25.5.08
O BLOCO DA AMÉRICA DO SUL
Acaba de ser criado em Brasília, por meio de um tratado, pelos presidentes e representantes dos 12 países da América do Sul a União das Nações Sul-Americanas – UNASUL - um bloco como a União Européia e o NAFTA que visa aprofundar a integração da região. A América do Sul é importante, internacionalmente, por suas riquezas naturais e por ser um dos principais centros produtores de energia e de alimentos do planeta, além do Chile e do Peru, grandes centros da indústria mineradora do mundo.
O Nome UNASUL – UNASUR, para os países de língua espanhola – surgiu depois de críticas do Presidente Hugo Chávez ao que ele chamou de lentidão da integração. Esse bloco tem por objetivo a coordenação política, econômica e social da região, podendo avançar na integração física, energética, de telecomunicações e, ainda, nas áreas de ciência e educação, sem falar nos mecanismos financeiros conjuntos.
Depois da criação desse organismo, ele passa a ter personalidade jurídica e política, passando a ser um organismo internacional, depois de ratificado pelos parlamentos dos 12 países integrantes. Junto a essa Instituição internacional, foi criado, também, o Conselho de Defesa da América do Sul, idéia apresentada pelo Brasil e rejeitada, unicamente, pela Colômbia.
A idéia ganhou força, depois da crise entre a Venezuela, a Colômbia e o Equador, provocada por uma ação colombiana, em território equatoriano, contra as FARC. Existe um plano para criar um Parlamento único da UNASUL, sem previsão para sua criação, nos moldes do Parlamento da União Européia, tendo, ainda, sido criada uma Secretaria Permanente, que deverá ser em Quito, no Equador.
Cada país integrante dessa União tem expectativas diversas quanto à sua funcionalidade, em função de seus interesses particulares, como a questão das FARC, disputas territoriais entre Chile e Peru, a saída para o mar, no caso da Bolívia e outros, como a questão energética e de produção de alimentos. Por outro lado o problema financeiro e econômico dos países integrantes desse bloco, com as desigualdades visíveis, é outro objetivo de relevância, para a existência da União.
Deverá ocorrer uma presidência temporária rotativa para o grupo, que deverá ser do Chile, de vez que a Colômbia abriu mão do privilégio. A União terá como órgãos deliberativos um Conselho de Chefes de Estado e de Governo, um Conselho de Ministros das Relações Exteriores e um Conselho de delegados.
Nota-se que a prevalência da Venezuela e certa interferência do Brasil no comando desse Bloco, sendo Hugo Chávez pela influência política de liderança e o Brasil como principal produtor mundial de etanol, fonte energética alternativa, nesse novo horizonte que se apresenta, voltado para a biocivilização. Por seu turno, o Brasil, também, tem a maior área da floresta amazônica, fonte atual de avanço internacional, na direção de sua internacionalização.
A União parece bem-vinda, desde que não se desvirtuem seus objetivos principais com questiúnculas provincianas dos países mais pobres ou se reverta no canto escuro do esquecimento, com a troca de atores no poder, nos próximos anos.
Saraiva Filho 25/05/08
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