LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

30.6.08

OS MALEFÍCIOS DAS ONGs

Ao contrário do que possa parecer, a existência das ONGs produz mais malefícios, em termos filosóficos e conceituais, atuando, paralelamente, ao Estado do que se possa imaginar. O que se observa, em uma visão mais estreita, é a sua atuação externa, aquilo que aparece para a população e é divulgado pela mídia, proporcionando um bem-estar social não consistente, parcial, de uma tarefa que é do Estado.

A grande maioria das ONGs são constituídas como o intuito de promover obras de caridades a comunidades carentes ou ter objetivos nobres, como a ocupação racional da Amazônia. Pouquíssimas são as que se voltam para a pesquisa científica, tanto no campo das ciências exatas, na área tecnológica ou mesmo no campo humanístico, desvendando os mistérios das ciências, em benefício da humanidade.

Esse lado prioritário beneficente dessas instituições é atribuição do Estado e faz parte de suas políticas públicas, tendo para sua execução todo um aparato logísticos com Ministérios, Secretarias, Departamentos e Divisões, além de suas empresas estatais direcionadas para a efetivação dessas políticas. Permitir a existência de instituições, em geral “sem fins lucrativos” é apadrinhar a própria incompetência do Estado em não realizar suas funções, mesmo que para isso exista todo esse suporte estatal para essa finalidade.

Esse suporte logístico, esse aparato, fica inútil, atolado em sua rotina burocrática, sendo alvo de loteamento de cargos públicos por partidos políticos que apóiam o governo e os objetivos dos Ministérios que se danem. Para lá são pinçados políticos profissionais desempregados ou aqueles eleitos que têm penetração no Poder Legislativo, sem estarem preparados para as funções que vão exercer.

O Estado dessa forma paralisado não executa suas atribuições, dando chance a que empresas privadas ou ONGs ocupem esse espaço, como ocorre , com bastante freqüência, na Saúde e na Educação. Esse vácuo proporcionado por uma longínqua inoperância, a qual persiste nos dias de hoje, abre espaço para esse estepe das ONGs e, concomitante a isso, ao emprego de dinheiro público em entidades privadas.

Esses recursos públicos são, geralmente, desviados, salvo exceções raríssimas, e toda uma máquina do Estado é usada para desvendar o meu uso do dinheiro público, sendo gastos mais recursos para executar essa tarefa policialesca. Se o Estado cumprisse com a sua finalidade de controle, fiscalização e execução das tarefas que definem a sua essência não haveria necessidade de ONGs, mas apenas pequenas parcerias com empresas privadas, para trabalhos acessórios sem que entrassem na seara da essência das funções de Estado.

Observando-se esse aspecto fundamental, nem existiria a chamado Terceiro Setor, da forma como ocorre, que de mais setores o Estado não precisa se fizesse, com eficiência o seu trabalho, o que acontece nos países do Primeiro Mundo. Dessa forma, as ONGs passam a ser um cancro sugador dos recursos do Estado, como o escândalo, mais um, que vem acontecendo na Amazônia neste meado de 2008, com essas instituições desviando os recursos do Estado para fazer o que o próprio Estado deveria fazer.

No restante do mundo existem ONGs, mas com objetivos que não concorrem com os do Estado, buscando outros campos em que o poder estatal não tem obrigação de executar. Tarefas, realmente, nobres que elevam os objetivos do homem como ser humano, como a questão dos genocídios que, ainda hoje, se perpetram, da reorganização política africana e muitos outros que fogem à alçada do Estado.
                                        Saraiva Filho                      30/06/08

criado por SARAIVA FILHO    5:48 — Arquivado em: Sem categoria

28.6.08

O CONTROLE DA IMIGRAÇÃO

A recente lei do Parlamento da União Européia sobre imigração, endurecendo o rigor na imigração, principalmente, para os ex-colonizados e o conhecido pessoal da América Latina, revoltou os países atingidos, em função do racismo, propriamente dito, e do chamado racismo de origem. Este último não trata da questão da etnia, da raça, mas da “capacidade menor” que alguns povos de outros países ostentam pela má fama, diminuindo seu valor, principalmente, as pessoas de origem de localidades subdesenvolvidas ou, como querem alguns, em desenvolvimento.

