LiberdadeDaPalavra

ARTIGOS sobre fatos políticos, econômicos e sociais. Liberdade, palavras e ações.

28.4.08

UM DISCURSO-VERDADE NO GOVERNO

Com boas intenções e um discurso afinado com a realidade do crime, no Brasil, chegou, a cerca de um mês e meio, à Secretaria Nacional de Segurança Pública o Sr. Ricardo Brisolla Balestreri, advindo da direção do Programa Nacional de Segurança Pública. No cargo anterior, já demonstrava lucidez, quando defendeu o uso de armas não letais, pelas Polícias Civil e Militar e ensejando um modelo de policiamento que incluiria conversa, proximidade com a comunidade e o uso de bicicletas como patrulhamento ostensivo. 
 
Na condição de Professor de História conhece os meandros da evolução da sociedade e suas modificações em nossos tempos. Não é o único com essa capacidade, mesmo dentro do governo ou fora dele, havendo muitos Balestreri por aí, com a mesma visão de vanguarda e a destreza mental para indicar e seguir caminhos heterodoxos e dizer verdades, que a hipocrisia social e governamental cala. Chega a dar declarações precisas e no caminho do encontro com a realidade, verdades conhecidas, mas que fingem chocar os próprios governantes e a elite social, como: “O crime organizado não é na periferia, não tem seu comando nas favelas”.

Com isso, demonstra que os líderes do crime organizado, no Brasil, não moram nas favelas, porque são segmentos da elite da sociedade. E acrescenta: “ … não quero dizer que eles, os chefes do crime nas favelas, não sejam perigosos, nem que não devam ser combatidos. Eles têm que ser, legitima e legalmente, reprimidos pela polícia, pelo Estado”.

Essa pessoa incomum, por que de dentro do governo, sem tapar o sol com a peneira, tem a coragem de assumir, publicamente, que o país, ao longo dos anos, e atualmente, não se faz presente entre os mais pobres. Assevera que “ Quando você tem um vácuo do poder público, naturalmente, quem vai ocupar esse vácuo são grupos delinqüentes organizados”. E demonstra que esses grupos não são a mesma coisa que o crime organizado.

Ressalta, ainda, que “ Não é o crime organizado que domina favelas e presídios, são as organizações que prestam serviços ao crime organizado”. É contrário, também, ao fato de culpar os usuários de drogas pelo problema da violência. Conclui: “ Isso está muito na moda fazer hoje. Mas o usuário está adoecido pela dependência da droga. Então, é, absolutamente, ineficaz e equivocado querer terminar com um sistema de indústria criminosa, a partir do usuário. Temos que educar o usuário, para que ele saiba que a conduta dele tem uma relação sistêmica, com a indústria do crime”.

A Polícia Federal deve ser colocada “no encalço dos chefões” e, também, a policia ostensiva-preventiva e a Civil na contenção do crime, na perseguição dos criminosos executores do crime, respeitando os direitos do cidadão. Tarefa difícil, mas não impossível, tanto desvendar e desmascarar a elite criminosa, quanto deter a arraia miúda, analfabeta ou inculta, acobertada por organizações de alto nível social.

Essas “verdades” são conhecidas de intelectuais e estudiosos do assunto, mas, jamais, alguém no governo as pronunciou de público, desmistificando a postura incólume da elite, “acima de qualquer suspeita”, abastecendo e amparando um garoto qualquer vendedor de papelotes na rua, “os bagulhos” ou os chefetes nos presídios. Estes posam de “chefões”, para acobertar os verdadeiros que freqüentam, normalmente, a sociedade e até exercem cargos públicos e são donos de grandes empresas.
                                               Saraiva Filho 28/04/08

criado por SARAIVA FILHO    7:58 — Arquivado em: Sem categoria

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