LiberdadeDaPalavra

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28.6.08

O CONTROLE DA IMIGRAÇÃO

A recente lei do Parlamento da União Européia sobre imigração, endurecendo o rigor na imigração, principalmente, para os ex-colonizados e o conhecido pessoal da América Latina, revoltou os países atingidos, em função do racismo, propriamente dito, e do chamado racismo de origem. Este último não trata da questão da etnia, da raça, mas da “capacidade menor” que alguns povos de outros países ostentam pela má fama, diminuindo seu valor, principalmente, as pessoas de origem de localidades subdesenvolvidas ou, como querem alguns, em desenvolvimento.

O Brasil é desses países discriminados, em função da maioria de emigrantes que existem tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos. Lá, tratados como imigrantes desqualificados ressentem-se bastante por não conhecer a cultura, os costumes e o modo de vida do país escolhido para viver, muitas vezes, nem mesmo a língua local.
Países como a Alemanha exigirão dos que desejarem se legalizar, adquirindo a cidadania, a realização de uma prova escrita e oral, a partir de setembro, onde devem comprovar seu grau de interesse e conhecimentos sobre a história do país e sobre sua língua. Com a recente aprovação pelo Parlamento Europeu de novas leis de imigração há maior facilidade de deportação de ilegais e permitem aos países da União Européia prender pessoas sem documentos, por um período de até 18 meses, mesmo sem acusação formal.

O grau de dificuldade das questões das provas é uma das principais críticas ao novo método, que pode ser aplicado, em breve, também, na França. Em recentes declarações, o Presidente Nicolas Sarkozy defendeu a realização de provas de conhecimento da língua francesa e da História da República aos postulantes a um passaporte de cidadão francês. Na Alemanha, os interessados precisam acertar, pelo menos, 17 de um universo de 33 perguntas sobre política, economia, história e cultura do país.

A rigidez na imigração é um direito de cada país ou bloco de países, que deseja ter um controle maior sobre a entrada e permanência de estrangeiros, mas essa posição vem sendo enfrentada como preconceito e até racismo por organizações de imigrantes e políticos da oposição, inclusive a própria mídia. Há, realmente, a necessidade de um controle por parte do Estado, diante da herança negativa deixada nas ex-colônias, um problema de pobreza, miséria e desorganização política, que emergiu na segunda metade do século passado e que agora se volta contra os países colonizadores, à época.

A busca por uma vida melhor e mais digna e, acima de tudo, segura, também é um direito desses povos, castigados pelos malefícios do colonialismo e que emigram para os locais do problema, aboletando-se, de qualquer maneira, em regiões antes calmas e tranqüilas, atravancando a vida social e econômica dos antigos colonos. Quem possui um passaporte europeu de cidadania é um cidadão do mundo, tendo livre acesso a todos os lugares, inclusive os Estados Unidos, Estado que adota, por sua vez, uma política de restrição a determinados estrangeiros, desejando, agora, construir um muro de retenção entre o México e a América do Norte, impedindo os latinos do sul de ingressarem por terra ao país das oportunidades, como eles mesmos dizem.

A migração é um direito de todos, sobre a forma de emigração e de imigração, mas há que se resguardarem as condições mínimas para que se almeje a esse direito.
                                         Saraiva Filho                        28/06/08

criado por SARAIVA FILHO    8:33 — Arquivado em: Sem categoria

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