LiberdadeDaPalavra

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15.10.07

A IMBECILIDADE DA TROPA

 
A mídia brasileira tem por hábito eleger pessoas, entidades ou produções culturais e criar em torno destas falsas polêmicas, para atrair leitores e telespectadores. É uma espécie de “convocação” de massa, como acontece agora com o filme Tropa de Elite.

O filme retrata uma realidade conhecida pelos mais esclarecidos e por aqueles, maioria no Brasil, que sofrem as conseqüências da violência policial, esta com outra origem, que não a violência em si.

É ressaltado, nos meios de comunicação, o tratamento de “sócios” a traficantes e consumidores, a partir da premissa de que só há traficantes, porque há quem consuma. Raciocínio frágil e estúpido, quando se sabe que o consumidor de drogas é um doente que necessita de tratamento e que só existe trafico, porque há a proibição legal do manuseio e venda clandestina das drogas chamadas ilícitas. Isso enriquece um segmento da sociedade e é mais organizado que seu órgão repressor.

O filme revela o óbvio, basicamente essa luta travada entre policiais e traficantes, aonde se chega ao ponto de não saber mais quem é bandido ou mocinho. Essa realidade assume encastelamentos em favelas ou em periferias, como em qualquer lugar do mundo, onde as drogas não são liberadas.

O fetiche midiático se concentra em boas atuações de atores televisivos e na participação dos próprios integrantes do BOPE, outra causa de polêmica.

Aliás, polêmica extravagante, se observarmos filmes de paises islâmicos, onde é comum o uso de atores não profissionais, mostrando um dia-a-dia cruel, com estratégias de sobrevivência próprias. Como se trata de militares há sempre aquele mistério em suas operações, a surpresa, o modus fasciendi diferenciado, que os traficantes acompanham sempre pelas freqüências de rádios da polícia e soltam foguetes avisando sua chegada aos redutos das bocas de fumo. Há, também, o lado das traições de militares corruptos, cada vez mais crescentes.

Mas se cria a tal polêmica midiática para dar vazão a um cinema chocho, como o brasileiro, sem audiência, que precisa de lei para os distribuidores passarem os filmes nas casas de espetáculo.

O lado do cinema-arte passa longe da filmagem, sendo mais um daqueles filmes americanos de bandidos e policiais, seguindo a receita de Hollywood.

É uma tristeza que, com tantos temas mais contundentes e reveladores de causas originais das mazelas brasileiras, se elogie e reverencie um filme de conseqüências dessas causas, tratando como polêmico o comadrismo e a fofocagem, matéria-prima dos produtos de massa. Mais uma imbecilidade da tropa de “elite” dos ditos cineastas.
                                                   Saraiva Filho

criado por SARAIVA FILHO    1:40 — Arquivado em: Sem categoria

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