LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

18.5.08

ZÉLIA, ANIMAIS E HUMANOS

As contradições da vida, ainda, surpreendem como a morte, ontem à tarde ( dia 17/05) de Zélia Gattai, escritora e fotógrafa que casou com Jorge Amado. De fã incondicional do escritor, passou a ser esposa e, incentivada por ele, a ser escritora de sucesso, por seu talento, antes revelado na sensibilidade da fotografia que tirava dos lugares onde ficou exilada e da vida pessoal e profissional de ambos.

Símbolos de uma geração que se foi, cedem o lugar a novos talentos que vão eclodindo, apesar da mídia fora de prumo não enfocá-los, apenas a fofoca gratuita, a nudez sem sentido e a politicagem degradante, que resvala na corrupção. Mas essa continuidade de gerações permanece, encerrando-se um ciclo agora, com a ida de um mito, abrindo espaço a novos tempos e valores, novas idéias e à adequação a um mundo novo que nos afronta em sua forma bio, traçando horizontes despudorados e grávido de novas oportunidades, novas lutas, outros ideais e a promessa constante de um caminho a seguir.

Essa “contradição de seqüência”, da extinção e da criação, observa-se na pesquisa sobre a inédita relação entre o tucano-toco e a arara-azul, no Pantanal Mato-Grossense, gerando um equilíbrio para a sobrevivência dos dois tipos de animais. Estudo da UNESP, publicada na Revista inglesa Biological Conservation, demonstra que o tucano-toco se alimenta os ovos da arara-azul, mas, ao mesmo tempo, alimenta-se do fruto manduvi. Ele é a única espécie de tucano que o abre e come as sementes dessa planta, em processo de extinção, da qual a arara-azul faz seu ninho.

O ninho dessa ave é feito apenas desse material, que o tucano-toco dispersa. Isto significa que a arara-azul depende, para se reproduzir, indiretamente, do trabalho desse tipo de tucano, mesmo ele destruindo os ovos da arara. É uma relação com o inimigo-amigo, como se dá entre os humanos, na interdependência para sua sobrevivência, em todos os níveis, de forma sutil, com aparência amistosa ou agressiva e brutal.

O Homem queima o canavial, afetando muitas outras pessoas em volta, trazendo problemas respiratórios, de pele etc., para a plantação e a colheita da cana-de-açúcar, que beneficiará esse mesmo homem atingido pelos efeitos da queimada, produzindo carbono e interferindo na vida do planeta. Mas, desse produto colhido de forma errada, por ser mais rápida e econômica, advém o açúcar, o álcool anidro e o hidratado, gerando nova matriz energética, sem poluição para o planeta e o Homem.

Zélia se foi, deixou sua obra, demarcou os limites intelectuais de seu tempo, mas dá chance, indireta a novos artistas, assim como o tucano-toco e a arara-azul, que, se fossem humanos, teriam algum relacionamento amoroso, um envolvimento mais profundo, embora nos três casos, de Zélia, dos animais e dos humanos, sempre haja perdas e ganhos impostos pela natureza, nessa alucinante corrente, que faz o mundo girar e as coisas acontecerem.
                                                      Saraiva Filho 18/05/08

criado por SARAIVA FILHO    6:48 — Arquivado em: Sem categoria

17.5.08

DIREITO AO PRAZER SEXUAL

Mulheres equatorianas reivindicam que conste da Constituição da República, que está sendo elaborada, o direito ao prazer sexual, como está sendo noticiado pelos meios de comunicação, referindo-se ao tumulto que esse ato vem causando nos meios sociais daquele país. Tanto os ortodoxos, quanto os mais liberais têm uma preocupação que se resume na frase de que é uma proposta atrevida, devendo ser analisada por suas conseqüências jurídicas.

Os homens considerados machistas viram a sua virilidade ameaçada e um membro da assembléia constituinte, Guido Rivas, em tom de brincadeira, mas revelando seu aspecto machista, disse que vai ter cuidado para não se tornar alvo de processo constitucional por “não satisfazer adequadamente às mulheres”. A proposta de criar um direito constitucional que garanta o prazer das mulheres criou uma onda de comentários, editoriais, programas de debates, análises jurídicas e até pichações.

