LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

1.5.08

A ERA DA BIOCIVILIZAÇÃO

Antes de completar os primeiros dez anos deste milênio, a partir 2008, os caminhos do futuro começam a se delinear, com forte tendência para se tornar uma realidade futura, em direção à ERA DA BIOCIVILIZAÇÃO. Para isso, será necessário a implantação de políticas públicas que sejam capazes de construir sistemas integrados de produção de alimentos e energia, tendo por base uma possível agricultura familiar.

Segundo palestra do Professor Ignacy Sachs, mestre eminente da École des Hautes Études en Sciences Sociales – Paris, proferida no ciclo Impactos Socioambientais dos Biocombustíveis, na USP “O desafio que se coloca é atacar, simultaneamente, o problema ambiental e o déficit crônico de oportunidades de trabalho decente e as desigualdades sociais. Se não partirmos para um ciclo de desenvolvimento com base na agricultura familiar, o que teremos não será essa biocivilização, mas uma produção de agroenergia, amplamente, mecanizada e favelas apinhadas de ex-agricultores”.

De acordo com o palestrante, esse debate que vem ocorrendo sobre biocombustível se insere em uma discussão mais ampla, no que se refere ao que ele define como a “biocivilização moderna”. A biomassa pode ser alimento, ração animal, adubo verde e material de construção, além de insumos para fármacos, cosméticos e para a química verde, fazendo surgir um leque cada vez maior de produtos, além de abrir um campo totalmente novo para biólogos, biomédicos, químicos e engenheiros químicos, mecânicos e civis.

A noção que se tem, hoje, de refinaria de petróleo seria adaptada, com nova concepção para a biorefinaria, que irá se firmar como imagem para a população e algo concreto para a indústria e a economia. O grande problema é desmontar a cadeia capitalista já antiquada, para nosso tempo, de auto-sustentação das cadeias produtivas, desestimulando os industriais de quererem plantar os insumos agrícolas, em enormes extensões de hectares, habituados que estão a um tipo de administração de agronegócios e terceirizando essa atividade.

Substituir esse tipo de administração por agricultura familiar tem certo ranço de utopia ou de nostalgia, de vez que a indústria cada vez mais se aperfeiçoa em produzir agropecuária para seu próprio consumo e processo de industrialização. Ficar na mão de pequenos agricultores, com produção incerta e, por mais tecnologia que usem, dependendo do clima, do preço de mercado, de safras e entressafras… será difícil obter a conscientização desses capitalistas, que montam super-empresas, inclusive de capital aberto, e ações na bolsa de valores.

Contratar os agricultores como empregados dessas empresas, cada vez mais mecanizadas, não seria uma solução viável para o problema social. Mas, ao mesmo tempo, um novo campo se abre, no setor de serviços, com produtos novos, com a necessidade de pessoal para comercializar, conscientizando a população das vantagens dos produtos verdes. Essa parece uma saída possível, mais próxima desta etapa econômica em que se vive e, posteriormente, talvez, possa se pensar em agricultura familiar, como matriz de uma economia mundial.
                                           Saraiva Filho 01/04/08

criado por SARAIVA FILHO    8:02 — Arquivado em: Sem categoria

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