LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

17.6.08

O COZIMENTO DE UMA GUERRA CIVIL

Há muito tempo vem sendo cogitado o fato que se delineia, a partir do Rio de Janeiro e de São Paulo, alastrando-se para outros Estados, de uma possível guerra civil, no contorno de um desenho que se clareia e fica mais nítido, à proporção que o tempo passa.

Muitas ocorrências já se verificaram, em especial nos últimos anos, envolvendo os traficantes, o Exército, as Polícias Civil e Militar e a população periférica, principalmente os favelados, trazendo conseqüências trágicas para todas as partes. Não é de hoje que os políticos e parte dos setores de segurança pública se envolvem com traficantes para engordar seus caixas de campanha e as “caixinhas” da maioria dos policiais, em um despudorado e vergonhoso convívio, que só traz medo, insegurança e desconforto moral para o povo.

Bem recente, houve o incidente com alguns integrantes do Exército Brasileiro, que entregaram 3 jovens do morro da Providência, por os haverem desacatado, à traficantes do morro da Mineira, que é controlado por uma facção rival, e estes jovens foram encontrados mortos no dia seguinte. Esse fato cafajeste demonstra a falta de preparo do Exército para o policiamento ostensivo.

Na verdade, esse braço das forças armadas estava no local para garantir a integridade dos servidores do Exército que trabalhavam no PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, que faziam obras de revitalização urbana na região. Jamais para garantir o bem-estar da população, que é função da polícia, mas as coisas terminam se misturando no convívio com o povo.

Essa lamentável ocorrência com pequena parcela de militares do Exército é mais uma demonstração cabal do nível de insegurança que vive grande parte do país. A qualquer momento, não mais a nível localizado, essa bomba-relógio estoura em confrontos desordenados das partes envolvidas, gerando uma massa de conflitos do tipo das tribos africanas.

Chegará, sem alarmismos, o momento em que não se sabe mais quem é bandido, quem é polícia, tal o envolvimento das partes nessa guerrilha urbana. A população trabalhadora, honesta, cumpridora de seus deveres para com o Estado, não recebe deste o mínimo de segurança, direito garantido na Constituição Federal, no seu artigo 5º.

Aliás, a Constituição, Lei fundamental do país, é a que menos vem sendo respeitada pelo próprio governo, que, a todo momento, a agride e rasga, com a desfaçatez de quem pula uma inocente cerca. Isto na insensatez dos desatinos que vem cometendo, como o apoio, apenas para citar um exemplo, à possível renovação da CPMF, através da Contribuição sobre a Saúde – CSS, visivelmente contrária à Lei Magna.

Um país que não respeita sua Lei Maior, não pode combater a criminalidade, nem evitar que ela se avolume, de tal forma, que se transforme no caos geral da insegurança. Muito menos pode impedir que os confrontos se agigantem, até se transformar em guerra civil, alimentada pela miséria e pelo desenfreado tráfico de drogas.
                                     Saraiva Filho                  17/06/08

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16.6.08

MAIS INCONVENIÊNCIAS DE BUSH

Não se conformando com as tresloucadas decisões tomadas sobre a guerra do Iraque e as freqüentes provocações ao Irã, o presidente Bush, desta vez, resolveu elogiar, pessoalmente, a escolha da atual esposa do presidente francês Nicolas Sarkozy, parabenizando-o por tal ocorrência. Esse fato aconteceu durante a sua turnê por alguns países, como uma espécie de despedida do seu cargo à frente do governo americano.

Habituado a soltar disparates sobre questões importantes, resolveu na França, tocar em um assunto delicado para o seu presidente que, praticamente, foi abandonado, para não usar palavra mais forte, pela ex-mulher e casou-se com Carla Bruni. Bonita, elegante, cantora e atriz, de uma beleza madura encantadora, a atual esposa de Sarkozy foi muito criticada pela sua postura, que pareceu oportunista.