O Brasil é desses países discriminados, em função da maioria de emigrantes que existem tanto na Europa, quanto nos Estados Unidos. Lá, tratados como imigrantes desqualificados ressentem-se bastante por não conhecer a cultura, os costumes e o modo de vida do país escolhido para viver, muitas vezes, nem mesmo a língua local.
Países como a Alemanha exigirão dos que desejarem se legalizar, adquirindo a cidadania, a realização de uma prova escrita e oral, a partir de setembro, onde devem comprovar seu grau de interesse e conhecimentos sobre a história do país e sobre sua língua. Com a recente aprovação pelo Parlamento Europeu de novas leis de imigração há maior facilidade de deportação de ilegais e permitem aos países da União Européia prender pessoas sem documentos, por um período de até 18 meses, mesmo sem acusação formal.

O grau de dificuldade das questões das provas é uma das principais críticas ao novo método, que pode ser aplicado, em breve, também, na França. Em recentes declarações, o Presidente Nicolas Sarkozy defendeu a realização de provas de conhecimento da língua francesa e da História da República aos postulantes a um passaporte de cidadão francês. Na Alemanha, os interessados precisam acertar, pelo menos, 17 de um universo de 33 perguntas sobre política, economia, história e cultura do país.

A rigidez na imigração é um direito de cada país ou bloco de países, que deseja ter um controle maior sobre a entrada e permanência de estrangeiros, mas essa posição vem sendo enfrentada como preconceito e até racismo por organizações de imigrantes e políticos da oposição, inclusive a própria mídia. Há, realmente, a necessidade de um controle por parte do Estado, diante da herança negativa deixada nas ex-colônias, um problema de pobreza, miséria e desorganização política, que emergiu na segunda metade do século passado e que agora se volta contra os países colonizadores, à época.

A busca por uma vida melhor e mais digna e, acima de tudo, segura, também é um direito desses povos, castigados pelos malefícios do colonialismo e que emigram para os locais do problema, aboletando-se, de qualquer maneira, em regiões antes calmas e tranqüilas, atravancando a vida social e econômica dos antigos colonos. Quem possui um passaporte europeu de cidadania é um cidadão do mundo, tendo livre acesso a todos os lugares, inclusive os Estados Unidos, Estado que adota, por sua vez, uma política de restrição a determinados estrangeiros, desejando, agora, construir um muro de retenção entre o México e a América do Norte, impedindo os latinos do sul de ingressarem por terra ao país das oportunidades, como eles mesmos dizem.

A migração é um direito de todos, sobre a forma de emigração e de imigração, mas há que se resguardarem as condições mínimas para que se almeje a esse direito.
                                         Saraiva Filho                        28/06/08

criado por SARAIVA FILHO    8:33 — Arquivado em: Sem categoria

26.6.08

PRESO PELO HÁLITO

A questão do uso de bebidas alcoólicas com a direção de veículos automotores tem que ser tratada com bastante cuidado, para que não haja abuso, tanto do lado do motorista, quanto da autoridade encarregada. Com a recente alteração no Código Nacional de Trânsito, restringindo o uso de bebidas por motoristas, a Polícia Rodoviária Federal baixou Instrução, pela qual há rigores maiores do que os contidos no Código, o que torna inconstitucional as regras do instrumento regulatório, diante de uma lei menos severa.

Pelas normas da Instrução Normativa, a Polícia Rodoviária Federal – PRF poderá prender o motorista que estiver aparentemente embriagado, mesmo que ele se recuse a se submeter ao teste do bafômetro. Serão levados em conta sinais de embriaguez, como o hálito de álcool, o estado de euforia e a dificuldade no equilíbrio do corpo.

Levado à delegacia, se for constatado no motorista um teor alcoólico igual ou superior a seis decigramas (0,6) por litro de sangue, ele responderá a processo e poderá ser condenado a até três anos de cadeia, além de ser multado, em valores atuais, em R$ 955,00 e ficando proibido de dirigir por um ano. A lei é rigorosa até para com o motorista que não bebeu um gole de álcool, mas recusou-se a fazer o teste de vestígios de embriaguez ou do bafômetro, sendo enquadrado no artigo da lei de punição administrativa.

