a avançada tecnologia, mas o seu mau uso, permitido pelo próprio Estado.
                                           Saraiva Filho                           25/07/08

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24.7.08

MILITARIZAR OS ÍNDIOS

O Chefe do Estado Maior do Comando Militar da Amazônia – CMA defendeu a presença de índios entre o efetivo das tropas que protegem a região da selva amazônica, sob a alegação de que a incorporação de indígenas à tropa garantiria a vantagem de apoio da população local. A finalidade seria, também, unir o conhecimento do terreno à perícia de combate, uma mistura que em teoria seria fabulosa, mas de duvidosa praticidade.

Logo no início da colonização brasileira pelos portugueses, houve a tentativa de escravizar os índios e não deu certo, pelo que se conhece como a índole indígena ligada à liberdade. Na época havia índios de verdade, vivendo, exclusivamente, da natureza, daí a necessidade de viver em grandes áreas de terra, a fim de praticar a caça e a pesca, seus meios de subsistência.

Esse índio foi perdendo suas características, sua cultura, a não ser a parte folclórica, encenações para estrangeiros ver, e se integrando cada vez mais à chamada vida “civilizada”, passando à condição de agricultor ou pecuarista, quando não imigra para as grandes cidades, em busca de emprego. Um índio de sangue e de aparência física, mas com a alma dilacerada por não poder mais levar uma vida de índio, mas incorporando tecnologia ao seu dia-a-dia, como qualquer cidadão deste país.

Um índio que não pode ser mais índio e não consegue ser um cidadão civilizado, boiando no meio dessa indefinição, que a FUNAI faz questão de garantir, para justificar sua própria existência. Pessoas tuteladas pelo Estado, a partir da Constituição, aprisionados em sua incapacidade de não ter direitos como qualquer um, cingidos a reservas e áreas limitadas, não podendo ser mais índios, mas um arremedo de homens.

Os norte-americanos extinguiram seus índios por meio de matança feroz, que, hoje, seria considerada genocídio, eliminando-os à bala ou encarcerando-os em prisões inóspitas e, mais tarde, usando, para os que sobraram, o sistema de reservas. Esse mesmo sistema perverso que é utilizado no Brasil, sem a mínima condição de uma existência nos padrões dessa cultura, mas com a aparência de um tratamento digno e especial.

A nossa ”matança” dos índios é mais odiosa, porque lenta, gradual, forçando-os, sem usar a violência física, a mudar de vida, a abandonar seus conceitos do mundo, a ter suas crenças. Uma violência simbólica que faz os índios recorrerem à saúde pública dos brancos e não mais a seus pajés, que foram deixando de saber tratar as doenças trazidas pelos “brancos”.

Um modo de vida novo, ao qual nunca se adaptaram, usando nossos trajes, comendo da nossa comida, subsistindo como qualquer miserável brasileiro. E agora, não bastasse isso, querem fazer dos índios militares, encarcerando-os a uma disciplina rígida, obedecendo a ordens, sem questionar e, como subalternos, querer reviver um modo estranho de “escravidão”, sempre lhes tolhendo a liberdade, em nome de um soldo pequeno, o qual não necessitariam, caso pudessem levar seu estilo de vida, bem distante do que conhecemos como pobreza, de vez que não há o conceito de propriedade privada na cultura indígena.
                                           Saraiva Filho                           24/07/08

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23.7.08

POSIÇÃO ATUAL DA AGRICULTURA NO MUNDO

Na área de comercio internacional sobre questões da agricultura, há um enorme impasse, considerando os subsídios que os países ricos dão, internamente, e a liberalização de tarifas aduaneiras para esses produtos. Essas questões vêm se arrastando desde 2001, quando os países membros da Organização Mundial de Comércio – OMC se reuniram em Doha, capital do Qatar, para traçar as linhas mestras do livre comércio de produtos agrícolas, reunião que ficou conhecida como a Rodada de Doha.

As negociações estão centradas em definir as modalidades de produtos que poderão ter tratamento diferenciado nos capítulos de agricultura e bens industriais, na hora de cortar tarifas de importação ou subsídios. Outra questão polêmica será a disputas entre países pelo mercado europeu de bananas, que pode travar a negociação em torno da definição da lista de produtos agrícolas considerados tropicais, que teriam acesso mais fácil a um mercado liberalizado.