Oficialmente, a proposta diz que se trata de um direito ao deleite e os juristas mais puristas disseram que, se esse direito chegar a ser incluído na Constituição, ocorrerá uma avalanche de processos e não haverá tribunal que possa garantir a efetiva aplicação dessa obrigação constitucional. Uma ativista, Rocio Rosero, ex-presidente do Conselho Nacional das Mulheres do Equador, disse que “ A sociedade machista pensa que o sexo é um assunto exclusivo dos homens e que só nós temos que proporcionar prazer”.

Na verdade, trata-se, de um lado, de uma informação truncada e, grosseiramente, anunciada pela mídia, para se tornar chamativa, fazendo da reivindicação dos direitos da mulher no Equador uma piada sem graça. De outro, a formulação desses direitos das mulheres está mal formulada, de vez que não se trata, exclusivamente do direito aos prazeres sexuais, mas conquistas mais amplas, relativas à condição feminina de submissão à vontade masculina.

A explicação sobre o assunto vem de Soledad Vela, integrante da assembléia e que reivindica sua proposta: “Direito a tomar decisões livres, informadas e responsáveis, sem coerção, violência ou discriminação de qualquer tipo sobre sua vida sexual, incluindo a identidade de gênero, o desfrute e a opção sexual. Toda pessoa poderá decidir com quem, quando e quantos filhos ter, de acordo com suas condições emotivas, psicológicas, econômicas e culturais”.

Esse enfoque dos direitos reivindicados reformula a questão, fazendo com que o Estado assuma um papel muito mais forte nos temas da educação sexual, que desenvolva políticas públicas claras nos campos da saúde, para que haja uma atividade reprodutiva saudável e satisfatória para as mulheres. Para isso, o Estado deve proporcionar e garantir a produção de informação, evidenciando a educação e a comunicação da cidadania, acerca da sexualidade, de acordo com a idade de cada um dos grupos aos quais estejam dirigidas.

Não se trata da relação sexual em si, que nem os homens , ainda, sabem direito se satisfizeram as mulheres, como, jocosamente, com galhofas, foi divulgado pela mídia em geral. Mas garantir que tos as equatorianas e equatorianos comecem a mudar seus critérios no que diz respeito à saúde sexual, ao exercício da sexualidade e às relações de casais.
                                                 Saraiva Filho 17/05/08

criado por SARAIVA FILHO    7:54 — Arquivado em: Sem categoria

16.5.08

CHARLES TEM RAZÃO

Até um príncipe estrangeiro, ligado às causas do meio ambiente, como Charles, herdeiro do trono britânico, conhece mais os problemas da Amazônia, do que as autoridades brasileiras. Com assertivas certeiras, visualiza a conservação e o desenvolvimento da floresta com uma clareza e lucidez que envergonha nossos dirigentes diretos, envolvidos por pressões econômicas mesquinhas, de solução a curto prazo.

A simplicidade das declarações do Príncipe está no princípio de que é preciso criar um pacote de incentivos que ajude os moradores da floresta a fixarem-se lá e a preservá-la, pela falta de consciência dessas pessoas da importância dessa imensa porção de terra despoluidora, para o Brasil e o mundo. “Há muitas pessoas morando na Amazônia com renda muito baixa. Elas precisam de maneiras para garantir que o esforço de não destruir a floresta valha a pena”, disse o príncipe.

A corrente ruralista no Congresso quer, atualmente, elevar para 20% a cota de desmatamento por propriedade, para 50%, pois, do contrário, não adiantaria investir em terras dessa floresta. Não é dessa mentalidade que o Brasil precisa para conservar e manter seu maior patrimônio ecológico, pessoas que investem para auferir grandes lucros, sem se incomodar com o desmatamento e sem morar no lugar.

São empreendedores que nem vão lá, que não participam do processo lento de conservação da floresta, mas ficam, comodamente, nas grandes capitais acionando os cordéis do capital, para adquirir vantagens pecuniárias. Não é esse o tipo de desenvolvimento que a floresta necessita para sua sustentabilidade, mas a participação diária do morador, que possa entender a importância de não desmatar, sem que isso interfira no seu sustento com qualidade de vida.