O fato de ter sua vida doméstica desorganizada, logo no início de seu mandato e de ter casado com uma pessoa pública de reputação não muito respeitável para ser a mulher que se espera de um presidente, ocasionou muitas críticas ao seu governo. Criou-se uma situação embaraçosa para Sarkozy, na qual o tempo vem dissolvendo mal entendidos, na verdade, um ponto frágil para o comandante francês.

Sem ter a menor sensibilidade, coerência e falta de mancômetro para tocar em um assunto dessa natureza, Bush disse que Carla Bruni é uma mulher inteligente e capaz, afirmando, literalmente: “ Eu posso ver porque você se casou com ela”. Uma atitude de aparência inocente e cortez, mas que, no contexto da França, assume proporções devastadoras e, no mínimo, embaraçosas.

Como na imprensa francesa Nicolas Sarkozy é chamado de “o americano”, por seu alinhamento com as idéias direitistas de Bush, sendo ele mesmo Sarkozi de direita, foi alvo de elogios, ainda, de Bush, por seu uma pessoa cheia de energia, de sabedoria. Em se tratando do presidente que está deixando o governo, um, dizem ex, alcoólatra e disléxico, qualquer outro presidente é sábio e cheio de energia, por se tratar de uma pessoa, totalmente, sem condições para presidir os Estados Unidos, como ficou provado ao longo desses quase 8 anos de governo.

Levou o país à bancarrota, tornando-o desacreditado, internacionalmente, tomando medidas desavisadas e sem controlar a economia interna, tornando os USA um território sem comando de pulso e à frente das questões importantes no mundo. Destruiu a abalada invencibilidade de país poderoso, já enfraquecida com a derrota no Vietnã e se jogou, pela cobiça do petróleo, na campanha absurda e inconseqüente do Iraque.

Para culminar com suas inconveniências, declarou nessa sua triste visita que: “A França foi o primeiro amigo dos Estados Unidos” ao ajudá-lo na guerra pela independência americana contra a Grã-Bretanha, em 1796. Demonstrando desconhecimento da história de seu país, não sabia que a França colonizava a América do Norte e, nessa guerra citada, insurgiu contra a Inglaterra, para não perder a colônia, jamais para defender as terras desse continente, se ela era a própria colonizadora. Será que estava alcoolizado ou não sabia mesmo?
                                       Saraiva Filho                   16/06/08

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15.6.08

TRIBUTO A JAMELÃO

O universal Jamelão deixa vazia, com sua morte, a música brasileira, em especial o samba da Mangueira, onde se tornou o ícone dos puxadores das escolas de samba, sem que se esqueça todo o seu trabalho como cantor internacional. Além de cantor, José Bispo Clementino dos Santos – o Jamelão - era compositor de várias músicas de sucesso e sabia interpretar como ninguém músicas de Lupicínio Rodrigues, como “Esses Moços” e “Ela Disse-me Assim”, alem de outras como “Nunca” e tantas mais.

Com sua voz rouca, com timbre negróide e uma cadência inigualável aquele homem grande, forte, tinha a sensibilidade que manteve até o fim, com seus 95 anos de idade, a saúde já abalada, mas sempre um estandarte de dignidade, trilhando caminhos nem sempre da sua área. Aos 93 anos, desfilou por uma grife famosa, recebendo calorosos aplausos de enorme público, talvez não tão densos quanto os da verdadeira apoteose de outros fãs, que sempre o recebera, durante 50 anos, comandando o espetáculo majestoso de incentivar o público na travessia pela avenida de sua escola, a Mangueira de seu coração.

Adolescente engraxate foi descoberto por acaso numa demonstração particular de rua, expondo sua alegria no intervalo do trabalho e levado para cantar em gafieiras da capital fluminense, onde recebeu, não se sabe de quem, o apelido de Jamelão, uma fruta escura, dura e pouco comercializada. Retrato exato da personalidade de José Bispo, que, como cantor de música popular romântica e de sambas antológicos, não se deixava manipular por gravadoras, entrando na roda viva de cantor moda, de fácil ascensão.