Um grupo de países exportadores latino-americanos recusou a proposta da União Européia de reduzir suas barreiras para o produto nos próximos sete anos. Liderados pelo Equador, eles exigem uma liberalização profunda, que lhes permitam competir em igualdade de condições com os países do chamado ACP (África, Caribe e Pacífico), países mais pobres, beneficiados, atualmente, por um sistema preferencial de isenções de tarifas na Europa.

A questão básica dessa reunião se dá em torno da concessão de subsídios que os países ricos dão a seus produtos, prejudicando a entrada de produtos agrícolas de outros países, que, também, enfrentam questões internas. O Presidente Sarkozy já criticou, repetidamente, as ofertas de seu negociador-chefe sobre as ofertas do comissariado do comércio e alertou que não permitirá novas concessões no capítulo agrícola.

Por outro lado, a representação comercial americana sofre forte pressão do Senado dos Estados Unidos, para não aceitar um corte maior nos subsídios agrícolas. O Brasil, que se diz preparado para fazer maiores concessões no capítulo industrial, deve levar em conta a resistência da Argentina, seu sócio no Mercosul.

Tudo gira em torno, por um lado, da oferta de alimentos para o mundo, carente desses produtos, sem que os países ricos abram mão dos subsídios que dão à agricultura em seus países e do outro, da questão industrial, com maior penetração dos produtos dos países emergentes. Só falta, para encerrar esse assunto polêmico, que esses emergentes abram uma espécie de “Daspu”, para concorrer com as “ Daluz” do primeiro mundo.
                                                 Saraiva Filho                     23/07/08

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21.7.08

OS CURSOS ON-LINE NO BRASIL

 
A facilidade tecnológica de comunicação on-line, em nosso país, deveria fazer com que houvesse uma profusão de Cursos de diversas naturezas nas universidades brasileiras, graduação, prós graduação e extensão, realizados através da internet. Mas a realidade é outra, em função dos entraves burocráticos colocados pelo MEC, em elaborar, por exemplo, a regulamentação de uma lei que autoriza a realização de Mestrado e Doutorado on-line.

Os cursos que existem são de Especialização e exigem atividade presencial, não sendo, inteiramente, on-line, o que dificulta às pessoas interessadas nos mais diversos Cursos os acompanharem, devido ao deslocamento imposto pelas instituições de ensino. Se esse deslocamento é dispendioso e difícil para pessoas fisicamente normais, pior se torna para os portadores de deficiência motora, que jamais podem comparecer à parte presencial dos cursos.

Há uma desconfiança por parte das instituições e do próprio MEC de que possa haver engodo na realização das atividades escolares, caso o programa educacional seja inteiramente on-line. Esse medo de fraude por parte do aluno e das próprias instituições dificulta a vida de muitas pessoas que, por deficiência permanente ou falta de tempo de cumprir os horários convencionais, são impedidas de obter mais conhecimento e um diploma, impulsionando suas carreiras.

A grande alegação para a existência de cursos inteiramente on-line está na ausência de tecnologia educacional adequada, para a efetivação desses programas. Em outras palavras, a metodologia disponível para a educação à distância se vê tolhida à concepção de sala de aula, sem falar nos temores da “cola”, sendo o curso pela internet.

É de se notar que essa noção de “cola” está ligada ao tipo de questões colocadas aos alunos, de vez que há provas onde é impossível fraudar as respostas, pois elas terão de ser pessoais, com a visão que o aluno tem do assunto e, nem pesquisando no Google, haverá as respostas prontas, já existindo tecnologia disponível para se saber se houve cópia, como acontece com as monografias como trabalho de conclusão de curso. Falta boa vontade, até mesmo das universidades particulares para promover os cursos, inteiramente, on-line, pois teriam que investir nessa metodologia nova.

Não percebem essas instituições privadas que o investimento feito na execução dessa metodologia renderia frutos valiosos de retorno e o MEC não atina para a ampliação do conhecimento, através de cursos on-line, muito mais eficientes dos que essas faculdades de fim de semana disseminadas pelo Brasil, devidamente reconhecidas e que são um fiasco em termos educacionais. Pelo fato de serem presenciais essas instituições têm credibilidade, o que não acontece com os cursos pela internet, frustrando um enorme contingente de pessoas, que não podem freqüentar os cursos regulares.

Nos países mais adiantados, em termos econômicos e de mentalidade, esses cursos existem e são bem procurados, considerando que é incrível dispormos dessa tecnologia da informação e da comunicação e não sabermos aproveitá-la de forma integral. Talvez em um futuro que não seja mais o desta clientela ávida por conhecimento, independendo da idade, venha a existir essa modalidade de ensino.
                                     Saraiva Filho                             21/07/08

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