E continua o príncipe: “Seria preciso criar algum tipo de pacote, em forma de incentivos, para que as pessoas não degradem a floresta”. Não se trata de uma intromissão nas políticas brasileiras, como ele próprio declarou à BBC, mas, como afirma: “Tudo o que posso fazer é levantar a questão para aqueles que, de fato, podem fazer alguma coisa”.

Esse papel de conciliador demonstra uma pessoa preocupada com o que ele chamou de “ar-condicionado do mundo”, para evitar mudanças climáticas, de vez que a floresta libera 20 bilhões de toneladas de vapor de água, absorve carbono em uma escala gigantesca e produz a chuva tão importante para o equilíbrio do planeta. É necessário que grandes empresas, os governos de paises do mundo e consumidores se unam, em um esforço conjunto, para colocar um fim à devastação florestal.

“Não podemos esperar por novas tecnologias, Não há tempo para isso”, completou Charles, de vez que se o desmatamento não diminuir, rapidamente, haverá mais seca e fome no panorama mundial. Ter um crescimento econômico a qualquer custo traz conseqüências irreparáveis, para o Brasil e para o mundo e cada um de nós sofre, diretamente, com isso. 
                                                    Saraiva Filho 16/05/08

criado por SARAIVA FILHO    8:17 — Arquivado em: Sem categoria

15.5.08

FEMINISMO 2008

Como anda o que se chamava de feminismo nos ouriçados anos 60/70 e que foi, depois de conquistas importantes, denominado Direitos da Mulher? Atualmente, se entende como Direito do Homem e da Mulher, como casal, nessa evolução dos tempos, com mudança de costumes menos, às vezes, mais alteradas, em função do país, da cultura local e do preconceito.

Desse os anos 80, com o surgimento da figura do yuppie e mais acentuadamente nos anos 90 até hoje, essa evolução estagnou em patamares inequívocos de conquistas de direitos, mas sem uma continuidade, mesmo onde a mulher passou de modo numeroso, a ser chefe de família. Em contrapartida, seus salários são inferiores aos dos homens, em uma sociedade, como a brasileira, de predominância machista, mesmo na relação entre casais de jovens e mais ainda na vida econômica da nação.

Mesmo em países ditos de primeiro mundo, houve estagnação, embora o debate não seja mais sobre quem vai lavar a louça ou levar as crianças na escola. Em um mundo de desigualdades sociais, qualquer que seja o estágio da sociedade, é nos locais onde moram os menos favorecidos, que as mulheres mais apanham, mais são espoliadas, muitas quase escravizadas, enfim menos respeitadas como seres humanos, nas mais ínfimas questões.

Nesses casos e em outros na classe média alta e na classe reconhecidamente rica, a mulher é que é a primeira vítima. Não pelo fato de ser mulher e de não ter condições intelectuais e/ou econômicas de evitar situações humilhantes e degradantes, mas pela presença do autoritarismo, com exclusividade, masculino. Essa diferença de postura do homem, apesar de estar mudando, ainda permanece em maioria, na família, no trabalho e na sociedade.

Deveriam ter programas de estudo, embutindo nas matérias estudadas ou disciplinas autônomas que, a nível nacional, ensinassem essa relação entre homens e mulheres, que vai além da compreensão de relações humanas, porque abrange a essência da diferença basilar da própria sociedade. Que rapazes e moças aprendessem, desde a pré-escola, até à competição acirrada na universidade, a respeitar o outro sexo, tanto do lado masculino, como de feminino.

Existe essa forma de “esclarecimento” ou de intervenção com os toxicômanos ou sobre a violência, mas sobre a relação homem/mulher, ainda, há muito tabu, talvez porque quase três quartos da população mundial esteja na mão dos homens. Além disso há uma espécie de regressão sobre os direitos adquiridos pelas mulheres, como é o caso da publicidade, com as fotos de mulheres nuas, certa onda de “pornô-chique”, que se estende às passarelas, contraditoriamente, em nome da liberdade da mulher.

