LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

6.5.08

A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA E O IDOSO

No imaginário coletivo existe persistente a idéia de que o idoso é um portador de experiência, seriedade e amplo conhecimento da vida, em quase todos os seus aspectos. Essa visão não se concretiza na realidade do cotidiano, em virtude de pessoas com certa idade avançada sofrerem com vários graus de violência, desde a física até a psicológica, geralmente dentro de casa, praticadas por parentes.

Essa problemática se acentuou de tal forma, na sociedade contemporânea, que já veio com atraso o Estatuto do Idoso ( Lei nº. 10.741, de 01/10/2003). Foi necessário ter uma lei para definir o que é um idoso, alguns de seus direitos básicos e os meios processuais para que ele ou alguém por ele, reivindique, nos órgãos competentes, esses direitos.

Essa lei diz que o indivíduo com 60 anos é considerado idoso, para ser amparado por ela, desconhecendo-se toda uma trajetória de vida que tem de ser amparada, desde a oferta gratuita de afeto até à subsistência física. É bom se esclarecer que idoso não é significado de inválido, de aposentado da vida, apenas os interesses mudam em função de limitações da própria idade, das doenças físicas e psíquicas e da necessidade de adaptação, na maioria dos casos, às inovações, principalmente, as tecnológicas contemporâneas.

Mas trata-se, aqui, de gerontologia, tudo o que diz respeito ao idoso, todos os seus problemas, não se ficando adstrito ao aspecto legal e, também, não à geriatria, o tratamento das doenças características da pessoa idosa. Há que se observar todos os aspectos: o biológico, o clínico, o histórico, o econômico e o social. A classe social a que pertence o idoso é determinante no seu modo de vida, caracterizada, neste artigo, de forma passageira, na sua condição econômica e financeira e no ambiente em que ele vive, assim como a sua origem histórica e na sua história de vida.

Por fim, caracteriza-se, também, na sua condição biológica e clínica. Segundo uma pesquisa da USP, entre as pessoas acima de 60 anos, o fator mais importante é a presença de duas ou mais doenças, o que aumenta em cinco vezes o risco de dificuldades cotidianas. Depreende-se que a idade é um dos principais fatores associados às dificuldades das chamadas atividades instrumentais da vida diária – AIVD.

Uma questão de relevo ficou demonstrada nesse estudo: a depressão. 34.4%, contra 12.3% dos idosos, respectivamente, apresentaram sintoma da doença. Segundo o Coordenador do trabalho, o Prof. Jair Santos, “ A depressão no idoso é muito prevalente, geralmente não valorizada ou considerada como alguma outra ‘manifestação da idade’. Sabe-se que ela está associada à presença de outras doenças, ao maior risco de óbito e, conforme se comprovou nesse estudo, à maior presença de dificuldades nas AIVDs”.

A idade em si e suas fragilidades, associada à presença quase constante de duplas doenças podem ser amenizadas com a participação comunitária e social mais intensa para o idoso, juntando-se a um atendimento mais adequado com cuidados mais eficientes. Qualquer fase da vida tem suas limitações, mas a azáfama da vida contemporânea limita, atrofia, desanima o idoso, em relação ao modo de ser anterior, apesar dos avanços tecnológicos, que, por sua vez, ensejam um novo modo de vida, com o uso de multimídias, principalmente, a informática.
                                                 Saraiva Filho 06/05/08

criado por SARAIVA FILHO    0:41 — Arquivado em: Sem categoria

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