23.6.08
É PRECISO INCLUIR?
Vários trabalhos sociais têm sido feitos em periferias de cidades grandes e em regiões do país aonde a civilização ainda não chegou, para levar auto-estima a jovens e idosos, através, principalmente, da arte. Na maioria das vezes são trabalhos salutares que conseguem algum resultado positivo com “aqueles que escapam”.
É uma obra social, na maioria das vezes, cheia de boas intenções, baseada no princípio ridículo do “estou fazendo a minha parte”. Esse princípio ou máxima vem significar que não importa o que o resto faça, muito menos o Estado e não se cobra deste a necessária e eficiente inclusão social. É “um deixa pra lá” esnobe de que não está nem aí para o resto, desde que cumpra com a sua parte, tornando-se uma saída fácil, para não enfrentar a poderosa máquina da política estatal, esta, sim, que pouco está ligando para as políticas públicas do governo.
Não pode haver inclusão social, sem inclusão econômica participativa, não dando bolsas-gorjeta a troco de nada, promovendo a corrupção ativa e passiva de quem dessa fórmula participa. Inclusão econômica com empregos consistentes, baseados em empresas nacionais fortes, competitivas, que não precisem de banco, para obter capital de giro.
Inclusão econômica com uma faixa segura para circularem a micro pequenas e média empresas, capitaneadas por cidadãos dispostos a ver seu próprio suor progredir junto com o país e não serem usurpados por impostos abusivos e uma burocracia devastadora, fruto da incompetência de muitos governos, ao longo dos anos. Inclusão econômica baseada em crédito ágil e não extorsivo, como esses juros altos que existem, esmagando o empresariado.
Com essa base econômica, a inclusão social virá, automaticamente, salvo os casos de preguiça, de malandragem, de desequilíbrio mental e outros acidentes de percurso, que serão, apenas, casos isolados e não a maioria da população saudável viver à margem da vida ativa do país. Daí a pergunta : é preciso incluir? Já deveriam estar todos inclusos, os capazes, com saúde e educação de qualidade, com alimentação e habitação dignas e, sobretudo, com segurança pública eficaz e bem remunerada.
Não haveria necessidade de ONGs para lutar por essas inclusões ilusórias, com ausência de base econômica, um trabalho infrutífero, que, geralmente, camufla corrupção, sob a égide de proteger jovens e idosos, gerando verdadeiras arapucas eleitoreiras patrocinadas por políticos mafiosos. Não haveria as “criança esperança” da vida, nem programas análogos, que só servem para promover emissoras e artistas, nesse “apadrinhamento” confuso, onde o cerne da questão não é tratada.
Inclusões sociais não se fazem ao deus dará, têm que ter planejamento, obedecendo a políticas públicas sérias e eficazes da área econômica e não ficar apenas vigiando juros selic, inflação e câmbio, à espera de que a situação econômica internacional melhore. Há que ter políticas próprias para o país, que não dependam das outras de fora, como a alta do dólar para se fazer exportação. O Brasil é o único lugar onde o dólar em alta é prejudicial para a economia interna, uma coisa inconcebível diante das realidades econômicas de outros países.
Inclusão social é coisa de sociólogo, psicólogo e político com más intenções e ainda vêm falar na expressão da moda: pessoa em risco social. Em Risco Social estamos todos nós, infelizmente!…
Saraiva Filho 23/06/08
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