A punição administrativa é aplicada nos casos de desobediência à autoridade policial, que, naquele instante, representa o Estado, devendo o motorista pagar multa de R$ 955,00 e deixar de dirigir por um ano. Pelo novo texto da Lei sancionada, modificando o Código Nacional de Trânsito, exige-se apenas que o motorista, para ser preso, esteja dirigindo de maneira que coloque em risco a vida de outras pessoas, sendo que antes dessa alteração só era detido quem estivesse fazendo alguma extravagância, como ziguezagues na pista, ou seja, o dano potencial.

O choque entre o que determina o Código e a Instrução Normativa da PRF é evidente, indo esta, ao regulamentar a lei maior, extrapolar o que ali é determinado, causando a mencionada inconstitucionalidade, danosa para o motorista inocente. É certo que os índices de acidente, principalmente, com morte, são alarmantes, ceifando a vida de pessoas ou as tornando limitadas, deficientes físicas, pelo resto da vida, sem falar nos danos materiais e no transtorno ao trânsito, atingindo outras pessoas.

Há que se encontrar, com a ajuda da tecnologia, outros meios de evitar essa aberração nas estradas, avenidas e ruas, embora já exista o veículo que se recusa a ligar o motor se o motorista estiver alcoolizado. Mas isso é luxo, para poucos usufruírem, ficando a maioria da população à mercê da consciência da cada motorista, para não sair no trânsito com a cara cheia de bebidas alcoólicas.

A lei tem que punir, mas há que se evitar os abusos, podendo a autoridade policial prender a pessoa somente porque não simpatizou com ela, atribuindo-lhe um comportamento que não existiu.
                                      Saraiva Filho                      26/06/08

criado por SARAIVA FILHO    6:59 — Arquivado em: Sem categoria

25.6.08

O PAC NA PROVIDÊNCIA

O Programa de Aceleração do Crescimento – PAC tem pai e mãe, talvez por isso a queda da cama da esposa do Presidente, D. Marisa Letícia. Ela, com a clavícula luxada, está de fora dessa relação, quem sabe, até por ser contra esse “affair” em ano de eleição ou porque não entende de nada.

A mãe do PAC é a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff e o pai o próprio Lula. Mas o filho nasceu peralta demais, já envolvido com corrupção na licitação das obras e resolveu subir os morros do Rio de Janeiro, envolvido, também, com traficantes e militares do Exército.

O que é fato consiste na forma esdrúxula com que o Governo atua na construção de obras públicas, como se não existissem o Ministérios apropriados para esse fim e fosse necessário criar Programas para desenvolver essas atividades. Em especial esse PAC, visivelmente eleitoreiro, reformando e construindo as casas das favelas, com áreas de lazer e tudo, um conjunto de obras da alçada das Prefeituras.

Há, ainda, os políticos calhordas que se aproveitam desse fato para se apoderarem dos resultados em benefício de suas candidaturas, como é o caso do senador Crivella, já envolvido em outras falcatruas com sua igreja ávida por dinheiro e com corrupção no Congresso Nacional, no caso do mensalão. Além dele, outros políticos, como o próprio governador do Rio de Janeiro, com seus acólitos, apropriando-se da obra do Governo Federal para “faturarem”, politicamente, em favor de candidaturas de prefeitos e vereadores.

O incidente com os militares do Exército, que estavam no morro da Providência, para garantir a consecução das obras, como se entrassem em território alheio ao Brasil, causou mal estar para todos os envolvidos. Entregar três rapazes do morro da Providência à facção contrária, no caso, a do outro Morro, o da Mineira, foi decretar a sentença de morte dos jovens.

Não é necessário dizer que os rapazes foram encontrados mortos, no dia seguinte, em um lixão, ocasionando perplexidade em todos, os moradores, as autoridades constituídas e no âmbito do próprio exército. Um ato desumano e ignóbil de alguns soldados e um tenente que revoltou o Brasil inteiro.

Não fosse isso, a bagunça do PAC no Rio de Janeiro foi adiante, de vez que foi interditado pela Justiça Eleitoral, alegando se tratar de obra em ano eleitoral e usado com fins eleitoreiros. Suspensas as obras, o Exército se retirou, como já tinha mesmo vontade de fazê-lo depois do problema com a morte dos rapazes e continua tudo parado, dinheiro gasto em material, com a construtora, além de pessoas da localidade empregadas na obra, sem emprego.

