9.5.08
EVOLUÇÃO DE UMA MATRIZ ENERGÉTICA
EVOLUÇÃO DE UMA MATRIZ ENÉRGÉTICA
A cana-de-açúcar vem se tornando desde 2006, a nossa principal matriz energética, só atrás, ainda, do petróleo e crescendo a cada ano, com todas as suas variáveis, como etanol e o biodiesel e nos próximos anos como fonte de eletricidade, a partir de seu bagaço. Fonte energética é uma coisa e significa a origem de força propulsora, como fonte de calor e insumo de indústria, enquanto fonte de eletricidade é outra, que serve para, por exemplo, acender lâmpadas e fazer funcionar eletrodomésticos. Isto em uma explicação simplificada.
A Empresa de Pesquisa Energética informou recentemente, como dado preliminar, que, pela primeira vez, a cana-de-açúcar ultrapassou a energia hidráulica, em 2007, com percentuais bem favoráveis a essa fonte verde de energia alternativa. Além do custo bem menor de construção e manutenção, as hidroelétricas causam interferência no meio ambiente e na vida das pessoas deslocadas das áreas que passam a ser ocupadas pela água.
As outras matrizes energéticas, como a solar, a eólica, a dos movimentos das ondas do mar, dependem do clima mais diretamente que a da cana-de-açúcar, que, bem administrada, não interfere na vida do planeta, com suas queimadas absurdas nos dias de hoje. Resta o petróleo, com o barril cada vez mais caro, além de ter uma fonte não baseada em recursos renováveis, embora seja a matriz energética em primeiro lugar no uso de seus derivados, no Brasil.
A grande disparada da cana-de-açúcar se deu em função do uso do etanol, um dos elementos extraídos dessa matriz, que disparou com a existência dos carros flex, gerando uma tendência de alta, até superar o petróleo em, relativamente, pouco espaço de tempo, no que diz respeito ao biocombustível. Quanto à energia elétrica e à força, será necessário que se altera toda uma estrutura física e econômica, montada sobre o petróleo e as hidroelétricas, alterando, até mesmo, o modo de vida das pessoas, em aspectos ainda não bem definidos, mas com possibilidade de alterar hábitos e costumes seculares.
Quanto ao temor de que a agricultura de alimentos seja afetada com o plantio excessivo da cana, não há o que temer no território brasileiro, bem amplo e agricultável, bastando redefinir fronteiras agrícolas, de forma gradual, sem que seja comprometido o alimento, por escassez de produto. Já europeus e americanos do norte, que insistem no álcool de milho e de outros produtos alimentícios, usam esse argumento absurdo da falta e encarecimento dos alimentos como desculpa pelo temor de se tornarem importadores dos derivados da cana e de sua tecnologia.
O Oriente médio, a Opep e sua estrutura petrolífera não se sentem ameaçados, por desacreditar que o Brasil, esse pequeno-grande país da América do Sul venha a desestabilizar o poderio do óleo negro, com seu poder devastador no mundo. Um país cheio de corruptos, administrado por um semi-analfabeto, sem grandes possibilidades de investimento, no tamanho que se exige para ser uma potência energética, é, até mesmo ridicularizado lá fora por tentar, de forma canhestra, impor-se como concorrente da matriz petrolífera.
Pela forma como os países deste planeta caminham, criando concepções novas como a biocivilização, o desenvolvimento de setores como o P&D, aliados à uma tecnologia que avança galopante rumo ao presente-futuro, não é impossível que o Brasil esteja em vantagem, salvo se “entregar o jogo”, vendendo ou deixando escapar por entre os dedos a tecnologia aplicada na cana-de-açúcar.
Saraiva Filho 09/05/08
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