LiberdadeDaPalavra

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23.5.08

ENTRAVES PARA O ETANOL NA EUROPA

A matriz energética que inclui o biocombustível, provindo da cana-de-açúcar, vem encontrando sérias dificuldades para ingressar no mercado norte-americano e Europeu. A falta de uma política agressiva por parte do Brasil para, ao menos competir com o petróleo e seus derivados, tendo por base uma comitiva permanente de divulgação desse produto, no estilo caixeiro-viajante, divulgando dados técnicos e demonstrando a eficiência e economia do etanol, é bastante necessária.

Todos os entraves já foram colocados pelos europeus para que esse tipo de combustível não participasse do cotidiano daquele continente. Primeiro foi a impossibilidade que o Brasil teria de fornecer o produto para exportação em quantidade suficiente para suprir o mercado externo, pois comprometeria a produção de alimentos para o mundo.

Em segundo lugar, a própria qualidade técnica desse biocombustível, provocando uma enorme confusão entre o etanol advindo do milho, produzido pelos americanos, e o etanol de cana-de-açúcar produzido pelo Brasil. Isso provocou afirmações estapafúrdias de que o etanol polui o ar tanto quanto a gasolina, não havendo vantagem em introduzi-lo no consumo permanente, nem adicionado à gasolina - álcool anidro -, nem como combustível único para veículos e outros automotores – álcool hidratado.

Vencidas, em parte, essas dificuldades, surge agora, uma “analise” do Financial Times, jornal inglês de grande credibilidade no mundo financeiro internacional, segundo a qual as más condições de trabalho para os cortadores de cana e o impacto ambiental da plantação estão “manchando” a indústria brasileira do etanol. O artigo destaca que “a maior parte da cana, ainda, é colhida à mão, com facões, que não mudaram muito desde que foram criados. Os intervalos para beber água são curtos e a comida é pouca e não apetitosa”

E continua o desinformado artigo: “ Essas condições provocaram uma série de críticas da União Européia de que o Brasil, o maior exportador mundial de etanol, é um ninho de práticas ruins de trabalho e das ligadas ao meio ambiente”. O Brasil ameaçou entrar com ação na Organização mundial de Comércio – OMC, mas, até o momento, ainda, não intentou qualquer reação legal para proteger seu produto.

E fica a questão: qual a preocupação social e ambiental impostas pela União Européia a atuais fornecedores de energia como a Nigéria, a Venezuela, o Irã e o Iraque, onde práticas desumanas são impingidas aos trabalhadores da indústria do petróleo? O que acontece é que essas críticas sobre as práticas de produção brasileira do etano consistem, normalmente, em uma mal disfarçada maneira de proteger a indústria doméstica européia.

É necessário mecanizar a lavoura e a colheita da cana-de-açúcar, utilizando um processo transitório, onde as máquinas não ameacem os postos de trabalhadores do corte manual, que têm, ainda, pouca educação e muito poucas chances de conseguir outro emprego. Isso gera uma crise social de grande monta, muito pior do que as suas condições de trabalho, na verdade, bem diferentes, do que descreve o jornal famoso.
                                                   Saraiva Filho 23/05/08

criado por SARAIVA FILHO    8:19 — Arquivado em: Sem categoria

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