O PAC no Morro da Providência não foi uma boa providência, de vez que a própria concepção do Programa não o é. Trata-se de iniciativa inócua, gastando, desbragadamente, o dinheiro público, com ações pífias, para alavancar a candidatura de Dilma Roussef à Presidência da República, em 2010. Quem sabe, com a configuração desse programa, não seja o próprio enterro dessa candidatura?
                                    Saraiva Filho                     25/06/08

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24.6.08

DIREITO AUTORAL NA INTERNET

O autores que vivem as agruras da pirataria advinda da internet estão exultantes com a decisão do Parlamento espanhol sobre a questão essencial dos criadores de produtos intelectuais e seus copiadores desautorizados – leia-se piratas. Acaba de entrar em vigor na Espanha, após caloroso debate de 15 meses no Congresso o chamado cannon digital que determinou a tributação na compra de aparelhos tocadores de MP3 e MP4, celulares, pen drives, impressoras e discos rígidos externos.

O imposto recolhido será usado para pagar direitos autorais que vêm decrescendo, no mundo todo, em função do abandono das mídias físicas, como o CD, como suporte para músicas, filmes e outros bens culturais. A cópia não autorizada ou a pirataria, oriunda, principalmente, da internet que permite o CD privado, sem pagar os referidos direitos ou imposto algum, passará a existir oficialmente, pagando-se imposto.

Os direitos autorais já estão resguardados no imposto sobre a aparelhagem de reprodução, ainda mais com a ampliação feita pelo governo espanhol sobre o recolhimento de impostos para os itens de armazenamento e reprodução de arquivos digitais. Essa solução brilhante e inovadora se coloca no lado oposto de países europeus e dos Estados Unidos, que, ainda, usam a velha e incivilizada ação policialesca, com apreensão de produtos e a prisão de internautas que baixem arquivos sem pagar.

No caso espanhol, o imposto sobre os mencionados produtos vem autorizar, justamente, a cópia privada, uma utilização racional dos meios digitais e um mecanismo inteligente do uso da mídia mais acessada nos últimos tempos. Baixar músicas, filmes, livros em áudio ou não e outro produtos culturais, como shows, etc., nos aparelhos próprios e até vender esses bens culturais, provindo de downloads é a grande saída para extinguir a pirataria.

No caso brasileiro, ainda estamos na era primitiva e improdutiva do “prende, bate e arrebenta”, a qual não resolve a questão e ainda desvia contingentes policiais para uma ação que, como se observa, pode ser resolvida civilizadamente, sem taxar ninguém como criminoso. A Lei de direitos autorais brasileira, de 1998, proíbe a cópia privada, mesmo para fins educacionais e científicos, talvez porque, naquela época, não havia os meios operacionais de baixar bens culturais da internet como existem hoje.

Em qualquer fundo de quintal se produz um disco com um computador e basta estar ligado na internet para colocá-lo no circuito dessa mídia e, com facilidade maior os internautas baixam e gravam em CD virgem essas produções. É um processo irreversível, que só pode ser encarado com o sistema de tributação, para garantir sua sustentabilidade e crescimento.

O cannon digital espanhol é um bom exemplo para o mundo e para o Criative Commons, no Brasil, regulamentando a propriedade intelectual de forma positiva, eficaz e inescapável e que cada um tenha a sua cópia privada, desde que pague os tributos sobre a aparelhagem correspondente à captação, gravação e reprodução dessa propriedade. Note-se que o livro, sem ser o de áudio, está incluído nessa solução magnífica da Espanha.
                                         Saraiva Filho                      24/06/08

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23.6.08

É PRECISO INCLUIR?

Vários trabalhos sociais têm sido feitos em periferias de cidades grandes e em regiões do país aonde a civilização ainda não chegou, para levar auto-estima a jovens e idosos, através, principalmente, da arte. Na maioria das vezes são trabalhos salutares que conseguem algum resultado positivo com “aqueles que escapam”.

