LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

14.5.08

AS MICRO PEQUENAS ENPRESAS NO CAPITALISMO GLOBAL

Em princípio, é necessário que se entenda por capitalismo global essa rede intricada de relações econômicas, parecidas com as interrelações neurais no cérebro humano, mas dotada de uma concorrência nem sempre leal e trabalhando com grandes volumes de capital. São as multinacionais que vão dragando as empresas menores ou menos competitivas no mercado, formando grandes conglomerados, com poder superior a tradicional soberania dos países.

Com a implementação de novas medidas no Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, no Brasil, há a continuidade de incentivo às micro e pequenas empresas, fazendo com que haja um entusiasmo por parte da população para a montagem desse tipo de negócio. Na França, a reforma econômica que o governo de Sarkosy promove por lá, também, se volta para essa atividade econômica, com incentivos de toda ordem, para que pessoas adiram à idéia de montar micro e pequenos comércios, indústrias ou ofereçer serviços.

Essa é mais uma contradição do capitalismo que continua selvagem, mas se reveste com a capa de humanitário, com programas de “responsabilidade social”, com ênfase no meio ambiente e na ecologia, na “busca do verde”. Ao mesmo tempo em que se encaminha uma leva de desempregados para empresas de fundo de quintal, os grandes conglomerados econômicos vão tendo maior produtividade, diminuindo os custos dos produtos e afogando quem se arriscou com seu pequeno capital, quase sempre, advindo de empréstimo em bancos.

Por outro lado as franquias, que, teoricamente, dariam vazão a esse contingente que quer montar pequenos negócios, promovem um engessamento, sem nenhuma possibilidade de expansão, com lojas em shoppings, sendo engolidas, falindo, diante de uma realidade econômica mundial, onde só os grandes e arrojados conseguem vencer. É uma luta desigual, incentivada pelo governo brasileiro e de outros países, para se ver livre da pressão por emprego, oriunda da classe média e da classe baixa.

Essa luta desigual é como se jogassem os infiéis à fogueira, como na inquisição “vendendo-lhes” uma ilusão de “quitanda”, quando “showrooms são”exibidos com toda pompa, pelo mundo inteiro. Até nas pequenas cidades o comercio local se verga aos altos custos dos produtos ali vendidos e são esvaziados pelas grandes redes de comércio e serviço.

A padaria de “seu Manoel”, o bar-restaurante de “seu João”, a farmácia de “seu Pedro” vão sumindo, rapidamente, substituídos pelas redes nacionais e internacionais de Supermercados e de produtos farmacêuticos, pelos fast-foods de marcas famosas e pelos magazines, com roupas prêt-a-porter e produtos eletrodomésticos e móveis. O chamado comercio local passa a ter outra feição, impondo gostos e modas americanas, japonesas e européias, enquanto se constroem camelódramos para os pobres coitados, geralmente desempregados, expulsos da atividade econômica producente e com garantias de futuro.

Incentivar a pequena , micro e até média empresa é uma maldade sem precedentes com a população que se ilude, pensando em ter “seu próprio negócio”.
                                                   Saraiva Filho 14/05/08

criado por SARAIVA FILHO    1:34 — Arquivado em: Sem categoria

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