Mas nesse trabalho a mulher aparece, na maioria das vezes, de forma gratuita, tendo como exemplo clássico a venda de automóveis em exposições internacionais ou mesmo na propaganda corriqueira, onde a mulher não passa de um monte de carne sensual.

Mais de quarenta anos da revolução sexual e de costumes é preciso ficar vigilante, quanto aos direitos adquiridos e ao lugar da mulher na sociedade. Elas precisam continuar feministas, não adversárias! 
                                                Saraiva Filho 15/05/08

criado por SARAIVA FILHO    8:00 — Arquivado em: Sem categoria

14.5.08

AS MICRO PEQUENAS ENPRESAS NO CAPITALISMO GLOBAL

Em princípio, é necessário que se entenda por capitalismo global essa rede intricada de relações econômicas, parecidas com as interrelações neurais no cérebro humano, mas dotada de uma concorrência nem sempre leal e trabalhando com grandes volumes de capital. São as multinacionais que vão dragando as empresas menores ou menos competitivas no mercado, formando grandes conglomerados, com poder superior a tradicional soberania dos países.

Com a implementação de novas medidas no Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, no Brasil, há a continuidade de incentivo às micro e pequenas empresas, fazendo com que haja um entusiasmo por parte da população para a montagem desse tipo de negócio. Na França, a reforma econômica que o governo de Sarkosy promove por lá, também, se volta para essa atividade econômica, com incentivos de toda ordem, para que pessoas adiram à idéia de montar micro e pequenos comércios, indústrias ou ofereçer serviços.

Essa é mais uma contradição do capitalismo que continua selvagem, mas se reveste com a capa de humanitário, com programas de “responsabilidade social”, com ênfase no meio ambiente e na ecologia, na “busca do verde”. Ao mesmo tempo em que se encaminha uma leva de desempregados para empresas de fundo de quintal, os grandes conglomerados econômicos vão tendo maior produtividade, diminuindo os custos dos produtos e afogando quem se arriscou com seu pequeno capital, quase sempre, advindo de empréstimo em bancos.

Por outro lado as franquias, que, teoricamente, dariam vazão a esse contingente que quer montar pequenos negócios, promovem um engessamento, sem nenhuma possibilidade de expansão, com lojas em shoppings, sendo engolidas, falindo, diante de uma realidade econômica mundial, onde só os grandes e arrojados conseguem vencer. É uma luta desigual, incentivada pelo governo brasileiro e de outros países, para se ver livre da pressão por emprego, oriunda da classe média e da classe baixa.

Essa luta desigual é como se jogassem os infiéis à fogueira, como na inquisição “vendendo-lhes” uma ilusão de “quitanda”, quando “showrooms são”exibidos com toda pompa, pelo mundo inteiro. Até nas pequenas cidades o comercio local se verga aos altos custos dos produtos ali vendidos e são esvaziados pelas grandes redes de comércio e serviço.

A padaria de “seu Manoel”, o bar-restaurante de “seu João”, a farmácia de “seu Pedro” vão sumindo, rapidamente, substituídos pelas redes nacionais e internacionais de Supermercados e de produtos farmacêuticos, pelos fast-foods de marcas famosas e pelos magazines, com roupas prêt-a-porter e produtos eletrodomésticos e móveis. O chamado comercio local passa a ter outra feição, impondo gostos e modas americanas, japonesas e européias, enquanto se constroem camelódramos para os pobres coitados, geralmente desempregados, expulsos da atividade econômica producente e com garantias de futuro.

Incentivar a pequena , micro e até média empresa é uma maldade sem precedentes com a população que se ilude, pensando em ter “seu próprio negócio”.
                                                   Saraiva Filho 14/05/08

criado por SARAIVA FILHO    1:34 — Arquivado em: Sem categoria

13.5.08

ANTIDEPRESSIVOS, CÂNCER E AIDS

Essas são três tipos de doenças incuráveis, sendo que o câncer e o vírus do HIV levam à morte em pouco tempo, embora não se possa descarta os numerosos casos de suicídio entre os depressivos. São três males que se evidenciaram nas últimas décadas, com a vida estressante que têm por base a crescente mudança no modo cotidiano de ser dos seres humanos, a partir de um dia-a-dia atribulado, cheio de problemas novos a enfrentar o tempo todo.