É uma obra social, na maioria das vezes, cheia de boas intenções, baseada no princípio ridículo do “estou fazendo a minha parte”. Esse princípio ou máxima vem significar que não importa o que o resto faça, muito menos o Estado e não se cobra deste a necessária e eficiente inclusão social. É “um deixa pra lá” esnobe de que não está nem aí para o resto, desde que cumpra com a sua parte, tornando-se uma saída fácil, para não enfrentar a poderosa máquina da política estatal, esta, sim, que pouco está ligando para as políticas públicas do governo.

Não pode haver inclusão social, sem inclusão econômica participativa, não dando bolsas-gorjeta a troco de nada, promovendo a corrupção ativa e passiva de quem dessa fórmula participa. Inclusão econômica com empregos consistentes, baseados em empresas nacionais fortes, competitivas, que não precisem de banco, para obter capital de giro.

Inclusão econômica com uma faixa segura para circularem a micro pequenas e média empresas, capitaneadas por cidadãos dispostos a ver seu próprio suor  progredir junto com o país e não serem usurpados por impostos abusivos e uma burocracia devastadora, fruto da incompetência de muitos governos, ao longo dos anos. Inclusão econômica baseada em crédito ágil e não extorsivo, como esses juros altos que existem, esmagando o empresariado.

Com essa base econômica, a inclusão social virá, automaticamente, salvo os casos de preguiça, de malandragem, de desequilíbrio mental e outros acidentes de percurso, que serão, apenas, casos isolados e não a maioria da população saudável viver à margem da vida ativa do país. Daí a pergunta : é preciso incluir? Já deveriam estar todos inclusos, os capazes, com saúde e educação de qualidade, com alimentação e habitação dignas e, sobretudo, com segurança pública eficaz e bem remunerada.

Não haveria necessidade de ONGs para lutar por essas inclusões ilusórias, com ausência de base econômica, um trabalho infrutífero, que, geralmente, camufla corrupção, sob a égide de proteger jovens e idosos, gerando verdadeiras arapucas eleitoreiras patrocinadas por políticos mafiosos. Não haveria as “criança esperança” da vida, nem programas análogos, que só servem para promover emissoras e artistas, nesse “apadrinhamento” confuso, onde o cerne da questão não é tratada.

Inclusões sociais não se fazem ao deus dará, têm que ter planejamento, obedecendo a políticas públicas sérias e eficazes da área econômica e não ficar apenas vigiando juros selic, inflação e câmbio, à espera de que a situação econômica internacional melhore. Há que ter políticas próprias para o país, que não dependam das outras de fora, como a alta do dólar para se fazer exportação. O Brasil é o único lugar onde o dólar em alta é prejudicial para a economia interna, uma coisa inconcebível diante das  realidades econômicas de outros países.

Inclusão social é coisa de sociólogo, psicólogo e político com más intenções e ainda vêm falar na expressão da moda: pessoa em risco social. Em Risco Social estamos todos nós, infelizmente!…
                                       Saraiva Filho                   23/06/08

criado por SARAIVA FILHO    6:09 — Arquivado em: Sem categoria

22.6.08

O RUÍDO VERDE

As constantes mensagens em todas as mídias sobre os procedimentos para ser ecológico e se tornar uma pessoa útil ao meio ambiente têm resultado em efeito contrário. O excesso de informações conflitantes que chegam ao consumidor, no sentido de viver com leveza e bem-estar em nosso planeta, vêm prejudicando a própria finalidade das campanhas “esclarecedoras”, de vez que mais confundem do que aclaram, com os “suportes” científicos e as informações passadas.

Essa estática de informações crescente e urgente, ocasionalmente, imprecisas e contraditórias é repetida, cada vez mais, em volume mais alto e por tempo demais. O chamado ruído verde pulsa em nossa consciência coletiva, vindo de todas as direções, principalmente, dois anos depois de “ An Inconvenient Truth”, o documentário de Al Gore, ajudando a deflagrar uma nova maré de ativismo ecológico por todo o planeta e, em especial, nos Estados Unidos.

O que se chama de “Green Washing” ou lavagem cerebral verde, propagou-se com a apropriação de questões do meio ambiente, por parte de organizações políticas e industriais. Isso, exclusivamente, com a finalidade de usufruir os benefícios do marketing verde, aparecendo “politicamente correto”, em uma espécie de “o verde que lava mais branco”, no caso brasileiro.

