6.6.08
ENSINO OBRIGATÓRIO DE FILOSOFIA E SOCIOLOGIA
Foi sancionada, no dia 2/06/08, pelo presidente em exercício, Jose Alencar, a Lei que torna obrigatório, no Ensino Médio, o ensino de Filosofia e Sociologia, nas escolas da rede pública e privada do país. Os chamados “papas” da Educação e do conhecimento humanístico se colocaram contra a proposta e, hoje, contra essa Lei, sob as alegações as mais diversas.
O professor aposentado de Filosofia da USP, José Arthur Giannotti, se posiciona, essencialmente, contra, qualificando o ato de “de triste bobagem” e apresentou suas razões, em diversas oportunidades. No seu entender, o magistério dessas disciplinas não formará senso crítico, onde não há senso. Alunos de Ensino médio não têm condições de expressar um raciocínio inteligível, porque sua linguagem verbal não permite, não sabem a língua portuguesa e muito menos aprenderão a emitir uma opinião crítica sobre o que está nos jornais ou nas imagens da televisão.
Por falta de leitura e capacidade de redação, não têm condições de acompanhar um raciocínio mais complexo como o da Filosofia e da Sociologia, se não entendem o mínimo indispensável para dizer o que pensam, se é que pensam. Esta triste realidade vai, frontalmente, contra o idealismo de ter um alunado preparado para enfrentar a Universidade.
Outra questão levantada foi é o despreparo dos cursos de filosofia e sociologia, para tornar capazes professores qualificados para ministrar essas disciplinas, professores que foram mal formados. Mas, por outro lado, há a questão do conteúdo a ser ensinado, fugindo da tradicional História da Filosofia ou História da Sociologia, como, habitualmente, é feito nesses cursos.
Basta trocar idéias com os alunos sobre temas atuais, sem utilizar o pensamento daquela velharia, da antiguidade clássica – Grécia e Roma – para contemplar os problemas que estamos vivendo nesta biocivilização que tenta se instalar. Problemas atuais, jamais imaginados ou com raciocínio próximo do que enfrentamos no cotidiano, tendo os antigos mestres, como Platão e Aristóteles, apenas como ponto de referência de nosso avanço filosófico ou Durkheime e Comte, no campo da sociologia.
Hoje, que temos uma Filosofia e uma Sociologia vivas, agitando-se em nossos narizes e perceptíveis, nos dias atuais, aos professores da ativa, que não necessitam daquelas idéias ultrapassadas de filósofos e sociólogos anteriores, a não ser como referência histórica. Quanto à linguagem dos alunos, o mundo contemporâneo tem a sua, baseada na informática e evidenciada nos computadores, podendo os professores ensinar filosofia e sociologia com jogos dessas fantásticas máquinas, por exemplo, em vez de, em pé, diante de alunos comportadinhos e sentados em suas carteiras, vomitarem conhecimento com conteúdo defasado.
Há que se ensinar uma Filosofia e uma Sociologia engajada no nosso tempo, que é o tempo dos atuais professores e alunos, desfazendo-se de um conteúdo que não diz mais nada, nesta nova realidade do terceiro milênio.
Saraiva Filho 06/06/08
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