Por seu turno, as radiações vindo, desde os aparelhos eletrodomésticos a nosso redor, até às experiências nucleares de amplitude mundial e o contato viral do HIV, através, principalmente, das relações sexuais mais permissivas, nos últimos tempos dinamizam o aparecimento dessas doenças. Há, porém, uma chance da junção dos medicamentos antidepressivos no tratamento do câncer e da AIDS, possibilitando uma sobrevida às pessoas acometidas desses males.

Um estudo conduzido por pesquisadores americanos sugere que os antidepressivos podem ajudar o sistema imunológico na luta dessas doenças graves, como o câncer e a AIDS e outras, ainda não bem identificadas, como as do coração, em termos de funcionalidade do órgão. A conjugação dos princípios ativos dos medicamentos antidepressivos, com os aplicados às doenças graves favorece o sistema imunológico, com a não eliminação dos glóbulos brancos do sangue.

Os cientistas da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, afirmam que as células brancas – que, uma vez instaladas em células infectadas, provocam a sua autodestruição – podem ser mais eficazes sob o efeito de antidepressivos. A pesquisa foi motivada por estudos anteriores, que concluíram com a possibilidade de a depressão acelerar os malefícios do câncer e do vírus HIV.

Os pesquisadores concluíram que: “A pesquisa nos fornece evidências de que as funções das células de defesa podem ser ampliadas sob o efeito de inibidores específicos da recaptação da serotinina em pacientes depressivos e não-depressivos”, disse o coordenador da pesquisa, Dwight Evans. Com esse estudo publicado na revista especializada Biological Psychiatry, novos horizontes se apresentam para o avanço nessa linha de trabalho, provocando uma espécie de poder revolucionário no tratamento dessas doenças devastadoras e, aparentemente quase insolúveis, quanto ao tratamento.

É importante ressaltar que não foi ventilada a possibilidade de cura, nem a de remédio milagroso, que erradicará essas doenças, mas apenas foi fixado um ponto de partida para fortalecer as células dos glóbulos brancos, responsáveis pela imunidade do organismo. São, ainda, paliativos eficientes, para atenuar o sofrimento de seres humanos, sem o intuito de prolongar essas doenças, que devastam o ser humano e os reduzem à mais sofrida e ínfima condição de vida.
                                              Saraiva Filho 13/05/08

criado por SARAIVA FILHO    7:14 — Arquivado em: Sem categoria

11.5.08

A PROPAGANDA DE MEDICAMENTOS

 
Há duas formas de fazer a publicidade de medicamentos, sejam os liberados pela ANVISA para uso sem receita médica, sejam os controlados: a publicidade pela mídia e a outra, por meio de contato pessoal com os médicos. Esta última tem o inconveniente de ser na hora do expediente dos profissionais da medicina, interferindo na agenda diária de atendimento aos pacientes, principalmente, os do SUS, que já têm pela frente longas esperas, em filas intermináveis.

A propaganda pela mídia… bem! Há uma pesquisa da Universidade Federal Fluminense que avaliou a propaganda dos medicamentos veiculados em todos os meios de comunicação e concluiu que esses anúncios não são confiáveis. Eles omitem e/ou minimizam os cuidados e riscos para a saúde de quem os usar e são incompatíveis com o uso consciente e responsável de medicamentos.

Além disso, induzem ao consumo “de forma acrítica, abusiva e desnecessária”, conforme disse a autora do trabalho, Drª. Jussara Calmon Soares, professora adjunta do Departamento de Saúde e Sociedade, da UFF. A pesquisa teve por base o relatório final do Projeto de Monitoração da Propaganda e Publicidade – MonitoAÇÃO, um convênio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa com diversas Universidades.

Na conclusão o estudo recomenda à Anvisa a proibição da propaganda de remédios no país. Enfatiza, também, a professora que é preciso dissociar a discussão da propaganda de medicamentos do debate sobre a propaganda de bebidas ou cigarros, em que os argumentos giram em torno do “direito à liberdade de expressão” ou da decisão do usuário.