Entrou na música pela porta da frente, construindo seu prestígio com o talento excepcional de que era possuidor e, onde quer que se apresentasse sempre com sobriedade e altivez, elevava a música brasileira a um patamar superior. Era um homem forte, duro como a fruta de seu apelido que, com 93 anos, ainda, fazia três horas seguidas de show e conseguia empolgar a Sapucaí, evoluindo, de forma peculiar, a música contagiante ou não de sua escola.

Apresentou-se na Europa, em especial na França, onde deixou sua marca inconfundível de músicas introspectivas e sambas esfuziantes do carnaval brasileiro, empolgando platéias internacionais com a grandiosidade dos grandes mestres e a beleza de ser um entusiasta da música. Afastado do carnaval desde 2007, foi obrigado a curvar-se à doença e aos transtornos da velhice, mas sem nunca perder, mesmo de longe, o entusiasmo e o enlevo das apresentações da Mangueira na avenida. Sentia-se empolgado e empolgando os foliões, na composição dessa festa grandiosa que é o carnaval do Rio de Janeiro.

Cada um presta seu tributo da maneira que sabe fazê-lo, com a maior eficiência e desvelo e, sem saber homenageá-lo com música, faz-se com palavras, ingrediente que pode estar, também, na música, expressando o respeito, a deferência e o reconhecimento a essa figura ímpar da cultura do Brasil.
                                         Saraiva Filho                    15/06/08

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14.6.08

A ARTE DESPROTEGIDA

A arte, no Brasil, é tratada, basicamente, como um subproduto de fachada de atuação governamental, sem políticas públicas de auto-sustentação, ficando a atuação nessa área à mercê do humor de governos e dos empresários mecenas. Ao centralizar no Ministério da Cultura os recursos para a enorme diversidade de arte que existe, além da cultura popular, fica evidente que muitas dessas artes ficarão de fora das asas protetoras (sic) desse órgão público.

Não é desse jeito que se coordena o setor das artes no país, desmotivando pessoas e instituições que se interessam em atuar e promover o setor artístico nacional. A definição clara de políticas voltadas para a arte, seja como atividade empresarial, seja como atividade pública, torna inócua qualquer atuação do Ministério da Cultura nesse setor.

Com os olhos voltados para a cultura popular, essa instituição governamental privilegia áreas desse tipo de cultura, tornando patrimônio cultural do Brasil comidas típicas, músicas, brincadeiras populares, que já fazem parte da história do país. É certo que desse campo deve cuidar o Ministério, porém, jamais, em detrimento da cultura erudita, jogada às traças nos escaninhos dos programas de computador, em arquivos nunca abertos, nem para consulta.

Os mais recentes roubos nos museus brasileiros é uma prova cabal dessa desproteção material, locais onde não há segurança, sem detectores de metais, serviços de câmaras eficientes, em se tratando de prédios que têm um conteúdo bastante valioso, a preços de mercado. A não ser velhos vigias, na maior parte das vezes, sem uma arma, atrelados a um sistema de controle de visitantes, ficam os prédios entregues à vontade dos ladrões especializados.

Sabe-se que o roubo de obras de arte ocorre no mundo inteiro, mesmo onde há respeito e diligência no serviço de segurança, sendo mais uma razão para que se implante um sistema eficiente de guarda, conservação e manutenção desse patrimônio. Mas a desproteção da arte está mesmo em um plano mais alto, mais abrangente, envolvendo a questão da produção, divulgação, fiscalização e orientação do setor artístico.

Se o Brasil não conseguiu impedir a devastação da mata atlântica, não está impedindo o desmatamento da região amazônica, quer tratar o biocombustível, paralelamente, à produção de petróleo, sem dar prevalência ao primeiro, o que se pode exigir para a arte? Óbvio que não pode se exigir que o alimento da alma seja tratado com seriedade e vigor necessários ao seu desenvolvimento.

