7.6.08
A FAO EM CIMA DO MURO
Depois de muitas especulações da FAO – Agencia da ONU para a Agricultura e Alimentação – em que o biocombustível foi apontado como o grande vilão, pelo aumento dos preços dos alimentos, aponta-se um consenso inútil: não há vilões específicos. Isto vem traduzir que esse órgão não foi capaz de detectar, ou não o quis, as causas reais desse desastre mundial, que afeta, principalmente, as populações pobres.
A escassez de alimentos não ocorre no planeta, tanto pela insuficiência de produção, quanto por seu elevado preço no mercado, que não acontece diretamente pela falta dos produtos, mas pelo indigesto meio transporte, com o petróleo carregando por terra, por ar e por mar tudo aquilo que a população necessita. Esse encarecimento não se dá apenas para os alimentos, mas para todos os demais produtos, ainda que ligados, indiretamente, pela produção alimentícia.
Mesmo os produtos que não são alimentícios se ressentem da alta dos preços do barril de petróleo, que ainda comanda, economicamente, o mundo, o que é evidente para qualquer pequeno analista desse tema. Mas a FAO atribui a alta de preços dos alimentos à combinação de diversos fatores, acreditando que os biocombustíveis contribuem, mas não são a causa principal, mesmo sem ter a estimativa certa de quanto eles incidem sobre o preço final, nem mesmo o Banco Mundial.
Essa conclusão veio depois de um verdadeiro escândalo mundial, com o dedo apontado para o biocombustível como o grande culpado por essa crise dos alimentos. E, ainda hoje, afirma que um dos fatores da crise atual dos alimentos é a nova e crescente demanda por produtos agrícolas como o açúcar, o milho, as sementes oleosas e azeite de dendê, por conta do mercado emergente do biocombustível.
Não se fala no trigo, base alimentar de vários produtos indispensáveis, como o pão e os biscoitos e sua crise de produção. Essa crise nada tem a ver com biocombustível, mas, diretamente, com o custo do preço do petróleo, desde o trator e a colheitadeira, até ao pequeno veículo que distribui os sacos nas padarias.
E como o trigo, muitos outros produtos, como legumes e verduras, com suas lavouras devastadas por fenômenos como inundações, ciclones e terremotos, oriundos todos de uma modificação climática causada pelo aquecimento global, onde o grande vilão são os países ricos e sua emissão vertiginosa de gases poluentes. Além disso, esses paises privilegiados não querem abrir mão de seu modelo e estrutura produtiva em prol da humanidade, jogando a culpa pela crise alimentar aos emergentes e sua forma saudável de produzir energia.
É lamentável que uma instituição do porte da FAO venha se comportando, levianamente, na condução desse problema, prejudicando com sua credibilidade o Brasil e outros paises produtores de biocombustível, com acusações inconsistentes sobre o aumento dos preços dos produtos alimentícios. E, agora, nesse último relatório, coloca-se em cima do muro, dizendo que não há vilões para essa causa perniciosa e asperge causas entre diversos setores. Um relatório inócuo e estúpido.
Saraiva Filho 07/06/08
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