LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

27.5.08

INOVAÇÃO E MERCADO

Inovar é ter receptividade à mudança e não se rompe impunemente com o passado. Frases como essa e “para inovar é preciso ter cultura de inovação” circularam com desenvoltura durante a 8ª Conferência ANPAI de Inovação Tecnológica, realizada pela Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras, em Belo Horizonte. Mais um passo para reflexão sobre a possibilidade de mudança com a Inovação nas empresas.

As empresas, internamente, devem construir um ambiente favorável à inovação, para que seja desenvolvida essa cultura, a partir de instrumentos de governo e de políticas públicas. Implantar e implementar a Gestão de Inovação pelas empresas encontra barreiras não só na mentalidade do empresariado, mas na aceitação, pelo mercado, das mudanças daí advindas, mesmo que o processo inovatório se dê nos mecanismos de produção.

Há nas empresas uma espécie de tradição de imitação, em detrimento da inovação, no que é produzido por elas, para atender a uma expectativa de mercado, oriunda da própria imitação do consumidor ao adquirir a mercadoria. Essa imitação tem várias causas, a partir da “colonização cultural” pelos país mais desenvolvidos, que ditam a moda, não só na vestimenta, mas em todos os setores de mercado.

Por não termos uma atividade sistemática de inovação, as empresas nacionais não buscam competir com base na inovação, É necessário para essa inovação que haja decisões da empresa sobre inovações, como orçamento para pesquisa e desenvolvimento; que exista uma organização estratégica da empresa para inovar e, sobretudo, recursos humanos qualificados para tocar projeto de inovação.

Há carência de engenheiros e outros profissionais para proporcionar, trabalhando em pesquisa, o desenvolvimento e inovação no setor produtivo. Esse é um dos pontos cruciais, identificados durante a Conferência, para se criar um ambiente de pesquisa, desenvolvimento e inovação nas empresas.

Mas nada disso importa se não houver uma mudança de mentalidade, não somente, do empresariado, mas, principalmente, do consumidor, através de maciça campanha publicitária e outros meios de informação, como o custo da imitação, onde são pagos royalties ou pelo menos deveriam.

Imitar a moda norte-americana e européia, como os Louis Vutton da vida, provém da moda, no sentido amplo, veiculada, por exemplo, pelas novelas da Globo, que têm mercado garantido, principalmente, se o personagem que apresenta o produto em propaganda disfarçada de conteúdo da novela ou usa o produto com insistência, faz bastante sucesso. Modificar esse quadro, utilizando os produtos brasileiros, bancando essas aparições novelescas não é uma tarefa fácil.

Não se pode inovar por inovar, há que ter mercado e este tem que ser buscado com insistência e pertinácia. Não adiante só inovar com novos produtos, mas inseri-los no mercado, para amplo consumo, tarefa mais difícil do que criar a cultura da inovação nas empresas, que já é dolorosa.
                                               Saraiva Filho 27/05/08

criado por SARAIVA FILHO    7:59 — Arquivado em: Sem categoria

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