Muitos acreditam, ainda, literalmente, que a arte é inútil. Mas essa visão estreita está contida, apenas, na concepção específica de um capitalismo que vê na arte, somente, um produto mercadológico, sem atentar que, mesmo em um capitalismo mais avançado e inteligente, é uma fonte de renda impressionante. O Brasil, como governo, não enxerga isso e fecha os olhos cegos para um setor dinâmico e enaltecedor do ser humano.
                                            Saraiva Filho               14/06/08

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13.6.08

A PRISÃO DE UM ROMÂNTICO

No dia de ontem, 12 de junho, instituído em nome dos que amam, trás a chama do silêncio transposto e invade corações apaixonados, das mais diversas formas. Um jovem de 19 anos pegou seu violão, comprou um buquê de flores e invadiu a Escola Arnaldo, no bairro dos Funcionários, no centro de Belo Horizonte, para fazer uma serenata à sua namorada.

Tentou primeiro a portaria do prédio e foi barrado, resolvendo, então, escalar o muro e entrou, mas foi visto por uma professora que o denunciou ( talvez até mal amada). A polícia foi chamada, nesse dia em que tudo se perdoa em nome do amor e levou o rapaz até à Delegacia. (foto). Sem usar a fórmula correta e, talvez, poder-se-ia dizer civilizada, objetivou o jovem causar impacto, colocar a garota sem saída, demonstrando na formula ousada, a grandiosidade de seu amor e a fragilidade das convenções sociais. Um amor sem fronteiras de muros escolares, sem o ditatorial comando das autoridades e até infringindo a Lei.
Mas o amor não tem limites, traduz liberdade, principalmente, nos jovens com suas aguerridas fórmulas de ultrapassar horizontes. O violão, uma serenata para cantar uma composição sua ou as palavras de algum poeta, quem sabe insano, porque ama, musicalizada com eficiência e ardor, revelando, também a emoção do rapaz.
Os rigores da Lei se esqueceram que, ontem, foi um dia todo cheio de amor, a quimera realizada, na conquista do ente amado. Prender o rapaz!… que falta de sensibilidade, se suas armas são de paz, com flores e violão, alegria e ausência de pudor que só o amor pode ter.
E, lá na delegacia, nota-se ser um jovem não violento que apenas ama, desmesuradamente, não importa se invadiu ou adentrou, sem autorização, um recinto de ensino. Importa que quis demonstrar o seu amor, a sua alma para a pessoa amada. Isso deveria ser contagioso, invadindo corações, tornando o mundo mais saudável!
As leis desse convívio humano, muitas vezes, não são compreendidas, de vez que são aplicadas, indevidamente, a casos explícitos de não violência. Escalar o muro não pode ser enquadrado em invasão, propriamente dita, tanto que, após prestar depoimento, a autoridade policial liberou esse amante romântico, de intrépidas investidas, para demonstrar o seu amor.
                                               Saraiva Filho 13/06/08

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12.6.08

A CULTURA POPULAR E A NORMA CULTA

Valorizar a cultura popular, como expressão genuína e espontânea do povo deve ser incentivada até certo ponto e depois passar para a história como lembrança e exemplo de resistência e adaptação de um povo sofrido pela escravidão ou pela pobreza nordestina. Caberá aos historiadores manter vivo nos livros, nos estudos e pesquisas esses costumes, festanças e hábitos, principalmente, os causos relatados na linguagem oral.

Ainda hoje, mantêm-se a existência da linguagem escrita descrevendo causos, como acontece com os patativa do assaré nordestinos, fazendo versos com história da vida do caboclo, não se utilizando da norma culta. Apenas descreve fatos com uma linguagem escrita com a pronúncia das palavras, sem obedecer ao que determina a língua oficial, embora, em se tratando de poesia, poderia haver, com limites, a chamada licença poética.

Como acontece em outras manifestações de cultura popular, alguns intelectuais ou ditos intelectuais endeuzam o primitivo, enquanto ausência de conhecimento. Em si, é uma contradição, de vez que não valorizariam essas manifestações se não tivessem o conhecimento da importância delas, para vários campos do conhecimento, como a Sociologia, a Antropologia, etc..

