8.6.08
O ATENDIMENTO AO CLIENTE
As empresas privadas que têm uma clientela oscilante e subsistem dela, prestam, em geral, um honesto serviço ao seu cliente, confiantes em que o bom atendimento manterá ou ampliará essa clientela. Já as empresas privadas de clientela cativa como as que prestam serviços concedidos pelo Estado, como telefonia, emissão de sinal de televisão, água, energia elétrica, etc., pouco se importam com a qualidade do serviço oferecido, por terem, obrigatoriamente, a segurança da presença do cliente.
Essa certeza da garantia da presença do cliente, importa na má qualidade do serviço prestado, de vez que não há qualquer tipo de sansão, real, pelo seu desleixo em geral, pelo péssimo tratamento pessoal e pela falta de presteza na execução dos serviços. Com a privatização de muitos serviços públicos, a evidência desses fatos se tornaram gritantes e o volume de reclamações aumentou em muito junto aos PROCONs deste país, que , caso a caso, vão solucionando algumas reclamações.
Nos Juizados de Pequenas Causas vão se avolumando ações que requerem não só o bom atendimento, mas a solução do problema e mais as indenizações que as causas exigem. O sistema nacional de telefonia é a campeã dessas reclamações, principalmente, nos casos de telefonia móvel, onde o engodo preside as ações das companhias, tornando o consumidor mais vulnerável.
O uso da tecnologia, com seus avanços espetaculares é bastante louvável, mas no caso do atendimento ao público, com aquelas irritantes mensagens gravadas que anunciam um menu, distancia o cliente de seu fornecedor, servindo esse meio tecnológico de uma barreira entre um bom atendimento e a necessidade do cliente. Por outro lado, em um país de analfabetos funcionais, relativamente, poucas são as pessoas que sabem utilizar esses serviços e tentam, em vão, procurar um escritório local da empresa, o que não existe.
Essa é uma realidade bastante conhecida dos brasileiros, que são prejudicados por não terem um decente atendimento a um serviço prestado, caindo na malha da enganação, do despreparo e da ausência de um bom serviço prestado. Empresas há que criam os SACs – Serviço de Atendimento ao Cliente, uma espécie de anteparo para que os problemas não cheguem a ser resolvidos, com raras exceções, as quais são louvadas e elogiadas, quando deveriam ser uma prática comum no cotidiano.
Em tudo isso, o contribuinte é o grande lesado e tem como causa as licitações mal feitas ou fraudulentas, enfim, a péssima supervisão dos órgãos do governo encarregados de regulamentar e fiscalizar essas empresas concessionárias. O pior de tudo é que no comércio, no setor de serviços em geral, essa prática já se alastrou e a preguiça generalizada, sob a alegação de péssimos salários, impregnou a prestação de serviços, dos botecos às empresas inteiramente privadas, em rede. Ao consumidor só cabe lastimar essa prática ou submeter-se às longas filas de espera em busca de justiça.
Saraiva Filho 08/06/08
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