22.10.07
CONTINUA O MISTERIOSO CASO MADELEINE
Herdamos de Portugal muitos costumes e toda uma cultura, contendo coisas muito positivas, interessantes e salutares, mas absorvemos uma inhaca de burocracia, que vem desde as capitanias hereditárias a nossos dias, como se fosse uma tatuagem. Para tudo criamos um processo, um procedimento, um regulamento, na maioria das vezes, não seguido.
Essa concepção burocrática portuguesa se confirma agora, lá mesmo em Portugal, no caso da menina Madeleine MacCann. Para quem não está lembrado, de vez que desapareceu da mídia televisiva, trata-se do sumiço ou seqüestro ou homicídio de uma garotinha de 4 anos de idade. Ela estava no quarto de um hotel, onde dormia, com mais dois irmãos, enquanto os pais jantavam com amigos, a cem metros dali e, nessa ocasião, desapareceu, no dia 3 de maio, deste ano.
Nessa época, a família inglesa de Gerry e Kate MacCann passava férias na praia da Luz, no Algarve, região sul de Portugal. Esse fato foi “adotado” pela mídia, pelo que de inusitado possui, chegando a serem os pais acusados da morte da filha.
A confusão burocrática da polícia local foi tamanha, com várias pessoas designadas para desvendar esse mistério, que culminou com a descoberta, faz poucos dias, de que toda a atuação da polícia, até então, estava errada. Provas deixaram de ser recolhidas no quarto onde estava a menina e no carro alugado pela família, além da falta correta de cruzamento de dados.
Recentes relatórios da polícia local revelam que oficiais passaram os últimos quinze dias processando informações e pistas ignoradas pelos subordinados do ex-chefe das investigações, o Sr. Gonçalo Amaral. O novo encarregado do caso, Sr. Paulo Rabelo, se revoltou com a conduta irresponsável de seu antecessor e pretende renovar as investigações e refazer os exames forenses, além de promover novos.
Essa incompetência, essa inércia, esse descalabro e descaso ocorrem, com muita freqüência, no Brasil, onde as estatísticas mostram, de um lado, uma polícia mal equipada, mal paga, sem um serviço de inteligência eficaz, sem equipamentos modernos, dotados de novas tecnologias, em todos os Estados brasileiros.
De outro lado, a mesma polícia corrupta, negligente, compactuando com o crime organizado, escondendo suas falhas e suas deficiências, até por questão de hierarquia. Uma polícia que não inspira o sentimento de segurança na população, que, muitas vezes, a teme, pois nunca se sabe de qual lado ela está, se é que existe lado, embora se assemelhe a uma guerra civil.
Aqui, o caso de Madeleine deixou de ser notícia, diante de tantos meninos e meninas, adolescentes e adultos que somem, são baleados ou morrem, sem falar nos policiais vítimas do chamado fogo amigo, no combate aos crimes ocorridos, considerando que a ação preventiva é incipiente.
Na Europa ocidental, as agências de notícias não se cansam de se reportar a esse mistério do caso Madeleine, acostumados que estão à solução dos crimes, salvo contra alguns estrangeiros, como é o caso do eletricista brasileiro, na Inglaterra, com a autoria da própria polícia.
Saraiva Filho
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