LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

16.5.08

CHARLES TEM RAZÃO

Até um príncipe estrangeiro, ligado às causas do meio ambiente, como Charles, herdeiro do trono britânico, conhece mais os problemas da Amazônia, do que as autoridades brasileiras. Com assertivas certeiras, visualiza a conservação e o desenvolvimento da floresta com uma clareza e lucidez que envergonha nossos dirigentes diretos, envolvidos por pressões econômicas mesquinhas, de solução a curto prazo.

A simplicidade das declarações do Príncipe está no princípio de que é preciso criar um pacote de incentivos que ajude os moradores da floresta a fixarem-se lá e a preservá-la, pela falta de consciência dessas pessoas da importância dessa imensa porção de terra despoluidora, para o Brasil e o mundo. “Há muitas pessoas morando na Amazônia com renda muito baixa. Elas precisam de maneiras para garantir que o esforço de não destruir a floresta valha a pena”, disse o príncipe.

A corrente ruralista no Congresso quer, atualmente, elevar para 20% a cota de desmatamento por propriedade, para 50%, pois, do contrário, não adiantaria investir em terras dessa floresta. Não é dessa mentalidade que o Brasil precisa para conservar e manter seu maior patrimônio ecológico, pessoas que investem para auferir grandes lucros, sem se incomodar com o desmatamento e sem morar no lugar.

São empreendedores que nem vão lá, que não participam do processo lento de conservação da floresta, mas ficam, comodamente, nas grandes capitais acionando os cordéis do capital, para adquirir vantagens pecuniárias. Não é esse o tipo de desenvolvimento que a floresta necessita para sua sustentabilidade, mas a participação diária do morador, que possa entender a importância de não desmatar, sem que isso interfira no seu sustento com qualidade de vida.

E continua o príncipe: “Seria preciso criar algum tipo de pacote, em forma de incentivos, para que as pessoas não degradem a floresta”. Não se trata de uma intromissão nas políticas brasileiras, como ele próprio declarou à BBC, mas, como afirma: “Tudo o que posso fazer é levantar a questão para aqueles que, de fato, podem fazer alguma coisa”.

Esse papel de conciliador demonstra uma pessoa preocupada com o que ele chamou de “ar-condicionado do mundo”, para evitar mudanças climáticas, de vez que a floresta libera 20 bilhões de toneladas de vapor de água, absorve carbono em uma escala gigantesca e produz a chuva tão importante para o equilíbrio do planeta. É necessário que grandes empresas, os governos de paises do mundo e consumidores se unam, em um esforço conjunto, para colocar um fim à devastação florestal.

“Não podemos esperar por novas tecnologias, Não há tempo para isso”, completou Charles, de vez que se o desmatamento não diminuir, rapidamente, haverá mais seca e fome no panorama mundial. Ter um crescimento econômico a qualquer custo traz conseqüências irreparáveis, para o Brasil e para o mundo e cada um de nós sofre, diretamente, com isso. 
                                                    Saraiva Filho 16/05/08

criado por SARAIVA FILHO    8:17 — Arquivado em: Sem categoria

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