19.6.08
A CIDADANIA E A INTERNET
A internet, cada vez mais, se entranha na vida das pessoas, fazendo-as participar da vida de real, através desse meio digital, mobilizando-as, de forma efetiva, muito mais do que o instrumental, anteriormente, usado, também, na atividade político-partidária. É o caso, por exemplo, da Coréia do Sul, com a derrubada da ditadura em junho de 1987 e, em junho deste ano, com grupos que desejam remover o governo impopular do presidente Lee Myung Bak.
Esse fenômeno vem recebendo vários nomes “democracia de rua”, “protesto 2.0” e até, inadvertidamente, “populismo digital”, em que as pessoas são convocadas a participarem de manifestações de rua, por meio da internet, como é o caso sul-coreano. É um país, altamente, conectado, em que a internet e o pendor por manifestações de rua se entrelaçam com força política que surpreende os líderes nacionais.
Através da internet as pessoas interessadas, que são muitas, propagam mensagens, convocando os cidadãos para participarem de encontros em praças e ruas adjacentes, a fim de combater medidas do governo que desagradam a população. Esse modo atualizado de participação política, mais conhecido como o Protesto 2.0, é usado, também, em outros países de primeiro mundo, não propriamente como protesto, mas até como campanha política, como é o caso dos americanos do norte.
Na Coréia do Sul a grande luta da população é para impedir que sejam suspensas as importações de carne americana, sob o pretexto das autoridades de que é um produto contaminado pela doença da vaca louca. Contra essa medida governamental, a população vai às ruas, impulsionada pela internet, com suas mensagens convocatórias e palavras de ordem, reunindo-se em protestos com cartazes e faixas, por iniciativa própria.
Bem interessante é que a representação dos cidadãos, como sindicatos, grupos cívicos, partidos de oposição e outros órgãos de classe ficam de fora dessas atitudes políticas, sendo que as próprias pessoas fazem os seus cartazes e se auto-convocam, como se essas entidades não existissem, gerando uma situação nova na atividade política, onde o sistema representativo vem, ainda, muito de leve, se desmoronando. Outro fato interessante são os BJ – broadcast jockeys - que animam essas manifestações, tocando música e incentivando os que protestam, em uma versão para internet dos DJs e dos VJs, sem a necessidade dos vetustos carros de som e das convocações com panfletos de papel.
Dezenas de sites vêm oferecendo imagens ao vivo das manifestações e alguns deles contratam esses BJs, para animar as transmissões. Essa é uma revolução cultural no campo da política, que os brasileiros desconhecem e ainda se prendem aos velhos comícios de rua e àquelas ridículas aparições no horário eleitoral.
Saraiva Filho 19/06/08
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