Esse comportamento é um negar-se a si próprio como intelectual, desejando manter vivas essas tradições, que já não se auto-sustentam, a não ser servindo de exotismo para estrangeiros deslumbrados, que em nada contribuem para a preservação da “brincadeira”, mas apenas para a indústria turística. Inclusive esses “gringos” levam do nosso país uma imagem de local atrasado e de um povo rudimentar.

Mas o problema maior é denegrir a língua culta, instrumental indispensável ao desenvolvimento de um país, língua por meio da qual se discute, analisa e constrói o conhecimento científico e tecnológico, necessários ao aprimoramento e crescimento de uma nação. A língua e a linguagem cabocla ou caipira não permite que se participe de uma mesa de negociações para, por exemplo, validar e conscientizar europeus e americanos do norte da importância do etanol.

A cultura popular, em seus mais diversos aspectos não é, propriamente, a raiz de nossa cultura, mesclada por outros povos de origem intelectualizada, mas, apenas um subproduto, oriunda de um povo que não pôde se instruir e que não sabe manipular o conhecimento aprendido na escola. É, também, o subproduto de valores, eivados de fantasia, mistério e crendices, por pura ignorância.

Os tais intelectuais se encantam com a onda de “democratização” do conhecimento, que seria trazer esses assuntos populares à uma pauta de discussões, porque está na moda aparecer como “liberal”, de uma liberdade inócua. Ir contra a norma culta, favorecendo poesias caipiras, vende, é apreciada por pessoas de nível intelectual baixo ou aqueles que têm um verniz, mas querem revalorizar uma coisa ultrapassada, valorizando coisas sem valor teórico, sem substância.

Com essa brincadeira de valorizar, quer-se mostrar que ficaríamos no mesmo patamar da ignorância e nem precisaríamos ir à escola, para aprender a norma culta. Mas sem essa norma, não se pode analisar e discutir Patativa do Assaré ou Ariano Susassuna, sem um conhecimento prévio de conteúdo educacional.
                                            Saraiva Filho                12/06/08

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11.6.08

 

 

                          O arrtigo de hoje, 11/06/08, está no Blog Palavras e Cores
        http://sempreescritor.blog.terra.com.br

 

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10.6.08

AS FACILIDADES DA LEI PENAL E O CRIME

 
A aplicação da Lei Penal, principalmente, a de Processo Penal e a de Execuções penais sempre foram muito benevolentes com os criminosos. Apoiadas nas teorias da possibilidade ilusória da reabilitação do criminoso foi implantado o sistema de aplicação da pena progressiva, onde o detento, mesmo nos crimes de assassinato, pode ter a pena reduzida, cumprindo apenas um terço daquela que lhe foi aplicada pela justiça, alem de ter tipos de penalidade mais leve, quando o preso passa o dia na rua e vem apenas dormir no presídio.

Recentemente, no bojo da reforma do Código de Processo Penal, acabou-se com o segundo julgamento obrigatório para crimes de assassinato, com pena atribuída superior a 20 anos. Reduziu-se a idade de 21 para 18 anos, para ser jurado e incluiu-se ainda a inviabilidade das provas obtidas, ilegalmente, constarem do processo, para não contaminar os autos.

Essa nova forma de encarar o crime, com a impossibilidade de algumas “brechas” na Lei, vem favorecer, no recôndito lugar dos intricados procedimentos jurídicos, um resultado salutar para a sociedade leiga nesses assuntos. Faz com que respire mais aliviada, diante de um castigo mais severo ao criminoso, de forma menos desleixada, como vinha sendo até agora.

As facilidades da Lei Penal são para regimes em países onde o crime organizado não se encontra tão agressivo e desafiador, como é o caso do Brasil e há uma longínqua experiência de reabilitação social do preso, reintroduzindo-o na sociedade sem os vício adquiridos nas cadeias. As nossas penitenciárias são escolas de crime, universidades de delinqüência, refúgio de degradação, em última escala, do ser humano.

