19.10.07
O SILÊNCIO SOBRE A CPMF
Na quinta-feira, ontem e hoje, dia 19/10, em pleno período de votação da prorrogação da CPMF, o espanto do silêncio. Uma palavra sequer sobre a prorrogação, até 2011, dessa espúria Contribuição. O que nos dá conta o noticiário é que a arrecadação de impostos de janeiro a outubro deste ano aumentou, mesmo sem computar a CPMF, em 6,6%, comparada ao mesmo período do ano passado.
Isso vem demonstrar a desnecessidade dessa “contribuição-imposto”, palavra composta que não existe e, separadamente, constitui dois conceitos totalmente diferentes, no Direito Tributário. Contribuição que de provisória nada mais tem, tornando-se permanente com as prorrogações, com todas as outras características de um imposto.
Tomamos a liberdade de utilizar essa palavra, como demonstração do repúdio da população, em sua grande maioria, sofrendo calada, com o desconto de 0,38%, a cada saque que faz de sua conta bancária. População que recebe salário, a contraprestação de seu suado trabalho, esvaindo-se, lentamente, para o bolso do governo.
Falou-se, bem antes, em isenção de valores até 1.700 reais e outras atenuações da Contribuição e, de repente, nada.
Esse silêncio incomoda, com a mídia calada. Seria de propósito, para não atrapalhar alguma negociação fora dos padrões éticos? Obviamente, que os líderes do governo e da oposição, assim como os senadores, não estão parados, que negociações há, ocorrendo uma movimentação de bastidores, que o público não pode tomar conhecimento.
Por que será que a mídia está silenciosa sobre esse assunto? Onde estão os chamados repórteres investigativos, seus furos de reportagem, suas notícias bombásticas? Não se pode acusar sem prova, mas algo de inusitado, na escuridão de uma censura branca, esconde-se, como gato preto na negritude da noite.
Ainda terão outros dias, menos os mortos de final de semana em Brasília, principalmente, em assuntos políticos, para que possamos falar, de novo, em CPMF. Ou não. Afinal, existem, quase como tradição parlamentar, as votações na madrugada. E quem sabe hoje ou segunda-feira… parece que vale tudo…
Saraiva Filho
criado por SARAIVA FILHO
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