A fadiga ecológica que vem da maioria das Organizações não Governamentais ambientalistas, dos vendedores de ecologia, viabilizando e faturando com produtos que supostamente fazem bem ao meio ambiente, hoje, uma indústria especializada, trombeteiam vantagens ecológicas com alegações, muitas das vezes absurdas, que não coincidem com a prática cotidiana. Esse acréscimo de dados sobre ecologia vem resultando em uma sensação de desorientação às pessoas.

Não existe, ainda, uma diretriz, um caminho a ser seguido por todos, em busca de uma solução para o aquecimento global, cada país adotando uma política nesse sentido, desde que não prejudique a matriz industrial sobre a qual está montado. As águas e outros produtos não renováveis têm obtido um tratamento diverso, com a contradição de que, ao mesmo tempo que se buscam meios de preservação, continuam existindo as indústrias de plástico que as polui e se insiste em colocar resíduos poluentes, como esgotos industriais ou não, nos rios.

Ainda há a questão da preservação das matas e das florestas, devastadas a cada dia com o desmatamento desenfreado, para a instalação de fazendas de produtos agrícolas e para a extração ilegal de madeira, sem falar nas outras riquezas de caráter mineral, vegetal e animal. Vive-se o caos da informação desinformando, exortando as pessoas a andarem de bicicleta, enquanto novos poços de petróleo são abertos, proclamando a reciclagem de produtos com a coleta de lixo seletiva, enquanto o lixo atômico se espalha por todo lado com as usinas nucleares, sem falar no ridículo que é as pessoas irem ao Supermercado com as sacolinhas, geralmente, de plástico, que um dia acabarão se tornando um lixo inconveniente para os parâmetros ecológicos.

Afinal, todos os indivíduos e a sociedade já enfrentam, diariamente, as contradições do desenvolvimento e da sustentabilidade, acostumando-se aos desencontros das informações, como acontece com as posições científicas sobre a saúde das pessoas, onde uma hora certo produto faz mal, outra hora, não faz mais, mas isso é outro assunto.
                                        Saraiva Filho                    22/06/08

criado por SARAIVA FILHO    8:00 — Arquivado em: Sem categoria

21.6.08

O BOTEQUIM NA ERA DA FRANQUIA

Um segundo lugar de aconchego, o botequim tinha personalidade e o seu dono exercia vários papeis, dependendo do grau de amizade com o cliente. Era, praticamente, uma instituição no bairro ou no centro da cidade, para onde convergiam pessoas de diversas classes sociais, em busca de um local de lazer.

Seu ambiente com inhaca de uso, de suor humano, de cerveja e, dependendo do local, de xixi, não era empecilho para uma freqüência de peso, em horários de pico, como próximo à hora do almoço e no final da tarde. Ali, resolviam-se todos os tipos de problemas, desde o comezinho cotidiano das brigas e intrigas domésticas, até aos problemas do Estado, despachando-se processos importantes das repartições públicas ou juizes e desembargadores proferindo sentenças, com a papelada sobre os joelhos, para não molhar sobre a mesa.

Dependendo da fama do botequim havia uma espécie de código de ética não escrito, seguido à risca, principalmente, no que dizia respeito ao pagamento das bebidas e tira-gostos, existindo o caderno das anotações das dívidas, para aqueles que chegavam ao grau de obter crédito na casa. Essa hierarquia dentro dos botequins tinha critérios muito subjetivos, seguidos pelo dono, tendo como base, em geral, a constância do freguês ao freqüentar o ambiente, seu grau de importância pelo cargo que exercia no poder constituído, sua sociabilidade em relação a seus colegas de botequim ou sua influência lá fora.

Uma coisa importante é que o verdadeiro botequim não se confundia, simplesmente, com um bar qualquer, nem se reduzia a um lugar de vender bebida alcoólica a quem chegasse. Era muito mais, tinha toda uma ambiência cercada de uma aura solene, fazendo com que nem todos pudessem se abancar em suas mesas e tomar sua cerveja, como em qualquer bar.