Disse, ainda, a Prof.ª Jussara Soares: “No caso dos medicamentos, acho inaceitável o uso da linguagem publicitária, para incitar o consumo de produtos com indicações bastante restritas de uso. A Política Nacional de Medicamentos defende o uso racional desses produtos, o que, no meu entender, é incompatível com a propaganda. Defendo a divulgação de informações para o uso responsável e consciente de medicamentos, mas não a propaganda, cujo objetivo é a venda do produto”.

No caso da legislação brasileira, há uma regulamentação para a propaganda que determina que, no caso de medicamentos de venda livre, que podem ser veiculadas para o grande público, por diversos meios. Já as propagandas de medicamentos sob prescrição têm o alvo os profissionais de saúde, sendo os médicos o alvo principal dos laboratórios, de vez que são prescritores dos produtos.

Mas nossa legislação não faz qualquer restrição à quantidade de propagandas que podem ser veiculadas, nem para a população, nem para os profissionais. Há um número abusivo de propagandas de medicamentos em revistas especializadas, produzindo um baixo indicador de qualidade acadêmica. O que se depreende desse fato é a forma inescrupulosa de “empurrar” produtos à população, sem especificações técnicas e, quando existem, muitas vezes, são baseadas em dados falsos, acompanhados de imagens de modelos esbeltos e bonitos, induzindo que o produto tornará assim o alvo da propaganda.

Um engodo a ser proibido, assim como os produtos de programas de emagrecimento , por meio de aparelhos milagrosos, que só aparecem benefícios para as pessoas que fazem a propaganda, que são escolhidas entre os malhados e “sarados”.
                                              Saraiva Filho 11/05/08

criado por SARAIVA FILHO    7:00 — Arquivado em: Sem categoria

10.5.08

O PODER CONSTITUIDO E AS DROGAS, NO BRASIL

A problemática das drogas ilícitas é mundial, mas cada país pode ter um tratamento diferente em relação a elas. No caso brasileiro, a repressão interna e o combate à importação tem sido a tônica não explicitada, abertamente, pelo Poder Constituído, em suas mais diversas matizes, sem que nenhuma autoridade de peso tivesse se manifestado ao menos sobre uma possibilidade de discussão, em relação à discriminalização de drogas.

O Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral voltou a defender a discussão pela legalização das drogas, depois que a Justiça proibiu uma marcha pró-maconha, na praia do Arpoador. Diz parte da declaração do Sr. Cabral: “Rigorosamente, o que diz a lei é que devemos combater as drogas e tivemos apreensões históricas nos últimos dias. No entanto, eu acho que é uma discussão que tem que ser feita, sobretudo com as autoridades internacionais, a Organização Mundial de Saúde e a Organização das Nações Unidas. Esse é um tema que a gente não pode deixar debaixo do tapete. Temos que enfrentar essa discussão e encontrar a melhor solução para o problema”.

Uma legislação mais permissiva, planejada e que contemporize o problema da legalização da maconha e até mesmo de outras drogas, pelo menos não deixa os viciados sujeitos aos humores esdrúxulos dos traficantes, que não terão clientela cativa a quem explorar. O viciado tem que ser tratado, mas há pessoas que consomem drogas como quem toma seu porre de final de semanas, em festas e diversões passageiras, como acontece com bebidas alcoólicas e não se vicia.

Por outro lado, as drogas sintéticas de efeitos alucinógenos estão expostas nas farmácias, mesmo submetidas a um frouxo controle, mas com livre acesso de usuários. O mesmo poderia acontecer com a maconha e outra drogas, compradas, também, com controle médico nas mesmas farmácias, com receita médica. Alegar que haveria burla nesse controle, não é motivo para ser contra essa alternativa, pois burla há, também, em outros medicamentos controlados.

O que não se pode é deixar esse controle na mão de bandidos, dos traficantes que patrocinam não apenas a venda de drogas, mas a violência explícita, em todos os sentidos, humilhando pessoas doentes , como os viciados, como faz o SUS com pessoas apenas doentes, sem vício algum.