Ao ser preso um criminoso não se está penalizando este, propriamente como um castigo pessoal por seus erros, mas penalizando a sociedade em geral, ao ser formado mais um delinqüente com especializações as mais diversas, voltadas para o crime, que será cometido, ao sair desse pernicioso antro que é a cadeia.

A idéia de reabilitação se desfaz diante dessa realidade perversa, dissolvendo-se o ideal romântico da bondade do ser humano, o qual se descaracteriza com o tipo de vida que é obrigado a levar nesse tipo de confinamento. Reunir pessoas com forte histórico de precedentes criminais por um tempo determinado e querer que saia um cidadão digno, ao final de sua pena, é um princípio jurídico-penal, no mínimo, ingênuo.

A implantação de prisão perpétua não vai servir de exemplo, para que outros criminosos não pratiquem crimes, mas, pelo menos isola da sociedade aquelas pessoas que praticam crimes hediondos, com requintes de crueldade, como no exemplo recente do casal Nardoni, onde todas as provas se dirigem para a autoria do crime e muitos outros em que pais são mortos pelos filhos, com o objetivo único destes ficarem com a herança. Sonhar com a reabilitação do criminoso é um sonho vazio, embora haja raríssimas exceções, mas a tendência da detenção por anos é tornar a pessoa mais criminosa.

A extinção do segundo jure obrigatório para quem foi condenado por assassinato a mais de 20 anos é um leve passo na direção da prisão perpétua, devendo ser seguido por a pena de mais de 30 anos, qualquer que seja o crime, mas obedecendo ao número de anos a que foi condenado. Este seria um caminho a ser pesquisado e, talvez, seguido.
                                          Saraiva Filho                    10/06/08

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8.6.08

O ATENDIMENTO AO CLIENTE

 
As empresas privadas que têm uma clientela oscilante e subsistem dela, prestam, em geral, um honesto serviço ao seu cliente, confiantes em que o bom atendimento manterá ou ampliará essa clientela. Já as empresas privadas de clientela cativa como as que prestam serviços concedidos pelo Estado, como telefonia, emissão de sinal de televisão, água, energia elétrica, etc., pouco se importam com a qualidade do serviço oferecido, por terem, obrigatoriamente, a segurança da presença do cliente.

Essa certeza da garantia da presença do cliente, importa na má qualidade do serviço prestado, de vez que não há qualquer tipo de sansão, real, pelo seu desleixo em geral, pelo péssimo tratamento pessoal e pela falta de presteza na execução dos serviços. Com a privatização de muitos serviços públicos, a evidência desses fatos se tornaram gritantes e o volume de reclamações aumentou em muito junto aos PROCONs deste país, que , caso a caso, vão solucionando algumas reclamações.

Nos Juizados de Pequenas Causas vão se avolumando ações que requerem não só o bom atendimento, mas a solução do problema e mais as indenizações que as causas exigem. O sistema nacional de telefonia é a campeã dessas reclamações, principalmente, nos casos de telefonia móvel, onde o engodo preside as ações das companhias, tornando o consumidor mais vulnerável.

O uso da tecnologia, com seus avanços espetaculares é bastante louvável, mas no caso do atendimento ao público, com aquelas irritantes mensagens gravadas que anunciam um menu, distancia o cliente de seu fornecedor, servindo esse meio tecnológico de uma barreira entre um bom atendimento e a necessidade do cliente. Por outro lado, em um país de analfabetos funcionais, relativamente, poucas são as pessoas que sabem utilizar esses serviços e tentam, em vão, procurar um escritório local da empresa, o que não existe.

Essa é uma realidade bastante conhecida dos brasileiros, que são prejudicados por não terem um decente atendimento a um serviço prestado, caindo na malha da enganação, do despreparo e da ausência de um bom serviço prestado. Empresas há que criam os SACs – Serviço de Atendimento ao Cliente, uma espécie de anteparo para que os problemas não cheguem a ser resolvidos, com raras exceções, as quais são louvadas e elogiadas, quando deveriam ser uma prática comum no cotidiano.

