13.6.08
A PRISÃO DE UM ROMÂNTICO
No dia de ontem, 12 de junho, instituído em nome dos que amam, trás a chama do silêncio transposto e invade corações apaixonados, das mais diversas formas. Um jovem de 19 anos pegou seu violão, comprou um buquê de flores e invadiu a Escola Arnaldo, no bairro dos Funcionários, no centro de Belo Horizonte, para fazer uma serenata à sua namorada.
Tentou primeiro a portaria do prédio e foi barrado, resolvendo, então, escalar o muro e entrou, mas foi visto por uma professora que o denunciou ( talvez até mal amada). A polícia foi chamada, nesse dia em que tudo se perdoa em nome do amor e levou o rapaz até à Delegacia. (foto).
Sem usar a fórmula correta e, talvez, poder-se-ia dizer civilizada, objetivou o jovem causar impacto, colocar a garota sem saída, demonstrando na formula ousada, a grandiosidade de seu amor e a fragilidade das convenções sociais. Um amor sem fronteiras de muros escolares, sem o ditatorial comando das autoridades e até infringindo a Lei.
Mas o amor não tem limites, traduz liberdade, principalmente, nos jovens com suas aguerridas fórmulas de ultrapassar horizontes. O violão, uma serenata para cantar uma composição sua ou as palavras de algum poeta, quem sabe insano, porque ama, musicalizada com eficiência e ardor, revelando, também a emoção do rapaz.
Os rigores da Lei se esqueceram que, ontem, foi um dia todo cheio de amor, a quimera realizada, na conquista do ente amado. Prender o rapaz!… que falta de sensibilidade, se suas armas são de paz, com flores e violão, alegria e ausência de pudor que só o amor pode ter.
E, lá na delegacia, nota-se ser um jovem não violento que apenas ama, desmesuradamente, não importa se invadiu ou adentrou, sem autorização, um recinto de ensino. Importa que quis demonstrar o seu amor, a sua alma para a pessoa amada. Isso deveria ser contagioso, invadindo corações, tornando o mundo mais saudável!
As leis desse convívio humano, muitas vezes, não são compreendidas, de vez que são aplicadas, indevidamente, a casos explícitos de não violência. Escalar o muro não pode ser enquadrado em invasão, propriamente dita, tanto que, após prestar depoimento, a autoridade policial liberou esse amante romântico, de intrépidas investidas, para demonstrar o seu amor.
Saraiva Filho 13/06/08
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