Os recursos gastos no combate à produção, distribuição e venda de drogas por traficantes, alimenta alternativas de enganar os órgãos repressores, mas se bem empregados no controle desses produtos pelo Estado, sem que este assumisse o papel de traficante, como é o caso da Holanda, seria uma saída mais racional. O controle seria por meio da vigilância sanitária, para a venda legal em estabelecimentos comerciais de particulares – cadeias de farmácias - dentro da lei, sem os malefícios dos atravessadores traficantes, que, em último caso, teriam, pelo menos uma concorrência às claras, sem violência em grande escala, formando um poder paralelo ao do Estado.

A intenção, aqui, não é de incentivo ao uso de drogas, mas, pelo menos, procurar racionalizar com clareza em cima do tema, hoje, de grande relevância no mundo. Outros crimes, como o roubo de farmácias e seqüestros de médicos é o mínimo que a polícia pode combater com sucesso.
                                               Saraiva Filho 10/05/08

criado por SARAIVA FILHO    8:10 — Arquivado em: Sem categoria

9.5.08

EVOLUÇÃO DE UMA MATRIZ ENERGÉTICA

EVOLUÇÃO DE UMA MATRIZ ENÉRGÉTICA
A cana-de-açúcar vem se tornando desde 2006, a nossa principal matriz energética, só atrás, ainda, do petróleo e crescendo a cada ano, com todas as suas variáveis, como etanol e o biodiesel e nos próximos anos como fonte de eletricidade, a partir de seu bagaço. Fonte energética é uma coisa e significa a origem de força propulsora, como fonte de calor e insumo de indústria, enquanto fonte de eletricidade é outra, que serve para, por exemplo, acender lâmpadas e fazer funcionar eletrodomésticos. Isto em uma explicação simplificada.

A Empresa de Pesquisa Energética informou recentemente, como dado preliminar, que, pela primeira vez, a cana-de-açúcar ultrapassou a energia hidráulica, em 2007, com percentuais bem favoráveis a essa fonte verde de energia alternativa. Além do custo bem menor de construção e manutenção, as hidroelétricas causam interferência no meio ambiente e na vida das pessoas deslocadas das áreas que passam a ser ocupadas pela água.

As outras matrizes energéticas, como a solar, a eólica, a dos movimentos das ondas do mar, dependem do clima mais diretamente que a da cana-de-açúcar, que, bem administrada, não interfere na vida do planeta, com suas queimadas absurdas nos dias de hoje. Resta o petróleo, com o barril cada vez mais caro, além de ter uma fonte não baseada em recursos renováveis, embora seja a matriz energética em primeiro lugar no uso de seus derivados, no Brasil.

A grande disparada da cana-de-açúcar se deu em função do uso do etanol, um dos elementos extraídos dessa matriz, que disparou com a existência dos carros flex, gerando uma tendência de alta, até superar o petróleo em, relativamente, pouco espaço de tempo, no que diz respeito ao biocombustível. Quanto à energia elétrica e à força, será necessário que se altera toda uma estrutura física e econômica, montada sobre o petróleo e as hidroelétricas, alterando, até mesmo, o modo de vida das pessoas, em aspectos ainda não bem definidos, mas com possibilidade de alterar hábitos e costumes seculares.

Quanto ao temor de que a agricultura de alimentos seja afetada com o plantio excessivo da cana, não há o que temer no território brasileiro, bem amplo e agricultável, bastando redefinir fronteiras agrícolas, de forma gradual, sem que seja comprometido o alimento, por escassez de produto. Já europeus e americanos do norte, que insistem no álcool de milho e de outros produtos alimentícios, usam esse argumento absurdo da falta e encarecimento dos alimentos como desculpa pelo temor de se tornarem importadores dos derivados da cana e de sua tecnologia.

O Oriente médio, a Opep e sua estrutura petrolífera não se sentem ameaçados, por desacreditar que o Brasil, esse pequeno-grande país da América do Sul venha a desestabilizar o poderio do óleo negro, com seu poder devastador no mundo. Um país cheio de corruptos, administrado por um semi-analfabeto, sem grandes possibilidades de investimento, no tamanho que se exige para ser uma potência energética, é, até mesmo ridicularizado lá fora por tentar, de forma canhestra, impor-se como concorrente da matriz petrolífera.