Em tudo isso, o contribuinte é o grande lesado e tem como causa as licitações mal feitas ou fraudulentas, enfim, a péssima supervisão dos órgãos do governo encarregados de regulamentar e fiscalizar essas empresas concessionárias. O pior de tudo é que no comércio, no setor de serviços em geral, essa prática já se alastrou e a preguiça generalizada, sob a alegação de péssimos salários, impregnou a prestação de serviços, dos botecos às empresas inteiramente privadas, em rede. Ao consumidor só cabe lastimar essa prática ou submeter-se às longas filas de espera em busca de justiça.
                                           Saraiva Filho                 08/06/08

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7.6.08

A FAO EM CIMA DO MURO

Depois de muitas especulações da FAO – Agencia da ONU para a Agricultura e Alimentação – em que o biocombustível foi apontado como o grande vilão, pelo aumento dos preços dos alimentos, aponta-se um consenso inútil: não há vilões específicos. Isto vem traduzir que esse órgão não foi capaz de detectar, ou não o quis, as causas reais desse desastre mundial, que afeta, principalmente, as populações pobres.

A escassez de alimentos não ocorre no planeta, tanto pela insuficiência de produção, quanto por seu elevado preço no mercado, que não acontece diretamente pela falta dos produtos, mas pelo indigesto meio transporte, com o petróleo carregando por terra, por ar e por mar tudo aquilo que a população necessita. Esse encarecimento não se dá apenas para os alimentos, mas para todos os demais produtos, ainda que ligados, indiretamente, pela produção alimentícia.

Mesmo os produtos que não são alimentícios se ressentem da alta dos preços do barril de petróleo, que ainda comanda, economicamente, o mundo, o que é evidente para qualquer pequeno analista desse tema. Mas a FAO atribui a alta de preços dos alimentos à combinação de diversos fatores, acreditando que os biocombustíveis contribuem, mas não são a causa principal, mesmo sem ter a estimativa certa de quanto eles incidem sobre o preço final, nem mesmo o Banco Mundial.

Essa conclusão veio depois de um verdadeiro escândalo mundial, com o dedo apontado para o biocombustível como o grande culpado por essa crise dos alimentos. E, ainda hoje, afirma que um dos fatores da crise atual dos alimentos é a nova e crescente demanda por produtos agrícolas como o açúcar, o milho, as sementes oleosas e azeite de dendê, por conta do mercado emergente do biocombustível.

Não se fala no trigo, base alimentar de vários produtos indispensáveis, como o pão e os biscoitos e sua crise de produção. Essa crise nada tem a ver com biocombustível, mas, diretamente, com o custo do preço do petróleo, desde o trator e a colheitadeira, até ao pequeno veículo que distribui os sacos nas padarias.

E como o trigo, muitos outros produtos, como legumes e verduras, com suas lavouras devastadas por fenômenos como inundações, ciclones e terremotos, oriundos todos de uma modificação climática causada pelo aquecimento global, onde o grande vilão são os países ricos e sua emissão vertiginosa de gases poluentes. Além disso, esses paises privilegiados não querem abrir mão de seu modelo e estrutura produtiva em prol da humanidade, jogando a culpa pela crise alimentar aos emergentes e sua forma saudável de produzir energia.

É lamentável que uma instituição do porte da FAO venha se comportando, levianamente, na condução desse problema, prejudicando com sua credibilidade o Brasil e outros paises produtores de biocombustível, com acusações inconsistentes sobre o aumento dos preços dos produtos alimentícios. E, agora, nesse último relatório, coloca-se em cima do muro, dizendo que não há vilões para essa causa perniciosa e asperge causas entre diversos setores. Um relatório inócuo e estúpido.
                                              Saraiva Filho 07/06/08

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