LiberdadeDaPalavra

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31.5.08

A ESCOLA E OS ATRATIVOS

Houve uma época em que a família cuidava da educação dos filhos, aproximadamente, até os anos 70 e a Escola tinha por objetivo dar a instrução, o conhecimento indispensável, para que, na vida adulta, a criança ou adolescente pudesse andar com as próprias pernas. Isso acabou quase que definitivamente, quando a escola passou a dar merenda, na verdade, comida, e passou a buscar atrativos de diversão, com o intento de não tornar o ambiente de estudo chato.

Acontece que aprender é chato e não há atrativo no mundo que possa substituir isso, principalmente esse conteúdo inicial, onde se aprende de tudo, não só do que se gosta ou aprecia. Essa psicologia do prazer no ensino desvirtuou a finalidade precípua da Escola que é ensinar um conteúdo utilizável na vida prática, posteriormente.

É claro que se fala de dois tipos de Escola: a da classe média e alta, a escola particular e a da classe baixa, ou seja, a escola pública. Em ambas a pedagogia da diversão como forma de aprendizado é utilizada, principalmente, para, na escola particular, criar e manter clientela e na pública, para seguir os ditames do MEC, que libera verbas para Educação, considerando o número de alunos matriculados.

Esse estudar brincando tem mais brincadeira do que estudo, onde o ensino-aprendizagem se faz como em um jogo, onde a seriedade se evapora, de vez que o aprendizado não é levado a sério. Há, ainda, outro tipo de confusão que é feita, onde o papel da família na formação do alunado é totalmente entregue à Escola, desde a comida, até o ensino de princípios morais e formas de comportamento próprios da função familiar.

A Escola toma o lugar da Família na educação dos jovens, uma família que vem mudando de feição, menos agregada, mais frouxa no comando interno de seus integrantes menores, cedendo lugar a um aglomerado de pessoas juntas que não se comunicam, não se respeitam. Desfalecem diante vida, ora por falta de condições materiais de subsistência, ora pela preguiça que sentem para as trabalhosas tarefas de educar, que prescindem de tempo gasto, utilizado com o cuidar de si dos pais.

Esse quadro faz parte da mudança que vem ocorrendo na Família, própria de uma maneira de pensar nova, adequada a um novo tipo de vida, na reviravolta pela qual passa o mundo. A Escola, por sua vez, buscando alunos, procura atrativos festivos em demasia, desmerecendo o ensino em função das chamadas atividades extra-classe, com uma proporção onde a seriedade com os estudos quase desaparece, baseada em uma psicopedagogia com falhas profundas, que desorientam o aluno.

Hoje, a Escola é mais um lugar de lazer, pelos atrativos que proporciona, do que um local onde se fornece instrução, sedimentando o conhecimento, ministrado este com leviandade, vasculhando, contraditoriamente, velhos conceitos, enquanto oferece uma prática bem diferente, com gincanas, festas de época, longos torneios esportivos e outras práticas. Estas educam, mas não ensinam conteúdo, o qual, depois, é requisitado aos alunos, por exigência do mercado de trabalho.

Por outro lado, os alunos, que não respeitam mais o pais, também, não respeitam os professores, tratando-os como iguais ou pior, nas escolas particulares, como seres inferiores, simples funcionários pagos por eles, para lhes proporcionar atrativos.
                                                Saraiva Filho 31/05/08

criado por SARAIVA FILHO    5:55 — Arquivado em: Sem categoria

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