Pela forma como os países deste planeta caminham, criando concepções novas como a biocivilização, o desenvolvimento de setores como o P&D, aliados à uma tecnologia que avança galopante rumo ao presente-futuro, não é impossível que o Brasil esteja em vantagem, salvo se “entregar o jogo”, vendendo ou deixando escapar por entre os dedos a tecnologia aplicada na cana-de-açúcar.
                                                     Saraiva Filho 09/05/08

criado por SARAIVA FILHO    7:59 — Arquivado em: Sem categoria

8.5.08

JUSTIFICATIVA DE UMA RECUSA

Até o dia de hoje, qualquer referência deixou de constar do LIBERDADE DA PALAVRA sobre a morte da menina Isabella Nardoni, não por apatia ou descaso por essa tragédia que a mídia fez o Brasil se inteirar, se envolver, e tomar partido, como um processo popular, na Atenas da Antiguidade Clássica. A forma parcial com que cada passo dado pela polícia e pelo setor de perícia era informado ao público chocou as mentes mais aguçadas, como foi levada a chocar a opinião pública.

O crime cometido foi hediondo, bárbaro, inconcebível para quem possui equilíbrio mental razoável, uma agressão aos ditames da vida em sociedade, nos aspectos moral e da lei, uma morte desnecessária – porque há as necessárias, para os casos de doença terminal, com bastante sofrimento pessoal do doente. Morte injusta de uma criança, atitude perversa, insana e por motivo fútil, não há a menor dúvida.

Nada disso, porém, justifica uma outra atitude, a da mídia, que fez teledramartugia, como uma telenovela qualquer, baseada em fatos reais. A cada dia havia um capítulo, com amplo espaço na imprensa escrita e televisada e outras mídias, com destaque para a internet dedicada ao Brasil. Conclusões apressadas, pequenos julgamentos tendenciosos, que ultrapassaram o direito à informação dos cidadãos, atropelada que estava e, ainda, está a mídia com as atribulações, decorrentes da construção do caso, pela polícia, ao instruir o inquérito policial, finalmente encaminhado à justiça.

A recusa em se referir a esse caso, até então, era para preservar os possíveis leitores destas palavras toscas, aqui colocadas como uma forma de comentar fatos e atos de relevância para a vida pública do país. Preservar de não continuarem a ser massacrados, como já estão sendo, por outros meios de comunicação e não encontrassem mais um opinando, discutindo, mastigando, lentamente, as impalpabilidades do que realmente aconteceu naquele apartamento fatídico.

Casos como os dessa menina morta brutalmente existem em todas as classes sociais, mas por se tratar de possíveis autores de classe média, ganha luzes e recebe atenção especial. Vende mais para o público, do que os milhares de outros casos semelhantes existentes na classe baixa, a dos pobres, economicamente, usando-se o mesmo raciocínio platinado do glamour de pessoas com bens, aparência saudável, roupas aceitáveis.

Isto sem falar dos mistérios e podres que o prazer mórbido faz aflorar, quando se trata de desgraça dos melhores de vida. E nem são tão “melhores” assim, mas comparados à pobreza do país, aos quase miseráveis que têm um aparelho de TV, são pessoas de outro nível social. Os inúmeros outros casos semelhantes, mas sem esse “glamour”, morrem, esvaem-se nas páginas policiais, em, no máximo, dois dias, sem direito a reportagem-novela, com lances “empolgantes” e cheios de horror.

O caso estando no Poder Judiciário e a prisão dos réus pode aplacar a sanha da mídia, embora, obviamente, ela queira os últimos capítulos, como nos filmes-de-julgamento, com cenas esdrúxulas, choros, muito sofrimento e a habitual conclusão.
                                                Saraiva Filho 08/05/08

criado por SARAIVA FILHO    5:23 — Arquivado em: Sem categoria

« Posts mais novosPosts mais antigos »

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://semprepoeta.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o servio e siga participando do Terra Blog.