Havia os botequins de bairros e ainda existem, mas desprovidos desse “quantun”, desse envolvimento emocional de seus fregueses, de certa intelectualidade produtiva e atuante na cidade, de um diferenciador qualitativo onde se encontrava a nata social da localidade. Além disso, o ambiente físico não era decadente e improvisado e tinha suas mordomias, com boas acomodações e produtos de qualidade.

Isso desapareceu. E, sem nenhum conteúdo nostálgico, há a lembrança dessa época dourada, brilhando nos corações e nas mentes, que está sendo substituída por franquias desodorizadas e pasteurizadas, onde o único objetivo é vender seus produtos. A freguesia insossa de yuppies com suas famílias modernosas vêm tomando conta desse lugares, com parques de diversões para crianças, deixando de lado grupos sociais que questionavam, que estudavam a fundo os clássicos e constituíam a intelectualidade da cidade

Em cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo esse fenômeno dos botequins há tempos vem desaparecendo. Ficaram, apenas, os bares de luxo ou as quitandas dos bairros mais desfavorecidos, financeiramente, onde ainda se fazem música ao vivo, não como shows, mas em tempo integral, como se quisessem matar as conversas interessantes. E foram-se os botequins e ficaram nada…
                                         Saraiva Filho                     21/06/08

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19.6.08

A CIDADANIA E A INTERNET

A internet, cada vez mais, se entranha na vida das pessoas, fazendo-as participar da vida de real, através desse meio digital, mobilizando-as, de forma efetiva, muito mais do que o instrumental, anteriormente, usado, também, na atividade político-partidária. É o caso, por exemplo, da Coréia do Sul, com a derrubada da ditadura em junho de 1987 e, em junho deste ano, com grupos que desejam remover o governo impopular do presidente Lee Myung Bak.

Esse fenômeno vem recebendo vários nomes “democracia de rua”, “protesto 2.0” e até, inadvertidamente, “populismo digital”, em que as pessoas são convocadas a participarem de manifestações de rua, por meio da internet, como é o caso sul-coreano. É um país, altamente, conectado, em que a internet e o pendor por manifestações de rua se entrelaçam com força política que surpreende os líderes nacionais.

Através da internet as pessoas interessadas, que são muitas, propagam mensagens, convocando os cidadãos para participarem de encontros em praças e ruas adjacentes, a fim de combater medidas do governo que desagradam a população. Esse modo atualizado de participação política, mais conhecido como o Protesto 2.0, é usado, também, em outros países de primeiro mundo, não propriamente como protesto, mas até como campanha política, como é o caso dos americanos do norte.

Na Coréia do Sul a grande luta da população é para impedir que sejam suspensas as importações de carne americana, sob o pretexto das autoridades de que é um produto contaminado pela doença da vaca louca. Contra essa medida governamental, a população vai às ruas, impulsionada pela internet, com suas mensagens convocatórias e palavras de ordem, reunindo-se em protestos com cartazes e faixas, por iniciativa própria.

Bem interessante é que a representação dos cidadãos, como sindicatos, grupos cívicos, partidos de oposição e outros órgãos de classe ficam de fora dessas atitudes políticas, sendo que as próprias pessoas fazem os seus cartazes e se auto-convocam, como se essas entidades não existissem, gerando uma situação nova na atividade política, onde o sistema representativo vem, ainda, muito de leve, se desmoronando. Outro fato interessante são os BJ – broadcast jockeys - que animam essas manifestações, tocando música e incentivando os que protestam, em uma versão para internet dos DJs e dos VJs, sem a necessidade dos vetustos carros de som e das convocações com panfletos de papel.

Dezenas de sites vêm oferecendo imagens ao vivo das manifestações e alguns deles contratam esses BJs, para animar as transmissões. Essa é uma revolução cultural no campo da política, que os brasileiros desconhecem e ainda se prendem aos velhos comícios de rua e àquelas ridículas aparições no horário eleitoral.
                                    Saraiva Filho                    19/06/08

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18.6.08

 

 

   O artigo de hoje O Estilo na Pintura e nas Artes se acha no BLOG PALAVRAS E CORES: http://sempreescritor.blog.terra.com.br

criado por SARAIVA FILHO    4:54 — Arquivado em: Sem categoria

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